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Pesquisando
as abduções
Em
1996, li o livro Interrupted Journey, de John Fuller,
a popular história de Barney e Betty Hill, os quais alegavam
que alienígenas os haviam retirado do seu automóvel, submetendo-os
a exames médicos (inclusive a um teste de gravidez para Betty),
e depois os soltaram. O psiquiatra, que usara hipnotismo com
os Hills para recuperar a parte esquecida da história, pensou
que se tratava de um caso de sonhos, teoria com a qual eu
estava inclinado a concordar, apesar de os alienígenas descritos
pelos Hills se parecerem muito com os ocupantes de OVNIs que
outras testemunhas afirmavam ter visto perto de OVNIs aterrissados.
Em 1970, inscrevi-me em várias organizações nacionais
de OVNIs e li suas publicações. Fiz uma assinatura do jornal
britânico Flying Saucer Review, que apresentava debates animadores
e tradução dos melhores artigos de periódicos estrangeiros.
Esse jornal publicava também artigos de céticos, como o astrônomo
de Harvard Donald Menzel. Quanto mais eu aprendia sobre os
assuntos, mais conseguia separar o joio do trigo. Comecei
a distinguir entre investigação boa e deficiente, e a separar
a pesquisa boa da incompleta. Até trouxe para o meu campo
de trabalho algumas investigações de relatórios sobre aparições
de OVNIs. Como a minha especialidade era história, comecei
a procurar padrões históricos no fenômeno OVNI. Eu queria
saber como a sociedade havia "recebido" os OVNIs desde que
as primeiras testemunhas começaram a se referir a eles na
década de 1940. Também queria compreender o papel que a Força
Aérea desempenha na controvérsia sobre os OVNIs.
Desejava observar de perto a aura de ridículo em torno
do assunto. Queria saber por que somente uma pequena percentagem
da população tinha alguma informação segura sobre os OVNIs,
embora as aparições fossem notícias pela mídia há tantos anos.
Decidi escrever a minha tese de doutorado sobre a história
da controvérsia a respeito dos OVNIs, apesar de haver somente
uma tese o assunto, e era de jornalismo. O professor Paul
Conkin, orientador dos meus estudos, considerado um dos pensadores
mais sistemático e rigoroso entre os historiadores, expressou
suas dúvidas quando mencionei o assunto. Ele pensava que os
OVNIs se relacionavam mais com histeria social e modismos
de que qualquer outra coisa, mas permitiu que fosse adiante
com o projeto. Terminei minha tese em 1973 e publiquei uma
versão revista em 1975.
Depois de receber meu diploma de mestrado, comecei
a lecionar na Universidade de Nebraska, e a partir de 1975
na Universidade de Temple, em Filadélfia. Ao mesmo tempo,
continuei minhas pesquisas sobre OVNIs e publiquei artigos
e estudos sobre o assunto. À medida que trabalhava nesse campo
percebi que o maior problema era o direcionamento da pesquisa.
O estudo das aparições de OVNIs progredia bem, mas algumas
das questões fundamentais sobre o fenômeno estavam longe de
ser respondidas. Por que, por exemplo, esses objetos estavam
aqui? Por que, se eles eram extraterrestres, preferiam voar
a esmo e não estabelecer contato com os humanos? As respostas
a essas e outras perguntas não poderiam ser obtidas com o
estudo da parte externa desses objetos. Precisávamos aprender
mais sobre o que acontecia dentro dos OVNIs.
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