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Terra verde
A Ameaça dos Transgênicos

Por Tatiana de Carvalho
Tatiana de Carvalho é assessora do Greenpeace Brasil, organização internacional sem fins lucrativos que luta pela preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace pelo telefone 0300-7892510 ou através do site www.greenpeace.or g.br

Greenpeace/Lopez
Produção de milho tradicional: segurança para a saúde e o meio ambiente

A última novidade das multinacionais do ramo químico, os transgênicos (também conhecidos como organismos geneticamente modificados), é combatida por diversas entidades ambientalistas e recusada por milhões de consumidores em todo o mundo, já que os resultados de sua aplicação na saúde humana e no meio ambiente são imprevisíveis, incontroláveis e desnecessários.

O objetivo da engenharia genética é transferir genes de uma espécie para outra, visando adicionar alguma propriedade nova a uma planta ou animal. No caso da soja, por exemplo, o objetivo é tornar a planta resistente à aplicação de herbicidas, de modo que os agricultores possam aumentar o uso desses agrotóxicos sem matar os seus cultivos. Alguns tipos desses organismos geneticamente modificados já estão sendo cultivados em escala comercial e são ingeridos como alimentos em algumas partes do mundo, como a soja Roundup, da Monsanto, o milho BT e a canola BT, da Novartis.

Esse tipo de experiência tem recebido severas críticas, porque sabemos que as conse-qüências nocivas de novas tecnologias às vezes só poderão ser percebidas após muitos anos. Entre os possíveis resultados, os cientistas prevêem o empobrecimento da biodiversidade através da poluição genética, que é o cruzamento de organismos geneticamente modificados com espécies naturais. Além disso, os transgênicos podem levar ao surgimento de “superpragas” e ao aumento da contaminação dos solos e lençóis de água, devido ao uso intensificado de agrotóxicos.

Conseqüências preocupantes para a saúde humana se-riam o aparecimento de alergias, o aumento da resistência a antibióticos e o aparecimento de novos vírus, mediante a recombinação de vírus “engenheirados” com outros já existentes no meio ambiente.

Caso algumas dessas conseqüências negativas da engenharia genética ocorram, será impossível controlá-las, pois, por serem formas vivas, os transgênicos são capazes de sofrer mutações, se multiplicar e se disseminar na natureza. Ou seja, uma vez introduzidos, não podem ser removidos.

Finalmente, o argumento de que a engenharia genética ajudará a reduzir a fome nos países pobres só pode ser considerado uma cínica justificativa de marketing. Os especialistas nesse tema são unânimes em afirmar que a melhor maneira de garantir a segurança alimentar é proteger e desenvolver a diversidade das agriculturas locais; combater as práticas agrícolas que causam empobrecimento dos solos, poluição química e esgotamento dos recursos hídricos; estimular a agricultura familiar e comunitária; e trabalhar para eliminar a pobreza. As multinacionais do ramo químico são as únicas que têm a ganhar com essa perigosa experiência. Infelizmente, muitos governos, seduzidos pelos lucros de curto prazo, têm financiado a pesquisa em engenharia genética e reduzido as restrições legais ao plantio e comercialização de alimentos geneticamente modificados.

A liberação da produção e comercialização dos transgênicos agride a própria integridade do meio ambiente. Entre os grupos que fazem oposição aos organismos geneticamente modificados, o Greenpeace pro- põe a proibição desses produtos até que sejam feitos estudos que garantam a sua segurança para o homem e para o meio ambiente.

Com o fim de fornecer informações ao consumidor que deseja atuar na campanha contra os transgênicos e também evitá-los, o Greenpeace lançou o Guia do Consumidor – Lista de Produtos Com e Sem Transgênicos, com cópia no site www.greenpeace.org.br

 

       


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