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Sabedoria no Cotidiano
Tesouros da Vida
Os
ensinamentos que nos fazem crescer espiritualmente escondem-se
também nas ações do dia-a-dia, no convívio com familiares
e colegas
de escola ou profissão – e, como mostram os relatos do livro
Histórias Para Aquecer o Coração, é preciso estar sempre atento
para descobri-los.
Os textos a seguir foram extraídos do livro Histórias Para
Aquecer o Coração, organizado por Jack Canfield, Mark
Victor Hansen e Heather McNamara, lançado pela Editora Sextante.
Tradução: Marina Colasanti e Fabiana Colasanti.
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David Filmer/Sipa-Press
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Lançada
recentemente no Brasil pela Editora Sextante, a série
Histórias Para Aquecer o Coração
possui uma fórmula preciosa: reúne tocantes
relatos de amor e sabedoria assinados não por grandes
mestres ou gurus, mas por pessoas comuns, que em sua maioria
viveram os fatos que estão narrando. O sucesso de vendas
mais de 60 milhões de exemplares comercializados
no mundo reforça a evidência de que as
oportunidades para o progresso interior surgem diante de todos
nós, sem distinção de raça, idade
ou classe social. Quatro das histórias apresentadas
são transcritas a seguir.
A
gardênia branca
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Reprodução |
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Todos
os anos, no dia do meu aniversário, desde que completei
12 anos, uma gardênia branca me era entregue anonimamente
em casa. Não havia nunca um cartão ou um bilhete
e os telefonemas para o florista eram em vão, pois
a compra era sempre feita em dinheiro vivo. Depois de algum
tempo, parei de tentar descobrir a identidade do remetente.
Apenas me deleitava com a beleza e o perfume estonteante daquela
única flor, mágica e perfeita, aninhada em camadas
de papel de seda cor-de-rosa.
Mas nunca parei de imaginar quem poderia ser o remetente.
Alguns de meus momentos mais felizes eram passados sonhando
acordada com alguém maravilhoso e excitante, mas tímido
ou excêntrico demais para revelar sua identidade. Durante
a adolescência foi divertido especular que o remetente
seria um garoto por quem eu estivesse apaixonada, ou mesmo
alguém que eu não conhecia e que havia me notado.
Minha mãe freqüentemente alimentava as minhas
especulações. Ela me perguntava se havia alguém
a quem eu tivesse feito uma gentileza especial e que poderia
estar demonstrando anonimamente seu apreço. Fez com
que eu lembrasse das vezes em que estava andando de bicicleta
e nossa vizinha chegara com o carro cheio de compras e crianças.
Eu sempre a ajudava a descarregar o carro e cuidava que as
crianças não corressem para a rua. Ou talvez
o misterioso remetente fosse o senhor que morava do outro
lado da rua. No inverno, muitas vezes eu lhe levava sua correspondência
para que ele não tivesse que se aventurar nos degraus
escorregadios.
Minha mãe fez o que pôde para estimular minha
imaginação a respeito da gardênia. Ela
queria que seus filhos fossem criativos. Também queria
que nos sentíssemos amados e queridos, não apenas
por ela, mas pelo mundo como um todo.
Quando estava com 17 anos, um rapaz partiu meu coração.
Na noite em que me ligou pela última vez, chorei até
pegar no sono. Quando acordei de manhã havia uma mensagem
escrita com batom vermelho no meu espelho: Alegre-se,
quando semideuses se vão, os deuses vêm.
Pensei a respeito daquela citação de Emerson
durante muito tempo e a deixei onde minha mãe a havia
escrito até meu coração sarar. Quando
finalmente fui buscar o limpa-vidros, minha mãe soube
que estava tudo bem novamente.
Mas houve certas feridas que minha mãe não pôde
curar. Um mês antes de minha formatura no segundo grau,
meu pai morreu subitamente de enfarte. Meus sentimentos variavam
de dor a abandono, medo, desconfiança e raiva avassaladora
por meu pai estar perdendo alguns dos acontecimentos mais
importantes da minha vida. Perdi totalmente o interesse em
minha formatura que se aproximava, na peça de teatro
da turma dos formandos e no baile de formatura eventos
para os quais eu havia trabalhado e que esperava com ansiedade.
Pensei até mesmo em entrar em uma faculdade local,
ao invés de ir para outro Estado como havia planejado,
pois me sentiria mais segura.
Minha mãe, em meio à sua própria dor,
não queria de forma alguma que eu faltasse a nenhuma
dessas coisas. Um dia antes de meu pai morrer, eu e ela tínhamos
ido comprar um vestido para o baile e havíamos encontrado
um, espetacular metros e metros de musselina estampada
em vermelho, branco e azul. Ao experimentá-lo, me senti
como Scarlett OHara em E o Vento Levou... Mas não
era do tamanho certo e, quando meu pai morreu no dia seguinte,
esqueci totalmente o vestido.
Minha mãe, não. Na véspera do baile,
encontrei o vestido esperando por mim no tamanho certo.
Estava estendido majestosamente sobre o sofá da sala,
apresentado para mim de maneira artística e amorosa.
Eu podia não me importar em ter um vestido novo, mas
minha mãe se importava.
Ela estava atenta à imagem que seus filhos tinham de
si mesmos.
Imbuiu-nos com uma sensação de mágica
do mundo e nos deu a habilidade de ver a beleza mesmo em meio
à adversidade.
Na verdade, minha mãe queria que seus filhos se vissem
como a gardênia graciosos, fortes, perfeitos,
com uma aura de mágica e talvez um pouco de mistério.
Minha mãe morreu quando eu estava com 22 anos, apenas
dez dias depois de meu casamento. Esse foi o ano em que parei
de receber gardênias.
Marsha
Arons
próxima>>
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