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Jornadas para o Autoconhecimento
Os segredos do labirinto - continuação
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Prensa Três |
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de jarra etrusca: associação do labirinto à história
de Tróia. |
As
origens dos labirintos unidirecionais remontam a milhares
de anos. Os exemplos mais primitivos talvez usados
com propósitos ritualísticos datam de
cerca de 2500 a.C. e possuem três voltas, construídas
ao redor de duas linhas cruzadas no eixo central. Extensão
desse modelo mais simples, o desenho clássico de labirinto
tem sete voltas e oito paredes ao redor das duas linhas cruzadas
centrais. Ele é encontrado em todo o mundo, desenhado
na rocha, marcado no chão com pedras, escavado na grama
e decorando artefatos antigos.
O espaço central do labirinto clássico desenvolveu-se
em três permutações ao longo do tempo:
linhas cruzadas no centro (o destino é o pequeno quadrante
do espaço no canto superior direito, o que lembra o
gancho de uma bengala); um espaço central aberto, contendo
uma pintura de Teseu e o Minotauro; e um espaço central
aberto e vazio. À medida que o espaço central
muda, também muda o papel do labirinto.
O
desenho clássico com uma cruz central pode ser encontrado
em artefatos de diversas culturas. O exemplo mais antigo é
um labirinto escavado na rocha de uma câmara funerária
em Luzzanas, na Sardenha, que data de 2500-2000 a.C. Embora
o labirinto possa ter sido acrescentado depois, sua presença
na tumba nos dá uma indicação da sua
ligação com os rituais da vida e da morte; dança
cerimonial em grupos e demais movimentos poderiam ter traçado
a passagem de volta para a Mãe Terra na morte e por
meio do portal da sepultura.
A cruz no centro desse labirinto parece sugerir as quatro
direções norte, sul, leste e oeste
reverenciadas na tradição dos nativos americanos.
Na verdade, labirintos que se acredita datarem do século
12 foram encontrados em escavações realizadas
em paredes rochosas nas reservas hopis no nordeste do Arizona
(EUA). O labirinto hopi é um símbolo de emergência,
ou nascimento e criação, e é conhecido
como Mãe Terra.
Uma jarra de vinho etrusca encontrada em Tragliatella (Itália),
datada do final do século 7 a.C., mostra um labirinto
circular com a palavra Truia, ou Tróia, escrita num
de seus corredores. No mesmo desenho, dois cavalos, montados
por guerreiros portando escudos e lanças, saem da boca
do labirinto. Atrás do labirinto, dois homens aparecem
sobre mulheres em posição de coito. Um bardo
vestido com uma túnica situa-se à direita, fazendo
um gesto com o braço para o grupo. Talvez esteja contando
a história de Homero sobre a queda da cidade de Tróia,
sitiada pelos gregos durante dez anos. Helena, esposa do rei
grego Menelau, foi raptada por Páris e levada para
Tróia. Na pintura, o labirinto é comparado a
Tróia, com a parede murada guardando a bela mulher,
Helena, em seu centro. A união sexual ou rapto (os
casais) e a guerra sangrenta (os guerreiros) são os
elementos da história. A fortificação
inviolável foi penetrada por meio de astúcia:
os gregos se esconderam num cavalo de madeira, levado pelos
troianos para dentro das muralhas da cidade. Mais tarde, os
gregos saíram e arrasaram Tróia.
Esse tema do labirinto como uma cidade sitiada também
foi encontrado num manuscrito datado de cerca de 1034 d.C.
que narra o épico indiano Ramayana. O labirinto representa
a fortificação para onde o demônio Ravana
levou a bela Sita, depois de roubá-la de seu marido,
Rama.
A
jarra de Tragliatella é a primeira evidência
de ligação entre Tróia e o labirinto.
Mais tarde, isso se tornou uma tradição na Suécia,
na Alemanha, na Finlândia e na Dinamarca, e ainda podem
ser vistos nesses países alguns labirintos ao ar livre
com nomes como Troyaburg, Trojienborg ou Trojborg. Mais ao
sul, também se tornaram populares os dédalos
na grama, embora muitos tenham se perdido ou sido destruídos.
Alguns labirintos de grama sobreviveram na Grã-Bretanha
e mantiveram seus nomes relativos a Tróia, tais como
Cidadela de Tróia, Centro de Tróia e Muralhas
de Tróia.
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| Na
Idade Média, a jornada até Jerusalém, local da morte
de Jesus, tornou-se o objetivo da peregrinação cristã. |
Os
labirintos de Tróia foram usados como proteção
contra mau tempo, espíritos nocivos e entes sobrenaturais.
Algumas vezes eles eram associados à conquista de donzelas,
ligando Tróia a Helena, a personificação
da beleza, e reproduzindo lendas de cavaleiros valorosos que
resgatavam donzelas de prisões em torres. As raparigas
locais ficavam no centro do labirinto, enquanto os rapazes
tentavam ser os primeiros a alcançá-las e conquistá-las.
O mito de Teseu tornou-se, na Europa, a história central
ligada ao labirinto e ilustra uma nova orientação
nesse folclore: antes, a mulher representada por Helena
esperava ser salva no centro de uma fortaleza inexpugnável;
agora, a mulher na forma de Ariadne apaixonada
segura o cordão da vida de modo que o homem possa encontrar
seu caminho depois de sua missão heróica.
O
Império Romano guarda muitos exemplos de labirintos
em pavimentos de mosaicos, datando de cerca de 165 a.C. a
400 d.C. O labirinto clássico é criado a partir
da abertura do espaço central, donde se tiram para
fora os eixos norte, sul, leste e oeste, que funcionam como
os limites dos quatro quadrantes, cada um contendo um labirinto
clássico. Os quatro labirintos estão ligados
e seguem em ordem sistemática para a meta central.
Normalmente, são tão pequenos que devem ter
tido função protetora ou decorativa.
O labirinto se desenvolveu de maneira significativa na Idade
Média e chegou até as catedrais cristãs
européias. O número de corredores aumentou de
7 para 11, e os eixos norte, sul, leste e oeste foram rompidos
em diferentes partes. O corredor para o centro serpenteava
ao acaso de um dos quadrantes para o seguinte, com o efeito
de desorientar o caminhante. Esses labirintos geralmente eram
muito grandes e deveriam ser percorridos a pé. O centro
era aberto, sem nenhuma imagem, o que indica uma mudança
na ênfase da mulher em dificuldades, ou do herói
lutador central, para um novo espaço de possibilidades,
onde a história cristã de salvação
pudesse ser vivenciada.
À
medida que se tornava mais poderosa na Idade Média,
a Igreja parecia controlar ou apagar os rituais supostamente
não- cristãos. Embora o labirinto fosse essen-cialmente
um símbolo pagão, a Igreja não teve dificuldade
em assimilá-lo à iconografia cristã:
seu caminho unidirecional ao centro seria uma ilustração
perfeita do caminho único para a salvação.
Por esse motivo, o labirinto pôde florescer.
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