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Jornadas para o Autoconhecimento
Os segredos do labirinto
Símbolo presente nas mais variadas culturas, o labirinto – a via tortuosa que leva a um centro – remete ao caminho difícil que devemos trilhar para crescer interiormente. Além de servir como um ótimo instrumento de meditação, ele pode ajudar a curar e a trazer bem-estar para os que o percorrem.

Por Helen Raphael Sands
O texto a seguir é um excerto do capítulo 1 do livro Labirinto – Caminho Para Meditação e Cura, de Helen Raphael Sands, lançado pela Madras Editora. Tradução: Henrique Amat Rêgo Monteiro.

Prensa Três

Desde os tempos antigos até hoje, o labirinto é considerado um ponto de partida para seu próprio conhecimento, a partir do qual você pode desenvolver seu caminho pessoal. Nossos ancestrais usaram essa forma ao longo das eras e deixaram como legado objetos relacionados ao labirinto que continuam a instigar nossa imaginação. A beleza dessa forma reside em seu apelo universal, uma vez que ela não está vinculada a nenhum tipo de fé ou tradição, de modo que toda pessoa que percorrer seu caminho pode extrair dessa experiência o que precisar.

O labirinto é um meio de meditação que nos oferece a oportunidade de ouvir a nós mesmos. Essa experiência pode ser demorada e contemplativa, ou rápida e energizante; com ela podemos nos livrar de vários níveis de emoção e deslindar um problema; ou podemos estimular a mente e produzir inspiração.

O movimento físico em direção ao centro do labirinto corresponde a um movimento interno ao centro profundo em nosso interior, no qual somos um ser integral e intacto, mesmo que estejamos doentes ou sofrendo. Portanto, o caminho do labirinto nos leva por uma jornada interior de cura em direção ao bem-estar pessoal e à renovação espiritual.

Embora se encontrem labirintos no mundo todo, muitos deles foram negligenciados, destruídos ou simplesmente esquecidos ao longo do tempo. Recentemente, as pessoas voltaram a se interessar por eles, restaurando ou criando projetos ao redor do planeta. Até mesmo os significados da palavra vêm passando por transformações.

Prensa Três
No meio: Os labirintos mais primitivos, de 2500 a.C., tinham três voltas.
À esquerda:
Conhecido em todo o mundo, o desenho clássico ganhou mais quatro voltas.
Direita: Labirinto dos índios hopis, do sudoeste dos EUA, para quem a figura é um símbolo ligado ao nascimento e à criação.

Na língua inglesa, por exemplo, as palavras labyrinth e maze (em português, respectivamente, “labirinto” e “dédalo”), que tradicionalmente eram sinônimas, adquiriram significados diferentes: labyrinth significa um caminho de um percurso apenas, que leva a uma meta central depois de uma série de curvas e sinuosidades; maze tem o sentido tradicional de construção de caminhos variados e becos sem saída, em que apenas uma passagem leva ao centro.

As pessoas que percorrerem um labirinto, por mais que se concentrem no caminho, não precisam tomar decisões quanto a virar à esquerda ou à direita; em vez disso, relaxam o lado esquerdo do cérebro, que controla as ações relativas ao lado direito do corpo – verbais, racionais, lógicas, lineares, abstratas –, ao mesmo tempo em que exercitam o lado direito do cérebro, que controla as respostas atribuídas ao lado esquerdo do corpo – não-verbais, não-racionais, intuitivas, sintéticas, concretas. A cultura ocidental estimula a predominância da atividade que utiliza o lado esquerdo do cérebro, o que interfere no delicado equilíbrio entre os hemisférios cerebrais. Percorrer labirintos pode ajudar a corrigir esse desequilíbrio.

Já os dédalos estimulam a atividade do lado esquerdo do cérebro, uma vez que a pessoa tem de tomar decisões conscientes quanto a seguir por um caminho ou outro. Esses labirintos-charadas se tornaram populares no século 15, nos jardins renascentistas italianos e franceses. Eram usados como jogos de recreação ou amorosos. Um passeio por um dédalo, com seu foco no exterior e no espírito de aventura, é muito diferente de percorrer um labirinto, em que o foco é interior e às vezes induz à meditação.

Diante da imagem de um labirinto, ficamos instantaneamente fascinados. Seu desenho de curvas e voltas repetidas ao redor de um centro lembra a superfície espiralada do cérebro, o labirinto do ouvido interno, as curvas do intestino delgado. Com efeito, se você observar um labirinto, verá nele um reflexo de seu panorama interno. Do mesmo modo, a história do herói grego Teseu, de Ariadne e do Minotauro, geralmente associada ao labirinto, remete-nos ao fio de Ariadne desenrolando-se ao longo do labirinto até o centro. Talvez isso excite nosso subconsciente e nos remeta de volta ao útero, onde estávamos ligados ao cordão umbilical que nos trazia a vida.

Também encontramos a idéia de labirinto ao nosso redor, nas formas espiraladas da natureza, nas espirais de nossa impressão digital, nas ondulações da água em círculos concêntricos, nas teias de aranha, no desabrochar de uma samambaia. A partir dessas imagens, podemos reconhecer a jornada de crescimento e transformação, em curvas e círculos para fora e para dentro do labirinto. Por esse motivo, seguimos um caminho “familiar” no labirinto, como se estivéssemos retornando à própria fonte da vida.

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