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Libertação Interior
Por que perdoar
Geralmente,
a resposta para uma agressão, seja
ela de maior ou menor intensidade, é a raiva e o
desejo de vingança. Tanto a psicologia como a
maioria das religiões, porém, apontam o perdão
como a única arma capaz de, diante de uma ofensa
ou de um crime, nos devolver a paz interior.
Texto:
Vera Lúcia Franco
Ilustrações: Christiane S. Messias
Contatos com Vera Lúcia Franco podem ser feitos
pelo telefone (11) 5549-4742 ou pelo e-mail vluciafranco@terra.com.br
Em
meio a tão turbulento momento mundial, em que a violência
e o desrespeito aos valores comuns e necessários à
sobrevivência ameaçam acabar com a vida sobre
o planeta, ecoa distante a voz de um homem em agonia na cruz:
Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem.
Tanto para os padrões vigentes na época como
para os dias atuais, a mensagem de perdão, amor e compreensão
soa aparentemente absurda para alguém que está
sendo ferido injusta e mortalmente. Tarefa para os divinos,
dirão muitos, uma vez que nós, humanos, não
conseguimos reagir a não ser movidos por nossos instintos.
Decorridos mais de dois mil anos, o que realmente aprendemos
através dessa atitude de Cristo?
Diariamente, os meios de comunicação noticiam
homicídios, assaltos seguidos de espancamento ou de
estupro, seqüestros, etc. Que tratamento dar ao bandido
que rouba e muitas vezes até mata? E o que dizer dos
danos psicológicos causados à vítima,
não tão visíveis, mas sempre tão
profundos? Como reagir com dignidade e humanidade diante de
alguém que, ao cometer tão graves delitos, desce
ao rés do animalesco?
A pena de morte, muitas vezes apontada como solução,
sem dúvida nos remete ao passado, às bases da
lei do olho por olho, dente por dente, ultrapassada,
no mundo cristão, pelos ensinamentos de Jesus. De qualquer
maneira, ainda hoje o ser humano parece não ter outro
modo de reagir em relação à violência
a não ser respondendo com violência igual ou
maior. O que aconteceu, por exemplo, com o Afeganistão
após o atentado ao World Trade Center? Não é
o envio de exércitos no combate ao terrorismo tão
violento quanto o próprio ataque sofrido pelos Estados
Unidos em 11 de setembro? Na verdade, assistimos ao círculo
vicioso do ódio e da agressão crescer, com oprimidos
e opressores se sentindo cada vez mais justificados em seu
rancor profundo.
Não
é, porém, apenas em eventos que envolvem nações
inteiras que essa relação se instala. Nas situações
mais cotidianas e não menos importantes, como crimes,
roubos, discussões familiares e em todo relacionamento
no qual pelo menos uma das partes se ache ofendida, a reação
inicial, que por vezes perdura indefinidamente, é sempre
a raiva e suas conseqüências: a vingança,
o revide, o revanchismo nunca o perdão. A não
ser que perdoar represente, naquela situação,
uma forma sutil de se sair por cima.
Psicologicamente
falando, ao observar duas pessoas discutindo, por exemplo,
não temos idéia do que está em jogo para
cada uma delas. Há uma causa concreta sim, que as levou
à discussão, algo que se considera uma ofensa,
embora nem sempre pareça tão relevante aos olhos
do público. Tola ou não, porém, a discussão
acaba, muitas vezes, adquirindo proporções desastrosas
para ambos, podendo culminar no rompimento da relação
e até num ato de violência.
próxima>>
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O
que há
para se ler
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Por Que Perdoar, Johann Christoph
Arnold, Editora José Olympio.
Perdão Modo de Usar,
Jacques Laffitt, Edições Loyola.
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