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Terapias Holísticas
A Luta Contra a Obesidade - continuação

Luiz Henrique Mendes
A alimentação inadequada está entre as principais causas do distúrbio.

Já Maria pesa 90 kg e mede 1,70 m. Feitos os cálculos, obtemos um IMC de 31 kg/m2, o que indica que essa paciente é obesa, mas não obesa mórbida. Necessita apenas de um tratamento para atingir seu peso padrão e, assim, evitar maiores complicações.

A obesidade mórbida, assim como qualquer outra doença, apresenta sintomas iniciais que podem ser facilmente detectados, como tendência genética à obesidade, maus hábitos alimentares, ingestão compulsiva de alimentos que engordam ou ingestão moderada de comida de lenta metabolização, associado à vida sedentária. Se não forem tratados, esses sintomas evoluirão e apresentarão conseqüências cada vez mais sérias:

a) Complicações endócrinas (diabetes, impotência masculina, distúrbios menstruais, mamas excessivamente volumosas).
b) Complicações respiratórias (falta de ar ao menor esforço, dificuldades respiratórias durante o sono).
c) Complicações cardiovasculares (hipertensão arterial, descompensação cardíaca, aterosclerose, varizes e flebites).
d) Complicações digestivas (cálculos biliares, esteatose do fígado).
e) Complicações osteoarticulares (artroses, desvios na coluna).
Além dos problemas psicológicos, os pacientes sofrem com baixa auto-estima, insegurança, depressão, dificuldades de relacionamento afetivo e sexual, sentimentos de rejeição e discriminação, frustração causada pela constatação de não poder usar qualquer roupa, busca por isolamento – que acaba gerando uma má qualidade de vida – e enfrentamentos de ordem social, como dificuldade para arranjar emprego e ausência de locais adaptados em teatros, cinemas, restaurantes e veículos de transporte coletivos.

Se a obesidade em si já é um problema grave, quanto mais a obesidade mórbida, principalmente quando as pessoas que sofrem desse mal se mostram refratárias a dietas, regimes, terapias. Quando se consegue algum êxito, se o paciente não colaborar na manutenção do tratamento, tudo volta ao estado anterior – o popularmente conhecido efeito sanfona.

A seriedade da questão é tão grande que médicos, pesquisando uma solução para esse problema, perceberam uma possibilidade de tratamento cirúrgico.

Nos anos 70, a técnica consistia em implantar um balão no estômago que, depois de inflado, visava provocar sensação de saciedade. A operação revelou-se perigosa, pois, se houvesse qualquer problema com o instrumento, o intestino ficaria obstruído. Para resolver esse incidente, passou-se a inserir no soro que infla o balão o medicamento azul de metileno. Isso evitava que qualquer contratempo com o balão não fosse notado: a urina do paciente mostrava-se azul e permitia uma intervenção imediata do médico.

Reduzir cirurgicamente o tamanho do estômago por meio de grampos metálicos, uma estratégia usada nos anos 80, também demonstrou ser de alto risco para o paciente, pois os grampos poderiam romper-se.

Atualmente, o Instituto Garrido, que funciona no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e no Instituto Lúcio Rebelo, em Goiás, apresenta uma solução cirúrgica (gastroplastia vertical com bandagem e bypass) que consiste em diminuir o tamanho do estômago, obrigando o obeso a ingerir menos alimentos e conquistar medidas menores. Trata-se de uma cirurgia que apresenta riscos similares aos de qualquer outra operação de grande porte; requer internação de três até cinco dias, dura cerca de duas horas e só deve ser feita sob recomendação médica, após criteriosa avaliação do médico-cirurgião. A propósito, doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto, se presentes no quadro do paciente, devem estar devidamente controladas.

As recomendações pós-operatórias envolvem uma dieta especialmente elaborada para esses casos, a ser rigorosamente seguida para que se evitem náuseas e outros efeitos desconfortáveis. Também é possível que algumas cirurgias plásticas se façam necessárias para retirar o excesso de pele e que cuidados específicos precisem ser tomados contra queda de cabelos, pele ressecada e unhas mais quebradiças.

O custo máximo de R$ 20 mil não pode ser considerado elevado se contabilizarmos os inúmeros benefícios físicos e psicológicos apresentados.

Tabela de Índice de Massa Corpórea [I.M.C]
I.M.C. CONDIÇÃO
20/25 kg Normal
25/30 kg Sobrepeso
30/40 kg Obeso
40/50 kg Obeso Mórbido
Acima de 50 kg Superobeso

 

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