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Terra verde
Ameaça Nuclear nos Mares
Por Claudia Focking
Claudia Focking é gerente de campanhas do Greenpeace Brasil,
organização internacional sem fins lucrativos que luta pela
preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace
pelo telefone 0300-7892510 ou através do site www.greenpeace.org.br
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Greenpeace/Nick Cobing
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plutônio levado pelo navio Pacific Pintail põe em
risco a vida de bilhões de pessoas. |
Dois
navios japoneses vão fazer, até o final de junho,
uma perigosa viagem até os distantes mares bretões
com um carregamento de plutônio suficiente para elaborar
50 bombas nucleares, ameaçando a segurança de
bilhões de pessoas em todo o mundo. Uma das substâncias
mais perigosas já manipuladas pelo homem, com uma meia-vida
de 24 mil anos, o plutônio poderia se dispersar nos
oceanos e costas, envenenando pessoas e contaminando o meio
ambiente, em um acidente ou um ataque terrorista
envolvendo os navios.
Ironicamente, os navios Pacific Pintail e Pacific Teal partiram
do porto inglês de Barrow-in-Furness com destino ao
Japão no dia 26 de abril, a data do 16º aniversário
do acidente nuclear de Chernobyl. Lá, devem embarcar
em junho sua carga letal no porto de Takahama para, depois,
retornar à Inglaterra. Como agravante, seu carregamento
e sua partida coincidem com a Copa do Mundo, quando boa parte
dos efetivos de segurança do Japão deve estar
sobrecarregada com a tarefa de prevenir eventuais ataques
terroristas.
A rota a ser seguida pelos navios está sendo mantida
em segredo. Mas, para seguir do Japão para a Inglaterra,
existem três opções possíveis:
pelo Oceano Pacífico, via Canal do Panamá, Mar
do Caribe e Oceano Atlântico; pelo Oceano Pacífico,
via Mar da Tasmânia, Cabo da Boa Esperança (extremo
sul da África) e Oceano Atlântico; e ainda pelo
Oceano Pacífico, via Cabo Horn, no extremo meridional
da América do Sul, caindo no Oceano Atlântico.
Caso essa última alternativa seja adotada, os navios
bordejarão toda a costa brasileira. Anteriormente,
a costa brasileira já havia sido cuzada por embarcações
transportando cargas nucleares, apesar dos protestos do governo.
Infelizmente, não há justificativa consistente
para esse transporte. Ele só está ocorrendo
devido a uma falsificação praticada pela BNFL
(British Nuclear Fuel Ltd.) nas normas de segurança
internacionais que regulam o traslado desse material. O plutônio,
na forma de MOX (óxido misto de urânio e plutônio),
foi enviado em 1999 pelos britânicos para ser usado
nas usinas nucleares japonesas. No entanto, descobriu-se que
importantes dados de controle de segurança na fabricação
do material haviam sido fraudados. O retorno do material foi
uma exigência dos japoneses para fechar novos negócios
de produção de MOX com a BNFL. Se assinados
os contratos, cerca de cem novos carregamentos de plutônio
poderão cruzar os oceanos nas próximas décadas.
A arrogância e a irresponsabilidade da indústria
nuclear ao realizar essa sinistra viagem é inaceitável,
principalmente após o trágico atentado de 11
de setembro em Nova York, que demonstrou o caráter
destrutivo e inconseqüente a que extremistas podem chegar.
Por isso, o Greenpeace pediu não só às
autoridades, mas também à sociedade civil, que
se mobilizem a fim de impedir mais esse desatino em nome do
lucro de alguns e do prejuízo de outros bilhões
de habitantes do planeta. O Green-peace conta com a participação
de todos nas várias ciberações elaboradas
exclusivamente para esse caso, acessíveis em seu site.
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