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Entrevista
/ SERGIO AMOROSO
A Empresa com Alma Social
Presidente
do Grupo Orsa, conglomerado com importante presença na área
de papel e celulose no Brasil, o paulista Sergio Amoroso não
é reconhecido apenas por sua competência profissional: a Fundação
Orsa, que criou em 1994 para atuar na área social, é um exemplo
para trabalhos nesse segmento.
Por
Eduardo Araia
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Gustavo
Lourenção.
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| Amoroso:
sucesso como empresário e incentivador dos trabalhos sociais. |
Nascido
há 47 anos numa família simples de agricultores
em Birigüi (SP), Sergio Amoroso é hoje o principal
nome do Grupo Orsa, conglomerado paulista surgido em 1981
que controla, entre outras empresas, a Orsa Papel e Celulose
(a terceira maior do País no ranking de papéis
para embalagens e caixas de papelão ondulado) e o Projeto
Jari. Famoso pela capacidade empreendedora duas das
unidades da Orsa Papel e Celulose, falidas quando foram compradas,
são hoje modelo de produtividade , o Grupo estabeleceu
uma de suas marcas mais visíveis em 1994, com a criação
da Fundação Orsa. Sustentada por 1% do faturamento
bruto do conglomerado, a Fundação conseqüência
de um momento-chave no desenvolvimento interior de Amoroso
tem um intenso trabalho social em todos os locais onde
a Orsa está presente.
Essa preocupação com a sociedade e o meio ambiente
foi, a propósito, um elemento crucial na aquisição
do Projeto Jari. Criado pelo bilionário Daniel K. Ludwig
na década de 70, em terras do Pará e do Amapá,
e mergulhado em dívidas, ele foi arrematado em 2000
pelo Grupo Orsa graças a uma proposta que fundia melhoras
na produção a um gigantesco programa social
conduzido pela Fundação Orsa na área.
Na entrevista a seguir, Amoroso fala sobre esse desafio amazônico
e outros momentos marcantes de sua vida.
PLANETA
Sua empresa obteve um fantástico crescimento
desde a fundação, em 1981.
Sergio Cresceu aproveitando momentos de
mercado e usando estratégias que, até agora,
funcionaram... O grande salto que criou a base de um crescimento
mais sustentado foi a definição, entre 1985
e 1986, de colocar equipamentos japoneses que ofereciam um
trabalho inexistente no mercado de então. Na época,
as empresas do setor estavam em berço esplêndido
o cliente precisava se adaptar à programação
dos distribuidores, de alguns deles tinha de comprar com 30,
35 dias de antecedência. Como éramos pequenos
e queríamos ganhar espaço, buscamos as lacunas,
as possibilidades. Viajei para o exterior a fim de ver equipamentos,
e quando cheguei ao Japão fiquei encantado com o modelo
de atendimento ao cliente desenvolvido ali, com horário
para entrega. Pensei: no Brasil, principalmente com inflação
alta, imagine a redução de custo que isso traz
para o cliente. Reduzia-se o estoque de 35 dias para 5 dias...
Então, trouxemos essa máquina e ganhamos espaço.
Hoje, a empresa é a terceira no mercado nacional de
embalagens, tem um padrão de qualidade mundial em termos
de tecnologia e continua prestando serviços de forma
eficiente. São decisões tomadas em certos momentos
que muitas vezes fazem a diferença por um bom tempo.
PLANETA Em 1992, vocês compraram uma unidade
industrial de papel reciclado em Paulínia (SP)...
Sergio Em 1990, compramos uma unidade de papel
kraftliner, e dois anos depois, a de papel reciclado. As duas
empresas estavam em estado terminal quando foram adquiridas.
O segmento de embalagens, pela tendência mundial que
a gente via, demonstrava preocupação com o reaproveitamento.
Compramos essa fábrica, que era muito pequena
produzia 35 toneladas/dia, enquanto hoje faz 400 toneladas/dia
, por ficar numa região privilegiada em termos
de matérias-primas recicláveis: está
em Paulínia, do lado de Campinas e a 100 quilômetros
de São Paulo, ou seja, do lado dos grandes centros
consumidores.
O problema de reciclagem é o custo, principalmente
de logística. Todos têm preocupação
com o meio ambiente, mas quando pega no custo... Você
tem concorrentes, tem de ficar vivo o mercado não
perdoa. Eu tenho de ter as preocupações com
o meio ambiente, de conduzir uma empresa ecologicamente responsável,
mas tenho de olhar o custo. É lógico que outras
empresas não têm muitos dos custos que nós
temos elas não se preocupam, por exemplo, em
tratar a água para devolvê-la limpa ao meio ambiente;
mas nós absorvemos esses custos, porque achamos que
não dá para fazer diferente. E sabemos que o
mercado vai cobrar um preço alto de quem não
se preparar para isso.
próxima>>
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