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Frans Krajcberg
O Construtor de Consciências
Aos
82 anos, o escultor Frans Krajcberg continua criando beleza
a partir de troncos e raízes calcinadas, numa vigorosa mensagem
contra a destruição do meio ambiente.
Por
Marília Rodela Oliveira
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Divulgação
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| Habitante
da Fazenda Monte Alegre, onde está o centro em
homenagem a Krajcberg: as riquezas naturais do lugar
ajudaram o artista a dar um sentido ao seu trabalho. |
No
dia em que emprestou seu nome ao Centro de Interpretação
da Fazenda Monte Alegre uma homenagem do Grupo Klabin
à obra do ilustre ex-funcionário , o pintor
e escultor Frans Krajcberg parecia feliz. O centro, localizado
em Telêmaco Borba (PR) e inaugurado por ocasião
da Eco 92, é utilizado para desenvolver atividades
de educação ambiental promovidas pela empresa.
Com olhar maroto, Krajcberg ouvia atento os comentários
de sua luta em favor da defesa ambiental, uma bandeira que
abraçou depois de assistir às queimadas das
araucárias do Paraná para a indústria
de papel, quando trabalhava na mesma fazenda dos Klabin. O
respeito mútuo entre Krajcberg e seus patrões
cresceu durante aquele período. Aqui senti-me
em casa, como se fosse da família, falou com
sua voz firme, emoldurada por um forte sotaque, depois que
os cerca de 40 minutos de justos elogios acabaram.
Debaixo de uma tenda branca armada para convidados e jornalistas,
sob um calor intenso, Krajcberg esbanjava vigor aos 82 anos,
deixando um sorriso escapar vez ou outra por baixo da barba
branca. Fico alegre de ver, depois de 50 anos, que essa
empresa está preparada para o século 21, replantando
árvores, preocupada com o futuro. Porque já
cheguei a chorar quando vi o massacre delas no Acre,
frisou.
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Divulgação |
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| O
escultor: militância pró-meio ambiente via arte. |
Para
esse polonês de nascença que se radicou no Brasil
e naturalizou-se, adotando de coração a nova
pátria, trabalhar para a Indústria de Papel
Klabin foi um renascer, um bálsamo para a ferida aberta
que lhe tirou a confiança no homem. De família
judaica, Krajcberg teve contato com os horrores da Segunda
Guerra Mundial ainda bem jovem, quando voltou para casa um
dia e descobriu que seu pai, mãe e quatro irmãos,
haviam sido levados pelos nazistas para um campo de concentração.
Fugir do conflito era impossível; então, vestiu
uma farda de oficial e lutou nas trincheiras russas contra
os alemães. Os conhecimentos aprendidos na escola de
engenharia foram utilizados para construir pontes feitas sob
o comando de estrategistas militares. No histórico
dia em que Berlim foi tomada pelo exército russo, ele
foi um dos perfilados a entrar na primeira rua ocupada.
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Divulgação |
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| Esculturas
com restos de vegetais: testemunho da revolta contra
o ser humano. |
Com
o término da guerra, Krajcberg desistiu da carreira
de engenheiro e decidiu pintar. Aos 20 anos, conheceu vários
artistas perseguidos por Hitler. Entre eles, Willy Baumeister,
professor da revolucionária Bauhaus, que aconselhou
o jovem a sair da Alemanha. Com uma carta do mestre, Krajcberg
procurou Fernand Léger em Paris, que o inseriu no agitado
meio dos artistas. Sempre calado e distante, o rapaz batalhou
para sobreviver na capital francesa. A fim de ajudá-lo,
o pintor bielo-russo Marc Chagall chegou a comprar uma de
suas pinturas e o convidou a passar uma temporada de quatro
meses em sua casa.
Sem
dinheiro nem laços que o prendessem à França,
Krajcberg decidiu tomar um navio para Santos. Aportou sem
falar uma palavra em português e dirigiu-se a São
Paulo; na cidade, uma funcionária do Museu de Arte
de São Paulo (Masp), fluente em alemão, ouviu
o imigrante na rua e ajudou-o a obter uma vaga de encarregado
da manutenção, durante os preparativos da Bienal
de 51. Enquanto montava as instalações, inscreveu
cinco de suas pinturas para a mostra, todas aceitas pela curadoria.
Isso facilitou ao desconhecido pintor colaborar em pinturas
de azulejos para painéis de Cândido Portinari.
próxima>>
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