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DA REDAÇÃO

Da Redação
Sacrifício para a paz

Sipa-Press
Destruição na Palestina: a cruel engrenagem da vingança em andamento.

Dar a outra face após uma agressão, como propôs Jesus, é, para muitos, um conceito tocante na teoria, mas inadmissível na prática. “Como obter o respeito do rival baixando a própria guarda?”, devem pensar essas pessoas. Em vários casos, elas têm certamente razão. Em outras situações, porém, a idéia bíblica não só faz sentido como parece ser a única solução para o impasse.

Dois exemplos recentes, ambos ligados a diferenças territoriais, religiosas e ao uso do terrorismo, podem ser analisados por esse prisma. Um deles é o do Exército Republicano Irlandês (IRA), que, depois de décadas de ações violentas, integra o processo de paz na Irlanda do Norte. O advento da União Européia, da qual Irlanda e Grã-Bretanha fazem parte, tornou de certo modo anacrônica a disputa entre católicos e protestantes, e os mais conscientes dessa nova realidade dialogaram e chegaram a um acordo. Uma minoria do IRA não aceitou depor as armas e continua em atividade, mas já não tem o apoio que teria décadas atrás. A maioria de ambos os lados quer paz, e esses extremistas tendem a ficar cada vez mais isolados.

O outro caso, esse estagnado na violência, opõe israelenses e palestinos. Ali se vive a cruel engrenagem da vingança, em que cada ataque é motivo para um contra-ataque, cada morte é motivo para outra morte no lado inimigo. É impossível para Israel conter os anseios palestinos por sua pátria; é impossível jogar os israelenses no mar, como pensavam muitos palestinos e vários vizinhos árabes. Cabe-lhes então sentar e dialogar – mas aí vem um ataque de um dos lados e o ritual da vendetta recomeça.

Em termos neurolingüísticos, dar a outra face, nesses casos, significa romper a comunicação pela violência, negar aos extremistas a força que adquirem quando a linguagem adotada é a proposta por eles. Numa região conflagrada como a Palestina, onde gerações estão sendo criadas no ódio aos vizinhos, uma atitude como essa não estancaria de imediato as mortes, e muitas famílias dos dois lados ainda chorariam perdas. Mas vale perguntar: o atual estado de coisas não provoca muito mais mortes?

 


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