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Sabedoria Transcendental
O Mundo real da magia
Presente
na vida do homem desde eras primitivas, a magia continua a
integrar o nosso psiquismo profundo e a nos ligar ao mundo
transcendental.
Por
Paulo Urban
Paulo Urban é médico psiquiatra e trabalha com a psicoterapia
do encantamento. E-mail:
paulourban@ig.com.br
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Rogério Borges
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A
verdade é que a magia sempre existiu. Não há
dúvidas de que, no passado longínquo, o pensamento
mágico era o único elo capaz de explicar o mundo
e seus fenômenos aos nossos antepassados pré-históricos.
Primeira operação da mente humana, o pensamento
mágico é o alicerce de todas as religiões
e civilizações emergentes, que, por sua vez,
desenvolveram suas artes e ciências. Estas últimas
são hoje capazes de proceder maravilhas cada vez mais
próximas do ato mágico da Criação.
Afinal, estamos à porta de decifrar o mistério
do código genético, de descerrar o véu
sagrado do proteoma. A cobra está prestes a morder
o próprio rabo, sinal de eminente sincronicidade. Que
fenômenos sincronísticos serão desencadeados
quando a volta do primeiro ciclo estiver completa? Estaríamos
próximos de um novo salto evolutivo ampliando o psiquismo
do planeta?
Eis o paradoxo: a humanidade, dependente de sua sofisticada
tecnologia, nunca se viu tão centrada em seu renascido
interesse pela magia. Talvez o faça por instinto de
sobrevivência, já que o prenúncio do oroboro
sempre põe em xeque nossos valores mais profundos.
Ademais, o fim da magia seria o fim da própria humanidade.
Nenhuma cultura sobrevive sem ela; seu desaparecimento seria
a dissolução do mais arcaico modo de pensar.
O primeiro livro de magia conhecido é a epopéia
mítica de Gilgamesh, que remonta à época
dos sumérios, há mais de 5 mil anos, conforme
nos atestam as 12 tabuinhas de barro gravadas por escrita
cuneiforme, pertencentes à fabulosa biblioteca do rei
assírio Assurbanípal, que viveu no séc.
7 a.C., encontradas em escavações arqueológicas
em meados do século 19.
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Christiane S. Messias |
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| O
pensamento mágico, primeira operação da mente humana,
forneceu a base para todas as religiões. |
A
magia, porém, rompeu aurora muito antes da escrita.
Pensamento e linguagem são totalmente permeados por
magia; até mesmo o psicanalista Jacques Lacan (1901-1980)
admitiu isso. O homem pré-histórico percebia
em seu mundo uma fusão incompreensível de fenômenos
sonoros atrelados às suas imagens. Ele via
sons no correr do regato, no balançar das árvores,
no andar dos bichos, no ribombar das tempestades, nos golpes
de luta, no rolar das pedras; todas essas entidades estavam
tão vivas quanto ele próprio. A partir desse
universo acústico, uma série de símbolos
sonoros pôde ser criada na tentativa de reproduzir os
eventos naturais, o que fez surgir a linguagem. A antropologia
e a semiótica esclarecem: os nomes dados às
coisas pelos homens pré-históricos revelavam-nas
em si; declaravam seu verdadeiro som, seu modo
de ser, conforme a natureza era percebida.
O homem pôde diferenciar-se do ambiente à sua
volta por meio da linguagem; ao nomear as coisas tornou real
sua inserção no mundo, passando a explorá-lo,
a partir da porta da caverna, cada vez com mais amplos horizontes.
A formação de conceitos simbólicos é
sempre um ato criativo em sua concepção.
A
linguagem, paradoxalmente, tanto expressa a consciência
humana como dá conta de seus limites, já que
sabemos existir experiências transcendentais que, a
despeito do avanço das ciências, permanecem inatingíveis
pela simples razão. Para o homem pré-histórico,
dado o seu estado natural de ignorância lógica,
tudo tinha esse caráter mágico inefável.
Conforme aprendia a criar símbolos, melhor dava conta
de suas necessidades. E deflagrou-se aí o estopim revolucionário
do pensamento humano, a conferir a toda humanidade uma identidade
comum, lançando as bases das civilizações.
Desde que o primeiro rasgo de pensamento se desprendeu da
fonte de inconsciência de si mesmo em que estava imerso
o que em termos bíblicos corresponde à
expulsão de Adão e Eva do Paraíso ,
uma fenda atemporal foi aberta pela espada flamejante do arcanjo
Miguel, que escoltou o casal até a saída, e
nela se prendeu o elo primordial da magia. Onde mesmo
se prendeu a magia?, pergunta-se o leitor reflexivo.
Na fenda do tempo, na espada do arcanjo ou na saída
do Éden? E, como não sabemos precisar,
apenas brincamos com as palavras, supomos que o elo original
está preso à nossa própria capacidade
de reflexão, ampliada pelo universo lúdico e
criador da linguagem. Quero dizer com isso que o Verbo da
Criação é mágico em sua natureza;
mais que isso, ele é divino.
próxima>>
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