| |
Espiritualidade X Dependência química
Como Vencer as Drogas
Considerada
hoje uma doença incurável, a dependência de álcool
e drogas só pode ser controlada, geralmente, a partir do momento
em que o indivíduo admite o vício, toma consciência do estrago
que
ele está fazendo em sua vida e decide buscar ajuda em grupos
de apoio,
como os Alcoólicos e os Narcóticos Anônimos.
Por
Vera Lúcia Franco
(Contatos com Vera Lúcia Franco podem ser feitos pelo telefone
(11) 5549-4742 ou pelo e-mail vluciafranco@terra.com.br)
|
David Filmer/Sipa-Press
|
 |
As
drogas sempre estiveram presentes na história da
humanidade. Há indícios do uso de plantas alucinógenas
em vários cultos pagãos, como no xamanismo,
prática que tem entre 10 e 15 mil anos e busca, através
do transe, viajar ao mundo dos espíritos e de seus
ancestrais. O álcool, por sua vez, era originalmente
extraído dos sucos de frutas fermentadas, já
existindo referência ao seu uso a partir do período
neolítico, cerca de 10.000 a 8.000 a.C. O culto a Dionísio,
deus do vinho entre os gregos, esteve presente em diversas
culturas e lendas indo-européias, nas quais assimilou
divindades locais e assumiu diferentes nomes.
Ao que tudo indica, a relação de dependência
e vício entre homem e plantas teve origem na descoberta,
por parte de nossos ancestrais, de que a auto-administração
de certas espécies poderiam diminuir a dor, curar doenças,
possibilitar maior energia, aguçar atividades cognitivas
e proporcionar mais sensibilidade. E, a partir do momento
em que o homem começou a dominar tecnologicamente a
vida, passou a produzir drogas cada vez mais potentes e escravizantes,
como pôde experimentar o século 19 através
da espantosa variedade de drogas e estimulantes obtidos com
a exploração de novas terras. São exemplos
disso o ópio, o tabaco, que foi disseminado em todas
as classes sociais, e o álcool destilado, que passou
a ser produzido e utilizado em quantidades cada vez maiores.
Foi, porém, no século 20 que se fez, realmente,
sentir o impacto da disseminação do uso das
drogas.
De acordo com os efeitos psicoativos buscados pelo
homem, as drogas podem se dividir em pelo menos três
grupos:
1 - Drogas mágicas Capazes de
proporcionar formas especiais de embriaguez, caracterizadas
por estados de onirismo e êxtase, acarretando novas
experiências dos órgãos dos sentidos e
do corpo, alucinações, ilusões, estados
de despersonalização e desrealização,
viagens fora do tempo e espaço com extinção
da realidade cotidiana. Estão aqui incluídos:
|
Martinez
|
 |
| No
xamanismo, as plantas alucinógenas são utilizadas
para se entrar em contato com o mundo dos espíritos. |
O LSD, ou ácido lisérgico, sintetizado
em 1938. Inicialmente foi utilizado no campo experimental
psiquiátrico. De fácil fabricação
e custo moderado, foi muito utilizado na década de
60 por conta de seus grandes efeitos em pequenas doses e por
um culto quase místico de alguns grupos. Causou muita
polêmica a música Lucy in the Sky With Diamonds,
dos Beatles, uma vez que suas iniciais sugeriam a droga.
A Cannabis sativa, os derivados do cânhamo-índio,
cujas folhas, talos e resina secretada são utilizados
de várias maneiras na preparação de tabaco,
fumado na forma de cigarros, conhecidos como baseados. Aos
preparados das folhas e flores se dá o nome, no Brasil,
de maconha (a marijuana de mexicanos e americanos); os preparados
à base de resina são denominados haxixe.
Essas drogas causam transtornos vegetativos, neurológicos,
sensações de euforia e felicidade, de excitação,
perda da noção de tempo e espaço, alucinações
e maior sensibilidade dos órgãos dos sentidos.
2 - Drogas psicoestimulantes Proporcionam
uma diminuição da fadiga, um acréscimo
de energia e de atividade, uma excitação eufórica.
São elas as anfetaminas, os derivados da coca, etc.
3 - Drogas diminuidoras de estados de tensão e de
sofrimento Ocasionam sossego ou um grau de euforia
variável. Incluem-se aqui a morfina, o ópio
e seus sucessores sintéticos (como a heroína),
os hipnóticos barbitúricos e não-barbitúricos,
os analgésicos, os tranqüilizantes e o álcool.
próxima>>
|
|
|