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DA REDAÇÃO

Da Redação
A Ânsia de Plenitude

Modesto Wielewicki
Alcir R. da Silva
Dependência química: doença que pode ser controlada com a ajuda de grupos de apoio.

A dependência química, com certeza, é um dos mais sérios problemas do mundo moderno. O álcool e as drogas são motivo da desestruturação psíquica de famílias inteiras, de separações, de desastres, crimes, violência física e mortes precoces. O viciado bebe ou droga-se para esquecer as dores da alma, para criar coragem, perder a timidez, adquirir autoconfiança ou aplacar uma insuportável insatisfação diante da vida. Está doente – e aqui a palavra acha-se em seu sentido literal –, mas, na maioria das vezes, nem ele nem a família sabem disso.

Hoje, de fato, a dependência química é encarada pela medicina como uma doença sem cura, mas que pode ser perfeitamente controlada. Para tanto, porém, será preciso que o dependente adquira consciência do seu problema e admita sua impotência diante do vício – em geral, ele acredita que pode parar no momento em que quiser, o que é uma grande ilusão. O próximo passo é procurar ajuda psicológica e apoio em grupos como os Alcoólicos e os Narcóticos Anônimos.

Eu própria acompanhei a luta de alguém muito próximo e querido para parar de beber e não tenho dúvidas de que esse é o remédio mais seguro para o controle do vício, talvez o único. Depois de um longo histórico de alcoolismo e de passar cerca de 15 anos sem colocar uma gota de álcool na boca, certa de que estava curada e já podia controlar o álcool, essa pessoa recomeçou a beber. Nos anos seguintes, contando apenas com a ajuda da família e à custa de grande sofrimento, mil vezes parou de beber e mil e uma voltou a fazê-lo. Só depois de buscar ajuda especializada, passar a freqüentar o A.A. e dar um rumo para a sua vida espiritual é que conseguiu controlar a doença.

Possivelmente, todo viciado traz no inconsciente o que Christina Grof chamou de Sede de Plenitude (título de seu livro sobre alcoolismo). O mesmo sentimento Jung explicou, décadas atrás, como a “sede espiritual do nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval pela união com Deus” (veja artigo). Esse conceito serviu de base para o programa dos Alcóolicos Anônimos e dos outros grupos de apoio aos viciados, que têm ajudado a salvar milhões de vidas no mundo inteiro.

O caminho de recuperação do dependente químico é, de fato, complexo e difícil. Levá-lo adiante requer, sobretudo, muita determinação e fé. No entanto, ao percorrê-lo, ele certamente sentirá, aos poucos, o prazer inigualável de resgatar a própria alma.

Fátima Afonso, redatora-chefe


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