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Histórias que iluminam
A Sabedoria Zen

Publicamos, a seguir, algumas histórias da tradição zen-budista que mostram experiências de instrutores zen que viveram na China e no Japão. Cada uma delas traz importantes lições para o nosso desenvolvimento interior. Por Paul Reps

(Estes
textos foram retirados do livro Histórias Zen, compiladas por Paul Reps, da Editora Teosófica.)

Pintura chinesa, séc. 10-13

Se Você Ama, Ame Abertamente
Vinte monges e uma monja, cujo nome era Eshun, estavam praticando meditação com um certo mestre zen.

Eshun era muito bonita, embora sua cabeça estivesse raspada e sua vestimenta fosse simples. Vários monges apaixonaram-se secretamente por ela. Um deles escreveu a ela uma carta de amor, insistindo em um encontro reservado.

Eshun não respondeu. No dia seguinte, o mestre deu uma palestra para o grupo, e quando a palestra terminou Eshun levantou-se. Dirigindo-se àquele que tinha lhe escrito, ela disse: “Se você realmente me ama tanto, venha e me abrace agora.”

A Lua Não Pode Ser Roubada
Ryokan, um mestre zen, vivia o tipo mais simples possível de vida em uma pequena cabana no sopé de uma montanha. Uma noite, um ladrão visitou a cabana e surpreendeu-se ao descobrir que não havia nada nela para ser roubado.

Ryokan voltou e o pegou. “Você provavelmente veio de longe para me visitar”, disse ele ao gatuno, “e você não deve voltar com as mãos vazias. Por favor, tome minhas roupas como um presente”.

O ladrão ficou completamente desnorteado. Ele pegou as roupas e escapuliu.

Ryokan sentou-se nu, observando a Lua. “Pobre rapaz”, ele pensou, “eu gostaria de poder ter dado a ele essa bela Lua.”

Estrada Lamacenta
Tanzan e Ekido estavam uma vez viajando juntos por uma estrada lamacenta. Uma chuva forte caía persistentemente.

Numa das curvas da estrada, eles encontraram uma moça adorável, vestida com um quimono de seda e com uma faixa, que não conseguia atravessar o cruzamento.

“Venha cá, menina”, disse Tanzan imediatamente. Levantando-a em seus braços, ele carregou a moça através da lama.

Ekido não falou mais nada até aquela noite em que eles chegaram a um templo com pousada. Ele então não pôde mais se conter. “Nós, monges, não nos aproximamos de mulheres”, disse ele a Tanzan, “sobretudo não das jovens e graciosas. É perigoso. Por que você fez aquilo?”

“Eu deixei aquela menina lá”, disse Tanzan. “Você ainda a está carregando?”

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