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Roteiros fantásticos
Os Fantasmas da Grã-Bretanha
Demonstrando um interesse fora do comum por histórias de fantasmas,
os britânicos criaram até roteiros turísticos voltados para
visitas a lugares mal-assombrados. Nas páginas a seguir, mostramos
alguns dos locais mais famosos.
Por
Júlio César Borges
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Musée Carnavalet
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Histórias
de fantasmas são comuns a todos os povos do mundo,
mas nenhum demonstrou tanto interesse pelo assunto como os
britânicos. Com suas incontáveis lendas sobre
espectros que assombram famílias por gerações,
lugares e castelos mal-assombrados, as ilhas britânicas
tornaram esse assunto uma tradição local tão
forte quanto a monarquia ou o chá das cinco. Os fantasmas
estão de tal forma incorporados à cultura inglesa
que suas irrupções em peças de Shakespeare,
como Macbeth ou Hamlet, não causam estranheza a ninguém.
É
difícil precisar os motivos que associam tão
intimamente a Grã-Bretanha às aparições.
A herança cultural deixada por antigos ocupantes, como
os celtas (para quem a existência de um mundo pós-morte
era ponto pacífico), e a ampla tradição
em magia podem ajudar a explicar. Já no século
19, quando o Ocidente respirava o cartesianismo a plenos pulmões,
os britânicos eram os principais adeptos do espiritualismo,
e o surgimento em Londres da Sociedade de Pesquisas Psíquicas
(SPR) que incluía entre seus membros alguns
nomes proeminentes do meio acadêmico da época,
como o professor de letras clássicas Frederic Myers
e os físicos sir Oliver Lodge e sir William Barrett
permitiu alguns dos mais importantes estudos de caráter
científico sobre o tema. Dois livros escritos por membros
da SPR a respeito das aparições Fantasmas
dos Vivos e Censo de Alucinações
são obrigatórios para quem deseja estudá-las.
As ilhas são tão ricas em redutos de fantasmas
que ensejaram até mesmo excursões turísticas
voltadas especificamente para visitar lugares como esses.
Veja a seguir um pequeno roteiro com dez dos locais assombrados
mais famosos da Grã-Bretanha:
Torre de Londres Uma das maiores atrações
da capital inglesa, a Torre de Londres é considerada
um ponto de parada obrigatório quando o assunto envolve
fantasmas. Tal informação não surpreende,
dado o número de mortes que ocorreram ali. A Torre
na verdade, um conjunto de torres, pátios, muralhas,
casas e outras edificações espalhados por 7
hectares começou a ser construído no
século 11, por Guilherme, o Conquistador, num local
às margens do Tâmisa que abrigara uma fortaleza
romana. Passando por sucessivas melhorias e remodelações,
a Torre deixou de ser a moradia real no século 16,
quando se tornou uma prisão estatal e sede de órgãos
governamentais. A extinção dessas funções
transformou o complexo de construções num reduto
turístico, que abriga as jóias da Coroa britânica.
Entre as inúmeras assombrações que já
foram vistas nas dependências do complexo, boa parte
é de nobres executados ali. O fantasma do rei Henrique
VI, por exemplo, assassinado a mando de Eduardo IV enquanto
rezava na capela da Torre Wakefield, surge ali ocasionalmente
em posição de prece. O rei Eduardo V, de 12
anos, e seu irmão mais novo, o príncipe Ricardo
depostos por seu tio e tutor, que assumiu o trono como
Ricardo III , foram aprisionados na Torre, onde, segundo
se conta, o tio os matou. Seus espectros são vistos
vagando de mãos dadas em numerosos pontos das edificações.
O duque de Monmouth, filho bastardo de Carlos II e a quem
os protestantes tentaram fazer sucessor de seu pai, contra
o legalista católico Jaime II, foi decapitado ali,
e sua aparição, em trajes de cavaleiro, já
foi vista movimentando-se entre as Torres Beauchamp e do Sino.
Sir Walter Raleigh, o favorito de Elizabeth I, passou duas
temporadas na Torre, antes de ser encarcerado por Jaime I
para morrer decapitado, em 1618. Seu fantasma, diz-se, pode
ser visto em noites de luar andando ao longo de uma das muralhas
próximas aos seus apartamentos na Torre Sangrenta
um percurso oportunamente conhecido como Passeio de Raleigh.
Já
com 70 anos, Margaret Pole, condessa de Salisbury e última
representante da família real Plantageneta (substituída
pelos Tudor de Henrique VIII), foi condenada pelo rei à
decapitação, mas negou-se a curvar-se no cepo.
Ela fugiu e o carrasco teve de persegui-la pela Torre Green,
onde a matou a machadadas. Toda essa cena seria vista a cada
dia 27 de maio, aniversário do triste episódio.
Ana Bolena, a segunda esposa de Henrique VIII e caída
em desgraça por não ter dado um filho homem
ao rei, foi morta por um espadachim na Torre Green, e desde
então seu fantasma, com e sem cabeça, seria
visto em vários locais da Torre. Ela inclusive lideraria
uma procissão de damas e cavalheiros espectrais que
vagueiam pelas edificações.
Após a morte de Henrique VIII, seu filho, o pequeno
Eduardo VI, tinha uma saúde tão frágil
que era fácil imaginar uma guerra pelo poder quando
ele falecesse. O duque de Northumberland, John Dudley, fez
a sua aposta casando o filho, Guilford, com lady Jane Grey,
sobrinha-neta de Henrique VIII. Jane foi rainha por duas semanas,
mas, como o povo reconheceu a filha de Henrique, Maria, como
a herdeira do trono, Guilford e sua esposa foram presos na
Torre e decapitados. Guilford já foi visto sentado
à janela da Torre Beauchamp, chorando, tal qual ele
fizera antes de ser morto. Executada na Torre Green, Jane
Grey apareceu como fantasma para um guarda da Torre em 1957.
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