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Entrevista
A Busca da Cura espiritual

Pedagoga especializada em psicologia social, Cleide Martins Canhadas obteve um mestrado em ciência da religião defendendo, na PUC-SP, uma tese sobre cura espiritual. Na entrevista a seguir, ela mostra o resultado das suas pesquisas.

Por Fátima Afonso

Sophia Pedro

PLANETA – No final do ano passado, você publicou o livro A Eterna Busca da Cura (Boa Nova Editora), o qual teve como base uma tese que defendeu na PUC-SP, em 1999. O que a levou a estudar esse tema?
Cleide – Foi uma questão pessoal. Eu tive um tumor renal que foi considerado maligno e, por causa disso, perdi o rim esquerdo. Quando o médico me deu o diagnóstico e me disse que o tumor tinha dois anos, eu imediatamente o relacionei a uma situação de estresse emocional forte que havia vivido. Diante desse fato, eu me perguntei como a gente pode causar isso ao próprio organismo e resolvi procurar uma terapia. Eu já era espírita há muitos anos e achei que só poderia ser ajudada por alguém que compreendesse o espiritismo. Procurei, então, a terapeuta Julika Kiskos, que eu já tinha visto dando palestras, e comecei uma terapia com ela. A Julika recomendou que eu lesse um livro do doutor Lawrence Le Shan, O Câncer Como Ponto de Mutação (Summus Editorial), o qual realmente transformou a minha compreensão da doença. Eu entendi por que aquilo tinha acontecido comigo e o que ocorria com as pessoas, de modo geral, em termos de doenças psicossomáticas. Como na PUC eu tinha conhecimento do programa ciências da religião, eu pensei: “Está aí uma questão que deve ser estudada de uma forma mais disciplinada, sem que isso seja visto como fantástico, maravilhoso, mas que se entenda o que está por trás de um acontecimento como esse.” Ao mesmo tempo, eu comecei a freqüentar o Grupo Noel. E, tanto lá como em outros locais, eu já percebia que muitas pessoas buscavam ajuda para seus problemas de saúde nos centros espíritas.

PLANETA – Isso refletiria uma falta de confiança na medicina moderna?
Cleide – Essa era a minha indagação. Com uma tecnologia tão avançada, será que a medicina não consegue fazer um diagnóstico do problema da pessoa? Então, na tentativa de entender isso, fui fazendo questionários para os freqüentadores do Grupo Noel. Mas percebi que os diagnósticos são perfeitos, os médicos são capazes de diagnosticar com muito acerto os problemas de saúde. A dificuldade está no tratamento, na forma como eles encaram a doença. A maioria, pelo menos, ainda a vê como uma questão meramente física e fisiológica, tratando não do doente, mas da doença, desconectada da história de vida da pessoa. Esse sistema é que não dá mais conta. Eu percebi que as pessoas buscavam muito mais do que um alívio para sua dor de cabeça; elas queriam entender o porquê daquela dor, queriam saber o que estava acontecendo com elas. Assim, fui descobrindo, lendo Jung...

PLANETA – Você chegou a fazer psicologia?
Cleide – Eu sou pedagoga e fiz pós-graduação em psicologia social. Sempre gostei da psicologia de grupo e tive a chance de conhecer Pichon Rivieri, um psicanalista argentino que tratava muito de grupos operativos e via a doença como bode expiatório. Segundo ele, uma doença aparece na família como expressão do problema do grupo. Assim, uma pessoa doente não pode ser tratada isoladamente de suas questões familiares, porque expressa algo que não vai bem. Isso eu fui associando a Jung, aos trabalhos do dr. Le Shan, que por mais de 40 anos fez pesquisas com doentes terminais... Ele foi identificando que a maioria dos casos de câncer, 78%, tinha início a partir de uma questão emocional de forte estresse. Para a maioria das mulheres, isso ocorre a partir de uma perda afetiva, do companheiro, ou dos filhos que crescem, vão embora e não precisam mais da mãe. Para o homem, o câncer está associado à perda de potência – perda do emprego, da capacidade sexual. Em geral, o câncer de próstata está ligado à época da aposentadoria.
Ao mesmo tempo, eu me perguntava por que os centros espíritas, as igrejas, mesmo as evangélicas e as carismáticas, apresentam uma forte procura. Eu fui, então, buscar ajuda em ciências da religião. Se é a religião que de alguma forma ajuda o homem nessa situação, o que ela oferece? Segundo Henrique Vaz, filósofo e teólogo católico, a religião dá um sentido para a sua existência. Na medida em que redescobre esse sentido, que tem uma explicação, mesmo momentânea, a pessoa se prende a alguma coisa e readquire esperança.

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Serviço

Contatos com Cleide Martins Canhadas podem ser feitos pelo e-mail cleidemc@uol.com.br Grupo Noel: R. Domingos de Moraes, 1.905, São Paulo, SP, fone (11) 5571-1014.

       


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