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30 Anos de PLANETA
A Incansável Elsie
Há quase 30 anos, Elsie Dubugras – jornalista, pintora e estudiosa
dos fenômenos paranormais – dedica sua vida ao fantástico
mundo de PLANETA.
Por
Eduardo Araia
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André
Dusek
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Quantas
pessoas você, leitor, conhece que fazem questão
de trabalhar aos 98 anos? Pois é esta a idade de Elsie
Dubugras completada no dia 2 de março, para
ser mais exato , a editora especial de PLANETA e talvez
a figura mais emblemática destes 30 anos da revista
no Brasil.
Certo, hoje Elsie já não é a mesma de,
digamos, 15 anos atrás. Os olhos, enfraquecidos por
décadas e décadas de uso incessante (incluindo
os anos de internato em que lia escondida à noite,
sob a luz de uma vela), exigem uma poderosa lupa para as leituras;
as costas encurvaram-se e o andar ficou bem mais lento; a
memória por vezes falha. Esses percalços, porém,
não são suficientes para interromper a ânsia
de atividade de Elsie. Como ela mesma diz, só vai parar
de trabalhar quando partir desta encarnação.
Nossa jornalista sênior teve três fases na vida,
muito diferentes, mas curiosamente complementares em relação
ao que viria a fazer em PLANETA. A infância e adolescência,
passadas em sua maior parte na Inglaterra embora ela
tenha nascido em São Paulo , foram dominadas
pela educação rígida em internato, na
qual já despontavam o interesse por letras e artes
e o desinteresse pelas religiões instituídas
(Elsie foi batizada a contragosto na Igreja anglicana, em
1907, e esqueceu-se de fazer a primeira comunhão).
Na segunda fase, iniciada no fim dos anos 20, as dificuldades
derivadas de um casamento com filhos e um orçamento
sempre apertado levaram-na a descobrir a religiosidade
que, sem vínculos com as crenças ocidentais
tradicionais, levou-a a um périplo por outras vertentes,
como o budismo, a rosacruz, o sufismo, a seicho-no-iê,
a bahai e o espiritismo. Foi nessa época também
que nasceu a Elsie pintora, vencedora inclusive de prêmios
em competições.
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Arquivo
Elsie Dubugras
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| Elsie
Dubugras aos 20 anos: gosto pelas letras e artes e
desinteresse pelas religiões instituídas. |
A
terceira e última fase começou em 1971, quando
ela, já viúva, aposentou-se do cargo de secretária
executiva da Pan American (empresa que lhe permitira visitar
boa parte do mundo e conhecer povos e culturas diversos).
Elsie descobriu então que ficar parada fazia mal à
sua saúde. Agüentou apenas três dias de
ócio; depois, a comichão pelo trabalho a levou
a escrever artigos para jornais estrangeiros sobre temas ligados
ao espiritualismo e ao espiritismo. Em seguida, a Folha Espírita
e o Jornal Espírita começaram a publicar textos
seus.
Elsie foi a primeira jornalista brasileira a abordar as vozes
de espíritos em gravadores e foi exatamente
o artigo que escreveu sobre o assunto que lhe serviu de senha
de entrada em PLANETA. Essa estréia ocorreu
no número 18, de fevereiro de 1973.
A revista, então sob o comando de Ignácio de
Loyola Brandão, publicava basicamente material extraído
dos arquivos da memorável Planète, fundada em
Paris por Louis Pauwels e Jacques Bergier, e o aproveitamento
de articulistas brasileiros era raro, tanto pela excelência
dos textos franceses quanto pela falta de pessoal especializado
por aqui. Elsie oferecia a Loyola um coquetel de difícil
rejeição: uma jornalista trilíngüe
(fora o inglês, ela dominava o francês) que, além
do interesse natural pela temática coberta por PLANETA,
acumulara um amplo conhecimento geral em leituras, estudos
e viagens. Seu espaço na redação estava
garantido.
Loyola deixou PLANETA em 1976, substituído por Luis
Pellegrini; este saiu em 1980, abrindo espaço para
Edenilton Lampião. Três anos depois, foi a vez
de Lampião partir, iniciando meu período no
comando da revista concluído em 2000, quando
Fátima Afonso passou a dirigi-la. Ao longo de todos
estes anos, Elsie tornou-se sinônimo de artigos e reportagens
na revista sobre espiritualismo, parapsicologia e religiões
comparadas. Mas não se restringiu a isso: fez incursões
pelas artes divinatórias, pela mitologia, pela ecologia
e até pela ufologia.
próxima>>
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