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Da
Redação
Problemas
Sociais: a Responsabilidade de Cada Um
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Modesto
Wielewicki
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abandonado: drama social que pode ser amenizado com a adoção. |
Tempos
atrás, quando a caça a Bin Laden estava no auge, meu
sobrinho de 7 anos mais uma vez me surpreendeu com sua lógica
social, pouco comum a crianças dessa idade. Sabe, tia,
confessou ele em tom de segredo, eu e meu amigo temos um plano
para prender o Bin Laden. A trama era realmente hilariante
envolvia uma técnica para atrair o terrorista ao cemitério
e matá-lo de susto com a ajuda de uma fantasia de assombração.
A motivação por trás da história, porém,
nada tinha de infantil: Já pensou, tia, como eu vou
ficar rico? Preocupada com o raciocínio um tanto materialista,
me apressei em saber mais sobre suas reais intenções:
Mas pra que você quer tanto dinheiro? Pra
ajudar as crianças abandonadas, ora, respondeu ele
inocentemente. Quando crescer e puder trabalhar, você
vai poder fazer isso, sugeri. Mas, tia, você já
viu quantos menores de rua existem?
Naquele
momento, diante da resposta, fiquei feliz por ter ao meu lado um
coraçãozinho tão nobre. Hoje, porém,
refletindo mais demoradamente sobre o tema, percebo a gravidade
da história: o drama do menor abandonado no Brasil é
tão gritante que até uma criança se inquieta
com isso. O problema, claro, é complexo. Porém, se
pensássemos com um coração de menino, talvez
agíssemos apenas movidos pela lógica do amor ao próximo
e da conseqüente identificação com o outro, enxergando
na adoção, por exemplo, uma das soluções
aqui possíveis (veja artigo).
No entanto, como somos guiados por medos e preconceitos, acabamos
sendo levados ao caminho do distanciamento. Fingimos que crianças
abandonadas, miséria e violência nada têm a ver
conosco. Grande (e conveniente) engano! Como afirma Suzete Carvalho
na entrevista deste mês,
formamos uma gigantesca rede de relacionamentos e temos imensa responsabilidade
nos rumos do mundo. Creio que já passa da hora de assumirmos
isso e de colocarmos o nosso tijolinho na construção
da história. A maneira de ajudar a tirar os menores das ruas
e minimizar as dificuldades sociais que nos cercam fica por conta
de cada um as possibilidades, creiam, são infinitas
e o único requisito, nesse caso, é a boa vontade.
Fátima
Afonso, redatora-chefe
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