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DA REDAÇÃO

Da Redação
Problemas Sociais: a Responsabilidade de Cada Um

Modesto Wielewicki
André Sarmento
Menor abandonado: drama social que pode ser amenizado com a adoção.

Tempos atrás, quando a caça a Bin Laden estava no auge, meu sobrinho de 7 anos mais uma vez me surpreendeu com sua lógica social, pouco comum a crianças dessa idade. “Sabe, tia”, confessou ele em tom de segredo, “eu e meu amigo temos um plano para prender o Bin Laden”. A trama era realmente hilariante – envolvia uma técnica para atrair o terrorista ao cemitério e matá-lo de susto com a ajuda de uma fantasia de assombração. A motivação por trás da história, porém, nada tinha de infantil: “Já pensou, tia, como eu vou ficar rico?” Preocupada com o raciocínio um tanto materialista, me apressei em saber mais sobre suas reais intenções: “Mas pra que você quer tanto dinheiro?” “Pra ajudar as crianças abandonadas, ora”, respondeu ele inocentemente. “Quando crescer e puder trabalhar, você vai poder fazer isso”, sugeri. “Mas, tia, você já viu quantos menores de rua existem?”

Naquele momento, diante da resposta, fiquei feliz por ter ao meu lado um coraçãozinho tão nobre. Hoje, porém, refletindo mais demoradamente sobre o tema, percebo a gravidade da história: o drama do menor abandonado no Brasil é tão gritante que até uma criança se inquieta com isso. O problema, claro, é complexo. Porém, se pensássemos com um coração de menino, talvez agíssemos apenas movidos pela lógica do amor ao próximo e da conseqüente identificação com o outro, enxergando na adoção, por exemplo, uma das soluções aqui possíveis (veja artigo). No entanto, como somos guiados por medos e preconceitos, acabamos sendo levados ao caminho do distanciamento. Fingimos que crianças abandonadas, miséria e violência nada têm a ver conosco. Grande (e conveniente) engano! Como afirma Suzete Carvalho na entrevista deste mês, formamos uma gigantesca rede de relacionamentos e temos imensa responsabilidade nos rumos do mundo. Creio que já passa da hora de assumirmos isso e de colocarmos o nosso tijolinho na construção da história. A maneira de ajudar a tirar os menores das ruas e minimizar as dificuldades sociais que nos cercam fica por conta de cada um – as possibilidades, creiam, são infinitas e o único requisito, nesse caso, é a boa vontade.

Fátima Afonso, redatora-chefe


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