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Terra verde
Pelo fim da caça às baleias

Por Nicolas Farfel e André Kishimoto
Nicolas Farfel e André Kishimoto trabalham no departamento de comunicação do Greenpeace Brasil, organização internacional sem fins lucrativos, que luta pela preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace: 0300-7892510 ou através do site: http://www.greenpeace.org.br

Greenpeace/J. Sutton-Hibbert
Ativistas do Greenpeace no Santuário das Baleias do Pacífico Sul: luta contra baleeiros.

O Greenpeace iniciou o ano saudando o governo australiano por manter sua posição contrária à caça de baleias na Antártida e no Pacífico. Países como Japão e Noruega, porém, com o aval e subsídio de seus governos, continuam empreendendo atividades predatórias e ameaçando a perpetuação da esécie.

Em dezembro de 2001, o Greenpeace deu início a mais uma expedição ao continente antártico com o intuito de chamar a atenção da população mundial para o perigo que a ação predatória dos baleeiros japoneses representa para a biodiversidade do planeta. Os ativistas devem permanecer na região durante todo o primeiro trimestre de 2002.

Na manhã do primeiro dia do ano, o Aurora Australis, navio do grupo de pesquisadores australianos na região antártica, foi avisado pelo Greenpeace e localizou uma frota de baleeiros em águas oceânicas pertencentes ao seu território (e parte integrante do Santuário Internacional das Baleias do Pacífico Sul) e os expulsou de lá.

Desde 1987, a pesca comercial da espécie está proibida. Mas, para driblar o acordo internacional, o Japão alega fins científicos para continuar suas atividades: querem conhecer a interação entre os cetáceos e seu alimento. Utilizando-se de brechas no texto da Convenção Baleeira Internacional (CBI), o governo japonês determina cotas mínimas legais para justificar a caça, sabidamente comercial. Ou será que a matança de mais de 400 baleias por ano pode ser considerada “pesquisa científica”? No Japão, um quilo de carne de baleia custa US$ 200, em um mercado que movimenta cerca de US$ 100 milhões anualmente. Em contrapartida, estima-se que o turismo de observação das baleias geraria US$ 1 bilhão por ano.

O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, deveria assumir postura diferente dos seus antecessores no governo e mostrar coerência, colocando um fim a essa prática suja, egoísta e predatória que seu governo subsidia.

A campanha contra a caça de baleias do Greenpeace teve início em 1975 com o objetivo de impedir a matança e extinção das várias espécies por parte de uma indústria que age de maneira constrangedora. Por meio de ações diretas, protestos e lobbies políticos, a organização ambientalista teve papel fundamental para a consolidação da moratória internacional contra a caça comercial das baleias, estabelecida em 1987 pela CBI. A expectativa é que a medida dissipasse as atividades da indústria baleeira. Dos então nove países praticantes da caça de baleias e membros da convenção, sete cessaram suas atividades. Apenas dois, Japão e Noruega, rechaçam formalmente a moratória e, portanto, desrespeitam-na até hoje.

No ano passado, Marrocos e Panamá estiveram presentes pela primeira vez à reunião anual da CBI, realizada em Londres, além dos 31 países tradicionais. A presença dos novos membros na reunião da comissão está diretamente ligada à estratégia japonesa de compra de votos, em troca de auxílio financeiro para projetos pesqueiros. Há os casos escandalosos dos países caribenhos Santa Lúcia e São Vicente que, em meados da década de 80, alteraram subitamente suas posições em favor da caça, coincidindo com o envio de recursos por parte do Japão.

A estratégia do Japão e da Noruega também inclui a reabertura do comércio internacional em outro fórum da ONU, a Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção), que a cada dois anos atualiza a lista de animais e plantas cujo comércio é proibido. Eles pressionam para que as baleias saiam da lista de animais ameaçados. Além disso, pedem novos métodos para a contagem das baleias, a fim de manipular a elevação das cotas que podem “caçar”.

Para reverter esse quadro, o Greenpeace continua sua campanha pelo fim da caça de baleias, denunciando os responsáveis pela degradação do ecossistema marinho e da vida no planeta.

 

       


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