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Novos paradigmas
A Economia da simplicidade
Aos poucos, está surgindo no cenário mundial um novo paradigma
econômico, pautado na simplicidade voluntária, na produção
socialmente justa, ecologicamente inteligente e útil ao consumidor.
Por
Carlos Cardoso Aveline
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Morray White/Sipa-Press
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A
crise da Argentina e o perigo de uma recessão mundial
colocam no ar uma pergunta: será possível que
ocorra uma transformação radical do cenário
econômico? A combinação de crescimento
econômico com desemprego já tem sido bastante
séria há vários anos. O que acontecerá
com os empregos se houver uma forte recessão, ou se
os desejos do bloco financeiro dominante forem contrariados
por países como Argentina, Venezuela e outros?
Em sua primeira manifestação pública,
o presidente Eduardo Duhalde reconheceu que a miséria
da Argentina e a revolta popular em dezembro passado são
resultado do fracasso das políticas ditadas pelos grupos
financeiros. A boa notícia é que a crise desse
modelo econômico que também naufraga no
Brasil, embora aqui o processo seja mais suave acaba
abrindo espaço para a formulação de estratégias
econômicas que valorizem a justiça social e o
respeito à vida humana. A outra grande fonte de preocupação
atual está nas oscilações econômicas
globais provocadas pelos atos terroristas de 11 de setembro
de 2001. Mas essas incertezas também têm uma
lição a dar: elas apontam para a necessidade
de construir um mundo mais solidário e democrático,
o que impedirá simultaneamente o caos econômico,
o terror, a guerra e o ódio. Para isso é recomendável
lançar um olhar calmo e abrangente sobre a realidade
econômica.
Quando se trata de economia, muitos parecem acostumados
às notícias ruins. Outros pensam que o Fundo
Monetário Internacional (FMI) tem domínio absoluto
sobre a economia mundial. Alguns acham até estranho,
ou incompreensível, que alguém possa falar de
alternativas, de solidariedade ou de experiências construtivas.
Podem desprezar como lunático quem não participa
do jogo mental do pessimismo. A verdade é que a economia
mundial está mudando para melhor, mas ela não
se transforma da noite para o dia. A construção
de um mundo global e solidário, que começou
há dezenas de anos, não terminará na
semana que vem.
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Max Pinto |
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| Revolta
popular na Argentina: reflexo do fracasso do atual
modelo econômico. |
Nas
décadas de 1980 e 1990, John Naisbitt e Patrícia
Aburdene deram um exemplo vivo de que nem todo profeta é
forçado a anunciar o fim do mundo. Ele pode anunciar,
também, o começo de um mundo melhor. Analistas
de tendências econômicas, John e Patricia ignoraram
as previsões catastróficas, contrariaram a maré
de superficialidades negativas e escreveram livros de impacto
mundial sobre a construção de uma nova civilização
solidária.
Eles anunciaram avanços revolucionários
na biologia, o triunfo do indivíduo sobre a sociedade
de massas, a aparição do socialismo de livre
mercado e o renascimento religioso do século 21. Tiveram
de enfrentar uma pergunta irônica: Por que seus
livros são tão positivos, quando existem tantos
problemas, tão antigos e tão graves, no mundo?
E sua resposta foi direta:
As
pessoas que dão as más notícias estão
fazendo seu trabalho; as respeitamos. E admiramos os ativistas
cuja missão na vida é corrigir tudo o que está
torto. Nossa missão é diferente. Como os problemas
do mundo atraem tanta atenção, nós, por
nossa parte, destacamos a informação e as circunstâncias
que descrevem as tendências mundiais que oferecem oportunidades.(1)
Quando estimulamos o que é bom, aquilo que não
serve mais vai desaparecendo naturalmente. A crítica
é importante como auxiliar, mas não pode ser
o motor central da ação.
Em um livro mais recente, John Naisbitt mostra que
o fortalecimento dos cidadãos e dos pequenos agentes
econômicos é um fato central. Para ele, o final
do século 20 poderá ser definido no futuro como
a época em que a física das partículas
subatômicas passou a ser fundamental para compreender
o universo como um todo. Algo semelhante ocorre no mundo da
política e da economia. Com a popularização
dos computadores e da Internet, os pequenos empreendedores
econômicos adquirem importância cada vez mais
decisiva no funcionamento da economia global.(2)
Outro profeta cordial é Alvin Toffler. Seu livro
mais famoso, A Terceira Onda, descreve com nitidez a civilização
global em que estamos ingressando. Os seus vários livros
mostram o espírito humano em ação. A
criatividade social e econômica abre um futuro cada
vez mais pleno de alternativas e soluções. As
possibilidades de guerra ficam menores. A miséria,
a desinformação e o ódio perdem espaço.
Essas
análises como as de vários outros pesquisadores
facilitam a contemplação das ilimitadas
possibilidades do processo humano. A imagem do cidadão
do futuro que podemos traçar hoje inclui uma combinação
realista de independência com criatividade, de inteligência
com honestidade e de justiça social com livre iniciativa.
A simplicidade voluntária provocará prosperidade.
O avanço tecnológico possibilitará uma
melhor preservação ambiental.
O cidadão poderá ter sua casa no campo
ou em uma cidade pequena. A nova consciência ecológica
terá provocado a abertura de inúmeros espaços
verdes,
públicos e privados, nas grandes cidades. O morador
do futuro usará água aquecida por energia solar
e eletricidade produzida por catavento local. Se quiser, plantará
suas verduras no quintal, colherá algumas frutas no
seu pomar e realizará a maior parte das suas operações
econômicas por computador, fax e telefone. Caminhará
pela natureza, viverá em meio a animais livres, árvores
e córregos de água pura. Seu carro ou sua moto
não usarão formas poluentes de energia, e poderão
ser elétricos, utilizando, inclusive, baterias solares.
Notas
(1) Megatendencias 2000, John Naisbitt y Patricia Aburdene,
Editorial Norma, Barcelona, Bogotá, Caracas, 1990.
Ver p. XV.
(2) O Paradoxo Global, de John Naisbitt, Ed. Campus, RJ, 1994.
Ver p. 05.
próxima>>
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