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DA REDAÇÃO

Da Redação
O Novo Paradigma Econômico

Modesto Wielewicki
Cláudio Versiani
Opção individual por uma vida mais simples: ponto de partida para uma transformação global.

Vez ou outra, sobretudo quando me deparo com cenas de fome e pobreza, a mesma pergunta me vem à mente: “Como é que chegamos à Lua, a Marte, e ainda não resolvemos a questão da miséria no mundo?” Evidentemente, não sou contra nem ignoro os benefícios tecnológicos e científicos conquistados pelo homem a partir, por exemplo, da exploração espacial. Às vezes, porém, tenho a sensação de que pulamos etapas importantes do desenvolvimento humano.

Na ânsia de desvendar o universo, de dominar a natureza, de vencer a morte, de ser mais rico e poderoso, o homem priorizou a matéria e deixou para trás o espírito; no meio do caminho, esqueceu de fazer a síntese entre razão e coração. As conseqüências desse desequilíbrio parecem evidentes: crises econômicas, violência, guerras e catástrofes naturais, que fogem do nosso controle. O bom da história é que, nos últimos anos, a situação vem se agravando tanto que só nos resta repensar a nossa ação sobre o mundo e buscar modelos criativos de transformação.

Em seu artigo A Economia da Simplicidade, Carlos Cardoso Aveline mostra que as diretrizes da mudança, na verdade, já começam a surgir no horizonte: um paradigma econômico baseado na simplicidade voluntária, na produção socialmente justa e ecologicamente correta, no consumo consciente e na solidariedade. É óbvio que mudanças desse montante levam tempo para ocorrer – ninguém, com certeza, vai acordar amanhã com o mundo totalmente transformado. Acelerar esse processo, porém, depende em grande parte da nossa ação individual. Se passarmos a prestar mais atenção nos nossos próprios excessos e erros em relação à realidade que nos cerca, certamente já teremos feito a nossa parte nessa revolução silenciosa, que – esperamos – deve ter lugar ainda no século 21.

Fátima Afonso, redatora-chefe


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