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Relacionamento em Crise
A Imagem da Separação
Uma forte necessidade de dividir a vida com alguém especial
leva milhões de namorados ao altar todos os anos. Muitos casais,
contudo, não superam as inevitáveis crises que surgem com
as diferenças pessoais. Para evitar que o sonho termine, algumas
ilusões sobre o casamento precisam ser vencidas.
Por
Vera Lúcia Franco -
Contatos com a autora: fone (11) 5549-4742; e-mail vluciafranco@terra.com.br
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Prensa Três
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Por
alguns instantes pensei ter sido transportada para uma
outra dimensão; parecia viver um conto de fada. Os
noivos dançavam embriagados pela música de trovadores
e por suas juras de eterno amor e fidelidade. Era o mítico
e o real enlaçados numa mescla de amor e romantismo.
Senti que toda essa emoção não era só
deles; era minha também e de todos os que ali estavam
presentes, pois cada um de nós, de alguma forma, vivera
algo assim significativo.
A
avó, viúva, talvez recordasse com saudades
de seu esposo. O pai e a mãe do noivo trocavam olhares
como se procurassem aquilo que sentiram um pelo
outro algum dia. Os separados e havia muitos
tornaram-se pensativos... Talvez se perguntassem, intimamente,
onde erraram e como sua paixão chegou ao fim. E os
solteiros? Estes deliravam, aplaudiam em êxtase, como
se realizassem suas esperanças de viver essa mesma
emoção algum dia.
Foi esse cenário que me levou a pensar sobre
a importância do amor, da relação afetiva
para a vida de uma pessoa. São raros os que realmente
não se interessam em ter um relacionamento amoroso
com alguém que lhes seja espe- cial, pois amar e ser
amado é o que mais importa ao ser humano. É
o amor que nos faz rir, chorar, sofrer, bendizer ou maldizer
a vida. Sua ausência nos dá a sensação
de um imenso vazio, de um buraco que precisa ser preenchido,
chegando a doer fisicamente. É o sentimento insuportável
dessa falta que faz com que muitas pessoas até percam
a razão de viver.
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Prensa Três
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| Casamento:
sonho compartilhado por todos os presentes na cerimônia. |
A
arte, em suas várias modalidades, testemunha isso:
a música e a poesia cantam em versos as conquistas,
os amores perdidos, as grandes tristezas; a pintura retrata
as musas inspiradoras; a literatura fala de amor através
dos romances, dos contos de fadas e até das novelas,
que sempre terminam com casais felizes.
É
Schopenhauer quem nos diz: O amor é o objetivo
último de quase toda a preocupação humana.
Em O Banquete, através de um dos convidados, Platão
explica a razão dessa necessidade do ser humano. Segundo
ele, nos primórdios da vida, os homens não eram
nada parecidos com o que são hoje; eram esféricos
e hermafroditas, como se fossem duplos, dotados de duas faces
viradas quase em direção oposta, numa mesma
cabeça, quatro pernas, com quatro braços, etc.
Eles eram perfeitos, mas ousaram desafiar os deuses
em seus desígnios para a raça humana. Assim,
Zeus cortou-os em duas partes. Dessa maneira, perderam sua
unidade primordial, transformando-se em homens e mulheres.
Com isso, acabaram condenados a procurar eternamente um ao
outro para mitigar a sensação de carência.
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Sipa-Press
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| Vínculo
entre mãe e filho: predisposição a nos apegarmos a
alguém especial. |
Biologicamente,
o vínculo afetivo é vital para os mamíferos,
tal como vá-rios experimentos têm demonstrado.
Entre os mais conhecidos, está o do chimpanzé
bebê que escolheu e se aconchegou à mãe
de pano em vez de à mãe de arame. Esse vínculo
teria garantido a evolução do Homo sapiens e
a preservação da espécie, uma vez que
cabia aos mais fortes cuidar dos mais fracos, garantindo-lhes
cuidado e proteção.
Paralelamente
ao aspecto biológico, a psicologia teceu várias
teorias na tentativa de explicar a importância desse
vínculo: como ele se estabelece e se transforma no
decorrer do desenvolvimento das pessoas; como se desfaz e
pode se refazer.
Uma das mais importantes teses sobre o tema é
de John Bolwby, a teoria do apego, que o explica como uma
necessidade básica e vital; desde que nascemos, segundo
ele, estamos predispostos e equipados para nos apegarmos a
alguém em especial, que se disponha a se relacionar
conosco.
Segurança e amor parecem ser essenciais para
garantir a sanidade mental da pessoa, daí a enorme
importância atribuída a uma ligação
saudável mãe-bebê, uma vez que ela representa
a fonte de todo cuidado e amor. Essa relação
vai determinar, no decorrer da vida, a imagem interna que
a pessoa terá de si e do outro, bem como suas ligações
com os outros parentes, amigos e cônjuges.
Nesse vincular-se ao outro, a criança ganha
gradativamente autonomia da figura afetiva. Tal ligação
vai se transformando durante a adolescência, através
do experienciar dos vários tipos de relacionamento
afetivo, e culmina, na vida adulta, com a escolha de um outro
adulto como figura de apego.
próxima>>
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