Altar Virtual
 Cartomancia
 Tarô
 Biscoito da Sorte
 Realejo
 Bola 8
 Par Perfeito
 I-Ching
 Runas
 Vidente
 Numerologia
 Horóscopo
 Home
 Índice
 Arquivo de chats
 Edições Anteriores
 Especiais

 Canais:

 Guia Cósmico
 Área 51
 Encantamentos
 Transcendendo
 Reconectando
 Paranormal

 Busca

Procure outras matérias
 
 
Índice 352 | Da Redação | Cartas | Jornal | Astrologia | Terra verde
Imagem e Som | Livros | Agenda | Clube do Leitor
 


Entrevista
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
O Marco Zero de Planeta

Primeiro editor de PLANETA, que este ano estará completando 30 anos, o escritor Ignácio de Loyola Brandão resgata aqui um pouco da história da revista e fala das transformações que passou depois de se deparar, em 1996, com um aneurisma cerebral.

Por Fátima Afonso

Daniel Wainstein

PLANETA – Quando você foi convidado para dirigir PLANETA, em 1972, Luís Carta, que foi um dos fundadores da Editora Três, definiu a revista como diferente e estranha. Ele estava correto na sua definição?
Loyola –
Eu diria que sim. Claro que PLANETA era uma revista absolutamente estranha, insólita, singular. Quando ela apareceu, de forma totalmente inesperada, o mercado era muito diferente do que é hoje. Agora você tem centenas de publicações. Inclusive, eu diria que ela foi uma das primeiras revistas segmentadas. As revistas eram todas de caráter geral, femininas, masculinas ou de informação. E PLANETA não; ela tinha o nicho dela, muito específico, de gente interessada num determinado tipo de conhecimento, que não era o usual. Então, quando ela saiu, foi um espanto.

PLANETA – Na França, ela nasceu bem antes do que no Brasil...
Loyola –
Muito antes. Ela já tinha pelo menos 12 anos ou mais. Quando o Luís comprou os direitos, o Jacques Bergier, que fundou a revista com o Louis Pawels, já tinha morrido. Quando fui para a França buscar o material da revista, a redação já estava meio desativada, mas eu conheci o Pawels. E foi interessante porque ele era um homem de direita, mas para mim mostrou-se uma pessoa sedutora, encantadora. Já Bergier era de esquerda, foi da resistência. Esses dois se uniram e fizeram essa revista.

Curiosamente, a revista morreu na França e renasceu aqui, vivendo muito mais do que no lugar de origem, que era considerado um país do espírito, da luz. Eu acho que muita coisa do meu livro Zero talvez tenha sido feita porque eu já fazia PLANETA.

PLANETA – Zero nasceu nessa época?
Loyola –
Quando eu fazia PLANETA, estava acabando o Zero ainda. Mas essa ousadia da revista, as experimentações, essa coisa da inquietação, de não desconfiar das coisas, tudo isso foi muito bom para mim. Acreditar que no mundo há coisas que a gente não conhece, que há algo oculto, isso eu aprendi. Há coisas aí de um outro lado que a gente não sabe o que é.

Eu sempre achei mundos paralelos um tema fabuloso – essa era uma das coisas que eu mais gostava de PLANETA. Será que tem algum outro mundo igual a este? Parece ter. Por que eu ouço barulhos estranhos na minha casa que não vêm de lugar nenhum?

PLANETA – O que significou, para um jornalista de raízes marxistas, trabalhar durante cerca de cinco anos com uma publicação que tocava diretamente em temas espiritualistas?
Loyola –
Na verdade, nunca fui um jornalista de raízes marxistas; nunca li Marx, nunca fui de partido nenhum...

PLANETA – Bem, para fazer essa entrevista eu fiz um levantamento na imprensa e encontrei esse dado...
Loyola –
Eu imagino, mas é uma loucura! Trabalhei num jornal, que eu diria de centro esquerda, que foi o Última Hora, e aí eu tive uma inclinação para os desvalidos. Nessa época, a gente cobria muito o trabalhador – ele era um jornal de trabalhadores. Eu via como eles sofriam. Além do mais, eu sou filho de um operário, o meu pai era ferroviário, e eu sei como ele sofreu. Então, eu tinha naturalmente uma consciência crítica do que era ou não a realidade brasileira. Mas, quando eu fui fazer PLANETA, nunca pensei nela em termos espiritualistas. Eu pensava em uma revista muito curiosa de se fazer. Saí da Cláudia, que era uma publicação interessante do ponto de vista feminino, que abria um caminho para jovens e mulheres. Ela falou de pílula, de virgindade, de camisinha, de aborto, etc. Mas, num determinado momento, aquilo era tudo repetitivo; PLANETA era matéria nova dentro da imprensa, e eu sempre tive atração por coisas novas. Mas eu nunca vi a revista como espiritualista.

PLANETA – Mas ela dava espaço para temas voltados para a espiritualidade...
Loyola –
Dava espaço para tudo. Estávamos abertos a todo conhecimento não-oficial, não carimbado. Tínhamos espíritas, maçons, ateus, tínhamos o que se lançasse na mídia. Ao contrário das outras, ela era uma publicação que não tinha fórmulas e enquadramentos. Sua base era a Planète; todos os meses, nós devíamos usar, por contrato, o material da revista francesa. Evidentemente, não podíamos fazer uma revista só francesa. A Planète, inclusive, já tinha vários artigos internacionais. Montamos então uma equipe para levantar temas brasileiros: o Pellegrini, o Antonio Zago, o Zezé Brandão, que hoje é publicitário, o Edson Carneiro, grande folclorista, que depois foi um importante assessor nosso; no primeiro número publicamos um artigo dele. Depois veio, numa outra época, a dona Elsie Dubugras, o Herculano de Freitas, que também era espírita, o Edmundo Cardilo, que era um cara de Poços de Caldas que estudava civilizações desaparecidas e Egito. Dois meses depois que a revista saiu, chovia gente na redação; nós ficamos assombrados com o número de pessoas que estavam interessadas nas matérias e estudando aqueles temas.

PLANETA – Você tinha uma relação muito próxima com os leitores. Que tipo de pessoas lhe procuravam e, em geral, que dúvidas elas traziam?
Loyola –
Tudo o que você possa imaginar. Apareciam desde os chatos, até os que se comunicavam com os mortos, com os extraterrestres, os que viam disco voador, os que visitaram civilizações já desaparecidas, como a Atlântida, os que sabiam falar sumério. Apareceram exorcistas aos montes, desde padres até leigos, e um grande número de pessoas com casas mal-assombradas. E, no meio disso, tinha gente séria. Eu tinha de conversar com todo mundo.

PLANETA – Você tirava um dia por semana para fazer isso...
Loyola –
Sim, e às vezes, se a pessoa era interessante, eu marcava um outro dia só para ela; algumas delas acabaram sendo até nossas consultoras. Algumas, por exemplo, eu encontrei depois em Bogotá, no Primeiro Congresso Mundial da Bruxaria. Quando fiz a cobertura desse congresso com a minha mulher, o Pellegrini e a Madalena Schwartz, que era fotógrafa, lembro que, numa noite, nós fomos para uma montanha e nos comunicamos com uma tribo de índios do Colorado (EUA). Então, fizemos desenhos e mostramos para uns índios colombianos, que os transmitiram telepaticamente para a tribo americana. Depois os desenhos recebidos vieram por radiofoto. Só eu podia saber o que havia feito, que era o símbolo da Ferroviária de Esportes – nenhum índio poderia saber isso, e ele voltou.

próxima>>

       


| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |