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Eutonia
O Corpo em Equilíbrio

Método criado pela alemã Gerda Alexander, a eutonia tem como principal objetivo trazer equilíbrio físico e mental ao praticante através da conscientização corporal.

Texto: Milton Correia Júnior/Fotos: Daniel Wainstein

Nos dias de hoje, vivendo uma vida agitada, mal temos tempo de pensar em nós mesmos, especialmente no nosso corpo. Na verdade, só tomamos conhecimento da sua presença quando um desconforto ou uma dor nos obriga a parar e dar uma atenção especial a ele. Em contrapartida, algumas pessoas, adeptas do “culto ao corpo”, partem em direção contrária, dando-lhe um cuidado exagerado, entregando-se a exercí-cios repetitivos e extenuantes, que podem trazer mais problemas do que benefícios.

É possível, porém, ter um corpo bonito, harmonioso, com músculos tonificados sem que para isso tenhamos de nos violentar com práticas cansativas. O segredo está em tomar consciência definitiva do nosso organismo, sabendo como funciona e como tirar partido de situações normais do dia-a-dia para exercitá-lo a toda hora, mesmo quando estamos sentados diante de uma televisão ou de um computador, por exemplo.

A eutonia é um método de trabalho corporal que propõe justamente a tomada de consciência do próprio corpo como um dos seus principais objetivos. A palavra eutonia vem do grego (eu = harmonioso e tonos = tônus, tensão), referindo-se à prática para deixar o corpo harmonioso e tonificado. A eutonia foi criada por Gerda Alexander, que nasceu em 1908, na Alemanha, mas desenvolveu seu trabalho na Dinamarca. Estudiosa das artes, música e dança, a partir da observação sobre si mesma e das dificuldades de movimento demonstradas por colegas e alunos, passou a investigar os fundamentos neuropsicológicos dos movimentos naturais do ser humano. A própria Gerda é um exemplo dos resultados do método por ela criado. Era aluna e professora de dança quando, aos 28 anos, desenvolveu uma endocardite, devido a uma febre reumática. Obrigada a guardar repouso, começou, em seu leito, a procurar formas de manter o tônus muscular, com movimentos mínimos. Nasceu então a eutonia, por ela aprimorada ao longo de toda a sua vida. Gerda Alexander não só sobreviveu à doença, como voltou a andar e continuou ensinando e pesquisando a técnica até idade avançada.

Miriam Dascal: luta para divulgar a prática no Brasil.

Logo ficou claro para Gerda que, se o indivíduo tivesse consciência da sua capacidade de mover-se e deslocar-se, não só iria melhorar a qualidade desse movimento, como também isso iria influir na pessoa como um todo, trazendo-lhe benefícios físicos e mentais. Para isso, é fundamental que tenhamos consciência do corpo, desenvolvendo nossa sensibilidade superficial e profunda, podendo influenciar conscientemente os sistemas, em geral involuntários, que regulam o tônus e o equilíbrio neurovegetativo. Conforme palavras textuais da própria Gerda Alexander, em seu livro Eutonia – Um Caminho Para a Percepção Corporal, “os psicofisiólogos definem o tônus como ‘a atividade de um músculo em repouso aparente’. Essa definição indica que o músculo está sempre em atividade, mesmo quando isso não é traduzido em movimentos ou gestos. Nesse caso, não se trata da atividade motora, no sentido mais freqüente da palavra, mas sim de uma manifestação da função tônica”.

Segundo Gerda, “para se chegar ao desenvolvimento dessa sensibilidade é necessária uma presença, graças à qual se desenvolve a capacidade de nos tornamos objeto da nossa própria observação e, ao mesmo tempo, de viver as mudanças que essa observação produz em todo o organismo, de sentir conscientemente, também durante o movimento, as variações que surgem ao nível do tônus e das funções vegetativas”. Gerda Alexander acreditava que esse estado de “presença”, no entanto, “diferencia-se claramente dos níveis de consciência do treinamento autógeno, da ioga e das técnicas zen. Medições encefalográficas têm demonstrado que ele se desenvolve num estado de plena consciência”.

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Serviço

• Contatos com Miriam Dascal – fone (11) 3672-6925; midascal@uol.com.br
• Faculdade Senac de Educação e Saúde – Curso de pós-graduação livre de aperfeiçoamento pessoal e profissional: fone (11) 227-3055/fax (11) 229-1809; ces@sp.senac.br

O que há para se ler
Eutonia – Um Caminho Para a Percepção Corporal, de Gerda Alexander, Livraria Martins Fontes Editora; Eutonia, Educação do Corpo Para o Ser, de Berta Vishnivetz, Summus Editorial.

       


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