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Terra verde
Combate à Máfia do Mogno
Por Tica Minami -
é assessora de comunicação do Greenpeace Brasil, organização
internacional sem fins lucrativos, que luta pela preservação
do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace: 0800-112510
ou através do site www.greenpeace.org.br
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Greenpeace
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| Mogno
extraído ilegalmente: ação clandestina é descoberta
em operação inédita. |
No
dia 30 de outubro, 16 agentes do Ibama e da polícia,
além de 11 ativistas do Greenpeace, invadiram uma serraria
na Rodovia Transamazônica, no Pará. Durante uma
operação inédita na região conhecida
como Terra do Meio, que durou cinco dias e envolveu três
helicópteros, dois aviões e cinco caminhonetes,
o time de investigação esteve em quatro pontos
do lugar, onde foi apreendido um total de 7.165 metros cúbicos
de mogno ilegal, avaliado em US$ 7 milhões no mercado
internacional.
A serraria clandestina, que foi montada para processar o mogno
extraído ilegalmente da região estava vazia,
mas 347 toras de mogno foram encontradas escondidas na mata
próxima. Segundo informações obtidas
pelo Ibama, a serraria seria de um intermediário de
Osmar Ferreira, um dos reis do mogno identificados
no recente relatório do Greenpeace, Parceiros no Crime.
Através da falsificação de documentos,
os madeireiros legalizam o mogno retirado de áreas
proibidas como terras públicas e áreas
indígenas para exportar principalmente para
os Estados Unidos e Europa.
O comércio ilegal e destrutivo de mogno está
acabando com culturas tradicionais e levando à destruição
da floresta tropical de maior biodiversidade do mundo,
denuncia Paulo Adário, coor-denador da campanha da
Amazônia do Greenpeace.
Dois dias antes, mais de 1,6 mil metros cúbicos de
mogno ilegal foram encontrados em uma represa construída
por madeireiros no Rio Carajari. A madeira foi extraída
de terras públicas, em um local onde não existe
nenhum plano de manejo autorizado.
No dia 29 de outubro, o Ibama apreendeu o maior volume de
toras de madeira em toda a operação 5.385
metros cúbicos de mogno e 1.169 metros cúbicos
de cedro encontrados na fazenda Juvilândia, às
margens do Rio Iriri. Durante a operação, dois
homens armados foram presos pela polícia. Trabalhadores
interrogados pelo Ibama e pela polícia confir- maram
que a madeira apreendida na fazenda Juvilân- dia pertence
a Ferreira.
Outro vôo de reconheci-mento, realizado durante a operação,
revelou que uma grande jangada com toras de mogno ilegal estava
pronta para ser transportada rio abaixo. O Ibama não
pode rea-lizar investigações dentro de terras
indígenas sem o apoio da Funai (Fundação
Nacional do Índio), que não participou da operação.
Onde estava a Funai nesse importante trabalho para preservar
a Floresta Amazônica?, questionou Marijane Lisboa,
diretora-executiva do Greenpeace Brasil.
O Greenpeace, segundo Marijane, pede aos
consumidores que deixem de comprar mogno e promovam a madeira
certificada pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal), o que
garante a extração do produto de forma ambientalmente
adequada, socialmente justa e economicamente viável.
A apreensão de mogno é resultado de uma série
de denúncias do Greenpeace, que expôs a trilha
de ilegalidades da indústria madeireira. Em outubro,
seis dias depois que a organização ambientalista
divulgou evidências da exploração em terras
indígenas kayapó, no Pará, o coordenador
da campanha da Amazônia, Paulo Adário, recebeu
uma ameaça de morte.
As denúncias do Greenpeace também levaram o
governo brasileiro a anunciar a suspensão de todo corte,
transporte e comércio de mogno no País até
que uma investigação completa nas áreas
de extração e nas serrarias seja concluída.
A exploração ilegal de mogno é
um exemplo claro da destruição descontrolada
das florestas antigas e de como os governos têm falhado
em deter essa devastação, afirmou Adário.
Os governos devem agir imediatamente para garantir o
futuro dos remanescentes florestais do planeta.
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