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Terapias Holísticas
Em Sintonia com as Deusas

Poderosas, independentes ou maternais, as deusas têm características que estão presentes na psique feminina. Identificando o modelo divino em que a mulher melhor se encaixa, a medicina espiritual ajuda a estimular sua energia essencial.

Por Sérgio Mortari - é médico homeopata e acupunturista, fone: (11) 5542-4022; e-mail: sergiomortari@uol. com.br

Domenichino, A Caça de Diana, Galeria Borghese, Roma
Mitologia grega: ponto de partida para a análise das diversas faces da alma feminina.

Buscando manter o homem como um todo saudável, a medicina espiritual tem como fundamento o equilíbrio entre o seu lado supra-sensível, não visível aos olhos, e o físico, material, que é quem sofre as conseqüências diretas dos desajustes no plano da sensibilidade superior.

Ansiedade, medo, angústia, agressividade, vícios são sintomas de males originados no plano dos instintos, o qual não é regido por normas morais; ele apenas reage ao que pensa ser agressões à sua sobrevivência física. Os exemplos a seguir ilustram essa realidade: se estiver conversando com uma pessoa e ela fizer uma cara de susto por ter visto algo atrás de você, antes mesmo de verificar o que houve, seu coração baterá acelerado. Se alguém gritar dentro de uma sala “fogo, fogo”, todo mundo sairá correndo antes de verificar se há mesmo um incêndio ocorrendo. Isso confirma que existe uma reação imediata ao que se imagina ser uma ameaça.

O homem, enquanto animal social, porém, não pode deixar-se conduzir apenas pelos instintos e pelas impressões, mas deve disciplinar-se para que haja harmonia entre o plano instintivo e o físico. Caso contrário, seu corpo vai sofrer, já que ele funciona como um pára-choque entre esses dois planos.

Os princípios morais, as normas de educação social, a religião, as terapias e o autoconhecimento são os instrumentos adequados para que se procure manter um corpo são através de uma mente sã.

Um dos recursos mais utilizados pela medicina espiritual para trazer equilíbrio e harmonia ao paciente são os remédios que têm como finalidade atingir o plano de atuação da nossa energia supra-sensível, além dos sentidos físicos.

Sob esse ângulo, o diagnóstico deve dar-se no sentido de detectar as causas no plano das emoções, dos sentimentos, da essência de cada pessoa. Como não existe um exame de laboratório capaz de medir o amor de uma pessoa por outra, a sensação de felicidade, o tamanho de uma frustração ou de uma mágoa, a generosidade, etc., vamos nos socorrer, para tanto, de uma analogia com personagens mitológicos.

François Boucher, A Toilete de Vênus, Museu Metropolitano de Arte de Nova York
Afrodite empresta à mulher o desejo de ser bela e admirada por sua sensualidade.

Ao perceber que várias pessoas apresentavam uma estrutura psicológica semelhante, o psicanalista C. G. Jung criou o arquétipo, ou seja, o modelo básico, que encontra sua forma mais pura nos mitos. Ao determinarmos a deusa de cada mulher, por exemplo, poderemos indicar-lhe qual o melhor remédio para que sua energia essencial seja estimulada, pois ela poderá estar vivendo em desacordo com sua natureza íntima. Em harmonia consigo própria, a paciente poderá melhor vencer seus desafios na vida pessoal, profissional, afetiva, etc. (No caso dos homens, o resultado mais eficiente é encontrado quando os situamos num dos 12 trabalhos do herói Hércules, que revelam fases de sua evolução psicoespiritual.)

As principais deusas do universo mitológico dos gregos são: Hera, a esposa de Zeus – o deus dos deuses; Perséfone, a virgem raptada por Hades; Afrodite, a deusa do amor; Atena, nascida da cabeça de Zeus e patrona das cidades; Ártemis, deusa da natureza; e Deméter, envolvida com os processos de reprodução.

Enérgica, dinâmica, determinada, buscando sempre aumentar seus conhecimentos, interessada nas atividades políticas, e com a carreira em primeiro lugar – essa é a mulher com perfil Atena, muito à vontade e gostando do que lhe proporciona o mundo globalizado.

Voltada para os interesses da carreira do marido, que, em geral, é um político ou um homem público em qualquer nível, a mulher com perfil Hera é a perfeita esposa, que se orgulha de sua importância social.

Uma mulher com características de Deméter, em qualquer idade, será encontrada às voltas com os afazeres do lar, da família e colocando a maternidade e os filhos em primeiro lugar. Ela gosta de ser mãe, protetora, pois entende ser natural da mulher esse lado mais caseiro.

Bem diferente é o perfil Afrodite, que busca uma vida social mais intensa, relacionamentos com pessoas que possam acrescentar algo à sua visão de mundo. Esse tipo de mulher quer estar bela e ser admirada por sua sensualidade; gosta de participar dos acontecimentos, mas nem sempre de maneira atuante, muitas vezes, mais como espectadora.

A Perséfone atual é espiritualizada, mística, buscando conhecimentos elevados sobre o lado oculto da vida e que lhe permitam desenvolver seu lado interior de maneira mais profunda.

Nepal, século 17
A deusa hindu Kali: responsabilidade sobre os processos de criação e destruição.

A moderna Ártemis será sempre encontrada caminhando por trilhas na mata, fazendo rapel, participando de um movimento em prol da preservação da fauna e flora brasileiras, ou simplesmente indo ao pico do Jaraguá para apreciar os reflexos da Lua cheia. Mas, assim como suas irmãs, ela poderá estar neste momento numa sala de audiências presidindo um julgamento, pois sua parcela de deusa poderá surgir apenas nos fins de semana, quando ela faz o que realmente gosta.

Utilizamos a descrição do perfil das deusas gregas porque elas são mais conhecidas e suas características podem ser mais facilmente identificadas. Mas poderíamos citar os equivalentes na mitologia romana; ou a deusa hindu Kali, que rege os processos de criação e destruição em sentido amplo; ou Shakti, por sua relação com os processos que envolvem o exercício da sexualidade.

Da mitologia egípcia, é possível destacar, por exemplo, a deusa Ísis, relacionada com os processos de fertilização, que era a fiel parceira de Osíris. Estudando o universo mítico chinês, podemos trabalhar o mito da deusa Kuan Yin e seus atributos envolvendo a necessidade de se perdoar a quem nos fez mal ou despertando o sentimento de generosidade, que faz com que se tenha compaixão pelos que sofrem.

O mais importante, porém, é a identificação com o padrão mítico que está exacerbado ou que está em detrimento, fazendo com que haja um desequilíbrio. Uma ênfase nas características de Atena (ou de sua equivalente em outras mitologias), por exemplo, pode fazer com que “Deméter” seja um pouco deixada de lado. O equilíbrio vem justamente de uma harmonização entre todas as partes que compõem o universo feminino, pois numa mesma mulher encontramos todos os arquétipos mais ou menos evidentes, dependendo das necessidades que se apresentem no momento. Na verdade, cada fase da vida se ajusta mais a uma determinada deusa e o importante é saber qual e como entrar em sintonia com ela.

 

       


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