Altar Virtual
 Cartomancia
 Tarô
 Biscoito da Sorte
 Realejo
 Bola 8
 Par Perfeito
 I-Ching
 Runas
 Vidente
 Numerologia
 Horóscopo
 Home
 Índice
 Arquivo de chats
 Edições Anteriores
 Especiais

 Canais:

 Guia Cósmico
 Área 51
 Encantamentos
 Transcendendo
 Reconectando
 Paranormal

 Busca

Procure outras matérias
 
 
Índice 351 | Da Redação | Cartas | Jornal | Astrologia | Terra verde
Imagem e Som | Livros | Agenda | Clube do Leitor
 


Agir Sem Lutar
Esforço na Medida Certa

A teoria taoísta do wu wei, ou da não-ação, combate a idéia ocidental de que, para se obter o sucesso em qualquer área da vida, é indispensável grande dose de sacrifício e sofrimento.

Por Sim Soon Hock e Inti Mendonça - O texto a seguir é o capítulo 2 do livro Esforço, segundo volume da coleção As 7 Riquezas do Homem Santo, de Sim Soon Hock e Inti Mendonça, lançado recentemente pela Editora Axis Mundi.

Prensa Três

A palavra “esforço” dá a idéia de agir e, mais ainda, agir de uma maneira que exige grandes quantidades de energia ou sofrimento. Essa é a idéia mais comum e difundida e, por causa dela, as pessoas cultivam certo receio de tudo que se mostra difícil e desgastante, a menos que lhes pareça “valer a pena”. No caso, “valer o esforço”.

Ainda é comum as pessoas acharem que, quanto mais esforço dedicarem a algo, tanto mais garantido será o seu sucesso. Isto é, o esforço passa a ser a moeda com que elas barganham com o destino. Quanto maior o investimento, tanto maior o “direito” de exigir um retorno satisfatório. Nem é preciso dizer quanto essa maneira de pensar é um passaporte para a desilusão e frustração das esperanças humanas. A vida não existe para o ser humano fazer acordos comerciais com ela.

A própria idéia de ação deveria ser profundamente analisada, para você poder perceber quanto o seu esforço realmente influi na construção do seu futuro. Para ilustrar essa questão de um ponto de vista diferente, falaremos de um dos conceitos mais belos e importantes da filosofia taoísta: o wu wei, ou simplesmente não-ação.

Prensa Três
Ação do homem sobre o meio ambiente: arrogância desmedida que destrói a vida.

Wu wei, a não-ação, foi um conceito apresentado por Lao-tsé em seu clássico Tao Te King. Já para a sociedade da época (século 6 a.C.), esse conceito desafiava os valores vigentes de que as conquistas e realizações humanas são fruto da ação e do esforço de cada um. A lógica sugere que tais valores não estão errados; muitas das coisas que construímos pela vida afora parecem comprovar essa noção de soberania da ação humana sobre a vida e o ambiente que a cerca. Entretanto, esses valores revelam uma arrogância desmedida: quem é o homem diante da realidade do mundo? Se o mundo é uma teia imensa na qual infinitos fatores diferentes interagem contínua e constantemente, por que o homem tem a arrogância de pensar que tudo é efeito e conseqüência exclusiva da sua própria mente? Essa arrogância mostra sua face nos diversos problemas pessoais e coletivos vividos tão intensamente pela humanidade nos dias de hoje. E isso nos faz pensar ainda mais sobre o que, afinal, é a nossa ação.

Consciente ou inconscientemente, as ações encobrem intenções – assim define o senso comum.

A capacidade de agir é inata ao ser humano. Quer a chamemos de vitalidade ou instinto de sobrevivência, o ser humano age e reage mesmo antes de nascer. Com o passar dos anos, essa ação vai ficando cada vez mais requintada e adquire nuances que sugerem uma reflexão sobre o que ela carrega em seu interior: as intenções. Algumas pessoas acreditam que a intenção define a qualidade de uma ação (o que não é pouca coisa) e, portanto, serve de justificativa para o agir. Entretanto, qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade para a complexidade psicológica do ser humano dirá que isso é muito relativo, porque a verdadeira intenção por trás de uma ação humana às vezes não é conhecida sequer pela própria pessoa que age. Mas, consciente ou inconscientemente, as ações encobrem intenções – assim define o senso comum.

Thomas Baccaro
A capacidade de agir e reagir é inata ao ser humano e, com o tempo, torna-se mais requintada.

É justamente neste ponto que entra o sutil conceito de não-ação, citado da seguinte maneira por Lao-tsé:

Ser e não-ser geram-se mutuamente.
Difícil e fácil se completam.
Longo e curto delimitam-se
Alto e baixo se regulam.
Som e tom se harmonizam.
Antes e depois sucedem-se.

Por isso o homem santo pratica o não-agir e ensina sem falar.
Os dez mil seres agem, e ele não lhes recusa ajuda.
Produz sem apropriar-se, trabalha sem nada esperar em troca.
Realiza obras meritórias sem a elas se apegar
E, justamente por isso, suas obras perduram.

Lao-tsé, o grande sábio chinês, está dizendo que o homem santo age pela não-ação, que todos os seres agem e ele não lhes recusa ajuda, que ele nunca se apega às suas realizações e que, por isso mesmo, suas obras se tornam eternas. Essa, sem dúvida, é uma maneira incomum de estimular uma ação, porque equivale a dizer: “Faça algo, mas ao mesmo tempo não faça nada, pois só assim você poderá fazer tudo.” Não é por acaso que os ensinamentos dos livros sagrados sempre foram misteriosos para a mente humana.

próxima>>

 

       


| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |