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Koh Do
A Cerimônia do Incenso

Podendo ser praticada tanto em grupo como individualmente, a cerimônia do incenso tem como principais objetivos a reflexão silenciosa e a conquista da paz mental, sendo tão importante para os japoneses como a cerimônia do chá e o ikebana.

Por Milton Correia Júnior

Cortesia Guinza do Brasil

A origem do incenso – a ligação material mais simples entre o homem e a divindade – situa-se nos primórdios da humanidade, sendo tão antiga quanto ela. Seu uso provavelmente teve início quando o ser humano, ao jogar plantas e substâncias aromáticas no fogo, percebia que a fumaça se elevava aos céus. Não foi difícil para ele concluir – mesmo tratando-se de alguém com mente primitiva – que aquele tipo de fumaça com odores especiais certamente agradaria aos seres de outras dimensões que o protegiam, levando-lhes seus pedidos. Além disso, servia como um escudo de proteção contra os maus espíritos e tudo o que provinha do lado invisível e o pudesse prejudicar.

O homem primitivo, na verdade, estava certo: o incenso está intimamente ligado aos elementais do ar, funcionando, realmente, como uma espécie de mensageiro celestial. Na fumaça, há a presença de sílfides e outras entidades aéreas, que se encarregam de executar suas funções, como a limpeza do ambiente ou como elo de ligação com seres superiores. Nos rituais mágicos de consagração aos quatro elementos, sempre se faz uso do incenso para representar o elemento ar, ao lado da vela (que representa o fogo), de uma vasilha com água e outra com terra.

As religiões mais antigas, que remontam há milhares de anos, faziam uso do incenso. A prática era comum entre persas e egípcios. Para os judeus, sua fabricação era considerada uma tarefa sagrada, sendo queimado nos altares pela manhã e ao pôr-do-sol. Na Roma antiga, o incenso também estava presente nos templos; algumas sacerdotisas, com a finalidade de ter visões e fazer profecias, incluíam na sua fórmula ervas alucinógenas.

A Índia, país de cultura e tradições milenares, pode ser considerada como um dos berços do incenso, produto ainda hoje extremamente popular entre os seus habitantes. Tanto o Mahabharata como o Ramayana (dois livros sagrados que abordam a vida de Rama, o sétimo avatar do deus Vishnu) mostram que o incenso era empregado na adoração de seus deuses e na cremação dos mortos. Aos poucos, seu uso propagou-se por outros países asiáticos, como o Nepal, Tibete, Ceilão, Burma, China e Japão. Contudo coube aos jainistas indianos modificar a sua forma, modelando-o em pauzinhos e em pastilhas.

Cortesia Guinza do Brasil
Utensílios utilizados na cerimônia do incenso: conjunto de obras de arte.

A Igreja católica deve ter herdado o uso do incenso dos cultos pagãos ou de religiões monoteístas, como o judaísmo. Embora não se saiba ao certo por que, os sacerdotes católicos sempre fizeram uso do incenso, queimado em turíbulos durante a missa. Por outro lado, não devemos esquecer que os presentes oferecidos pelos três Reis Magos ao menino Jesus, conforme a tradição, foram ouro, incenso e mirra, o que coloca essas duas resinas em pé de igualdade com o metal precioso, devido ao seu valor, uso e raridade, inestimáveis para os povos antigos.

Origens asiáticas – Na Ásia, o uso do incenso está intimamente ligado ao budismo e à sua expansão pelos países daquele continente. No Japão, ao redor do ano 538 da nossa era (século 6), enquanto o Ocidente presenciava a queda do Império Romano, os monges budistas já utilizavam o incenso em cultos religiosos.

No livro Crônicas do Japão, do mesmo século, há registros de que uma madeira aromática rara, chamada jinkoh, foi oferecida à corte imperial. Os aristocratas da época aprenderam a apreciar e a utilizar o koh (aroma), que sempre teve um importante papel no budismo como uma oferta de purificação e também pela capacidade de acalmar a mente e abrir novos horizontes espirituais. Enquanto no Ocidente o uso das fragrâncias aromáticas deu origem aos perfumes líquidos, no Japão, a partir do século 8, os aristocratas da corte começaram a utilizar o aroma das madeiras para impregnar os quimonos com suas fragrâncias preferidas.

Na Ásia, o uso do incenso está intimamente
ligado ao budismo.

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Serviço

As madeiras raras utilizadas na cerimônia do incenso, assim como outros incensos de origem japonesa, podem ser encontradas na Chuo Guinza do Brasil: fone (11) 3063-9818; fax (11) 3081-5878; e-mail fujinawa@nethall.com.br

       


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