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Companhia Saudável
Animais que curam - continuação

Alexandra Boulat/Sipa-Press

Quando iam juntos às compras, algo que ela detestava e costumava evitar ao máximo, ele caminhava ao lado dela, como que esperando um dos ataques de tosse asmática que ela costumava ter. Quando Mickey começava a tossir, ele apoiava o corpo contra o dela, obrigando-a a diminuir o passo e fazendo-a respirar no mesmo ritmo dele, o que ela fazia colocando a mão no pescoço do animal.

“Tocar o pêlo de Jake”, conta ela, “era como fechar um circuito ligando-me a um fio-terra. A asma ia embora na hora”.

Meses depois, ela se sentiu bem o suficiente para arranjar um emprego numa emissora de TV, embora temesse as dores de cabeça que tinha sempre que percorria de carro a longa distância até o trabalho. Enquanto dirigia pela cidade, Jake, deitado no banco do passageiro ao lado dela, descansava a cabeça em seu colo.

“Sua respiração lenta e relaxante era como ondinhas no mar”, ela dizia.

Mickey acariciava a cabeça dele e absorvia a calma que o cão irradiava. Assim as enxaquecas logo iam embora.

O trabalho de Mickey exigia que ela fizesse algumas entrevistas ao vivo para a TV. Enquanto se preparava para a primeira delas, seu estômago começou a revirar de ansiedade, o que no passado costumava deixá-la completamente nauseada. Mas Jake cutucou-a com a cabeça – um sinal, pensou Mickey, para que ela fosse em frente e fizesse a entrevista. Mostrando companheirismo e ansiedade, ele enfrentou as câmeras junto com ela. Quando ficava nervosa, ele olhava para ela com um olhar de compreensão e estímulo. Logo seu estômago parou de dar voltas.

Alexandra Boulat/Sipa-Press

Um dia Mickey percebeu que não tomava seu remédio de asma havia meses. Suas enxaquecas também foram ficando mais espaçadas, até que nunca mais voltaram.

“Os olhos de Jake me diziam: ‘Amo você. Nunca deixarei que algo lhe aconteça’”, conta ela. “A presença dele era como grandes braços fortes que me envolviam e protegiam.”

A presença reconfortante de Jake a havia curado.

Quando Joan Price dirigia numa rua perto de sua casa em Sebastopol, Califórnia, um outro carro bateu de frente com o dela. Uma das pernas de Joan sofreu uma grave fratura e seu pé foi quase decepado. Depois de dez dias no hospital, ela foi para casa deprimida, com raiva e traumatizada pela experiência. À noite, tinha pesadelos recorrentes sobre o acidente. Durante o dia, mesmo quando tomava os remédios prescritos, sentia dor constantemente.

“Sinto como se as minhas pernas queimassem”, lamentou-se ela a uma amiga.

Como Joan morava sozinha, seus amigos olhavam por ela e lhe levavam comida. E sua gata de olhos dourados, Ylla, uma independente bolinha de pêlo, também a ajudava a se recuperar – muito embora, antes do acidente, costumasse se recusar a sentar-se no colo da dona ou a dormir na cama dela.

Antes de ir morar na casa de Joan, Ylla pertencera a um homem que não demonstrava nenhum respeito ou amor pelos gatos. Ele havia deixado que seu cachorro a mordesse e a atirara contra a porta quando ela tentara aconchegar-se a ele. Para se livrar dela, de uma vez por todas, ele a levara para o vizinho de Joan.

Sônia Anele

“Você tem de ficar com ela”, ele insistira. “Se eu ficar, acabo matando esta gata.”

Quando a gata perambulou pelo quintal de Joan e olhou para ela com um olhar desesperado, ela soube que tinha de salvar o animalzinho. Então a levou para casa.

Embora Ylla fosse extremamente afetuosa, sempre mantinha distância. Quer dizer, até o acidente. Quando Joan chegou do hospital, a gata pulou na cama dela, cheirou sua perna e deitou sobre seu peito. Dia e noite, Ylla ficava feito uma galinha choca sobre Joan, ronronando sem parar. Se Joan se virasse ou mudasse de posição, Ylla fazia o mesmo, para se acomodar melhor. Sem desgrudar de Joan um instante sequer, a gata só deixava seu posto para comer ou passear pelo quintal.

O amor e a atenção constantes de Ylla não deixaram que Joan se sentisse sozinha. A gata em seus braços também a ajudou a acreditar que ela se recuperaria. Poucas semanas depois de deixar o hospital, Joan já conseguia sair da cama por breves períodos. Então, por vários meses, mancou apoiada em muletas. Enquanto Joan recuperava as forças, Ylla lhe fez companhia, dando-lhe seu apoio e curando-a com seu ronronar.

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