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DA REDAÇÃO

Da Redação
Eterno Natal

Burne -Jones, A Estrela de Bethlem (detalhe)
Cláudio Versiani
Nascimento de Jesus Cristo: simbologia para ser vivenciada todos os dias do ano.

E se Cristo voltasse à Terra? A pergunta, ponto de partida do artigo de Carlos Cardoso Aveline, já havia me passado pela cabeça tempos atrás, quando notícias de um suposto Messias brasileiro chegou à redação. Evidentemente não me deixei impressionar, mas o questionamento foi inevitável: “E se, de fato, ele ressurgisse, em carne e osso, entre nós?” A minha única certeza – confesso que não me detive muito sobre o tema – foi a respeito da repetição de sua sorte: ele seria novamente crucificado. Pensando bem, crucificação é uma prática há muito abandonada. De qualquer maneira, infelizmente, creio que acabaria sendo assassinado de forma cruel. Afinal, seus ensinamentos continuariam os mesmos, girando, sobretudo, em torno do amor ao próximo, da justiça e do espírito de fraternidade. Se o mundo, por sua vez, evoluiu, em essência não difere tanto assim da época dos romanos; hoje, até mesmo os seguidores do cristianismo têm dificuldade de colocar em prática as lições de Jesus.

Seja como for, segundo Carlos Aveline, em nossa atual etapa de evolução, nenhum mestre espiritual tomará a forma humana. Poder conviver, fisicamente, com instrutores como Cristo foi privilégio de poucos. À humanidade atual foi reservado o direito de encontrar-se com ele de forma simbólica e interior. É isso que, no final das contas, acaba acontecendo no Ocidente a cada Natal. Esse encontro com data e hora marcadas, porém, é ainda muito pouco se queremos cumprir o destino de transformar a nós mesmos e ao mundo. Na verdade, o seu renascimento, assim como o de Buda ou de qualquer outro ser iluminado, deve se dar cotidianamente, através de nossos pensamentos e ações. A tarefa, como bem mostra a Monja Coen na entrevista deste mês, não é nada fácil. Cabe a nós, no entanto, ter esperança, boa vontade e persistência, procurando estender o espírito de Natal por todos os dias do novo ano, que logo se inicia. Feliz empreitada, caro leitor!

Fátima Afonso, redatora-chefe


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