| |
Terra verde
Demarcando terras indígenas
Por
Rebeca Lerer -
Rebeca Lerer faz parte da Campanha da Amazônia do Greenpeace,
organização internacional sem fins lucrativos
que luta pela preservação do meio ambiente.
Saiba mais sobre o Greenpeace ligando para 0800-112510, ou
através do site www.greenpeace.org.br
|
Greenpeace
|
 |
| Greenpeace
se une aos deni para salvar patrimônio indígena da
ação das madeireiras. |
No
último dia 11 de setembro, o povo indígena deni
começou a abertura de trilhas na Floresta Amazônica
para demarcar fisicamente seu território tradicional,
situado nos municípios de Itamarati e Tapauá,
no Amazonas. O objetivo dos deni é proteger suas terras
da exploração comercial de empresas madeireiras,
que têm interesse nos recursos naturais concentrados
na área. Essa é a primeira vez que um povo indígena
conduz a demarcação de seu território
na Amazônia sem a assistência do governo federal.
Faz 15 anos que esperamos que o governo brasileiro
garanta a proteção de nossas terras através
da demarcação. Enquanto isso, o povo deni convive
com a ameaça de empresas madeireiras que querem destruir
nossa casa, disse o chefe deni Haku Varashadeni. Pedimos
que o governo brasileiro reconheça nossa demarcação
e afaste de vez os perigos que ameaçam nosso povo e
nossa terra.
A
história do Greenpeace com os deni começou em
maio de 1999, quando a primeira expedição
da entidade aportou nas aldeias do rio Cuniuá, bacia
do rio Purus, sudeste do Amazonas. Na ocasião, Paulo
Adário, coordenador da campanha da Amazônia,
contou aos deni que parte de seu território tinha sido
comprada pela empresa madeireira malaia WTK/Amaplac. A área
adquirida pela WTK chega a 313 mil hectares de floresta no
vale dos rios Purus e Juruá, dos quais 150 mil hectares
são terras de uso tradicional dos índios deni.
Cerca
de 660 índios deni ocupam uma área remota
de 1,53 milhão de hectares de floresta nativa e exuberante.
São quatro aldeias no rio Cuniuá (afluente do
Purus) e outras quatro no rio Xeruã (afluente do Juruá).
A demarcação do território deni começou
a ser discutida em 1985. Mais de 16 anos depois, eles continuam
expostos às tentativas de invasão de seu território,
esperando pelo reconhecimento oficial do seu direito à
terra.
A
WTK chegou a submeter um Plano de Manejo Florestal ao Ibama.
Para afastar a ameaça da madeireira operar dentro das
terras indígenas, o Greenpeace iniciou uma forte campanha
pública, que resultou na perda da maioria dos clientes
da WTK na Inglaterra. Sentindo a pressão dos consumidores,
a madeireira não iniciou o corte de árvores
na área. Apenas a demarcação física
do território, porém, pode garantir a integridade
dos seus recursos naturais. Por isso, nasceu o Projeto de
Apoio à Demarcação da Terra Indígena
Deni, uma parceria entre o Greenpeace e as organizações
Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e Opan (Operação
Amazônia Nativa), composto por uma equipe multidisciplinar
que incluiu engenheiros, indigenistas e cientistas sociais.
A partir de referências como o pôr-do-sol e o
arco e flecha, esse grupo ensinou os deni a ler coordenadas
geográficas no GPS (sistema de posicionamento por satélite),
interpretar ângulos e graus em aparelhos de topografia,
como o teodolito, e a localizar seu ter- ritório no
mapa do Brasil.
No
dia 23 de fevereiro de 2001, a equipe do projeto, mais
um time de documentação do Greenpeace e oito
líderes deni navegaram pelo igarapé Aruazinho
até o P18, um dos marcos geográficos que delimitam
a fronteira sul do território deni. A finalidade da
viagem era colocar em prática os conhecimentos adquiridos
durante as oficinas.
Desde
setembro, uma equipe de técnicos brasileiros do Greenpeace,
Cimi e Opan, e um time internacional composto por 12 voluntários
dão apoio logístico a esses índios nos
trabalhos de delimitação da área. Uma
vez que o trabalho dos deni esteja concluído e o decreto
para demarcação seja assinado pelo governo,
a área se torna de uso exclusivo deles, afastando madeireiros
e outros invasores, disse Nilo D´Ávila,
engenheiro florestal e coordenador do projeto.
|
|
|