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Edição 350


 

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Cláudio Pastro
Imagens do Sagrado

A seguir, mostramos um pouco da obra do brasileiro Cláudio Pastro, que está toda baseada nas proposições do Concílio Ecumênico Vaticano II. As imagens aqui mostradas são parte do livro Arte Sacra, recentemente publicado pela Editora Paulinas.

Por Fátima Afonso

Capela da Casa Provincial das Irmãs de Santo André/Pompéia, São Paulo, SP

PLANETA – Toda sua obra é voltada para a arte sacra. O que levou você a escolher especificamente essa área?
Cláudio Pastro –
Primeiro, eu me formei em ciências sociais, em 1972, pela PUC. Depois, talvez por uma formação cristã muito boa e por influência de algumas pessoas, eu achei que deveria entrar pela arte sacra. Sobretudo porque, há 30 anos, essa área não era nada valorizada. Aliás, para o Brasil, a arte sacra é barroco, e barroco, na verdade, é arte religiosa.

PLANETA – Qual a diferença básica entre arte religiosa e sacra?
Cláudio Pastro –
A arte sacra é objetiva, ela vem da essência do mistério da própria religião. A arte religiosa é devocional, é subjetiva; ela vem do freguês, que opta por esse ou aquele santinho; não tem nada a ver com o mistério do cristianismo.

PLANETA – A arte sacra está mais ligada ao cristianismo primitivo...
Cláudio Pastro –
Primitivo e na essência. Se o Concílio Vaticano II foi ecumênico, ela busca a essência das coisas, principalmente trazendo uma ecumine com as demais religiões sobretudo cristãs – luterana, presbiteriana, etc. Quer dizer, é um concílio que pede a unidade, que se faz na essência do mistério. A arte religiosa é muito particular. Por exemplo, Nossa Senhora de Fátima é subjetiva do povo português; ela não faz nenhuma falta para o mistério da Igreja.

Cortesia Editora Paulinas
Cláudio Pastro: busca pessoal que resultou em 30 anos de dedicação à arte sacra.

PLANETA – Ao que parece, você foi criado muito próximo a padres, monges, mosteiros...
Cláudio Pastro –
Sim, mas eu nunca estudei em colégio católico, estudei sempre em colégio do Estado, que aliás eram ótimos. Quando eu tinha cerca de 20 anos, minha vontade era ser monge, mas não cheguei a ter nenhuma ligação grande com os mosteiros. Tive ligação com certos monges, com certas pessoas do cristianismo, que me ajudaram muito, principalmente na própria arte sacra. Eram pessoas de vanguarda na Europa, que eu tive a sorte de encontrar. Elas me alertaram muito para a linha do meu trabalho.

PLANETA – Em 30 anos de profissão, você já pintou, reformou e concebeu arquitetonicamente mais de 230 igrejas e capelas no Brasil e no Exterior. Entre as suas obras, quais as que você elegeria como as principais, as suas preferidas?
Cláudio Pastro -
Uma das principais é a Capela das Andrelinas, aqui no Bairro da Pompéia, que é justamente a que abre meu livro – Arte Sacra. Ela é bem clean...

Igreja da Santíssima Trindade/Petrópolis, Rio de Janeiro

PLANETA – Toda a sua obra é clean...
Cláudio Pastro –
Mas essa, em especial. Depois, a gente pode citar a capela dos beneditinos de Brasília, que tem uma boa concepção arquitetônica e litúrgica a partir do Concílio Ecumênico. Ele está no livro também. Um outro trabalho bonito, que está sendo extremamente mal usado, é a capela da Rede Vida de Televisão. Eu fiz um terno para o caipira usar... Os padres não sabem usá-la, são cafonas, não sabem o valor dos gestos, do espaço. O próprio diretor da Rede Vida é um caipirão que tem muito dinheiro...

Uma outra igreja bonita é a catedral de Campo Limpo, na zona Sul de São Paulo. A arquitetura não é minha, mas o interior é meu. Nesse caso, eu trabalhei com o Fábio Gonçalves, que é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Eu gosto muito da Capela do Advento, na Alemanha; suas paredes são todas pretas...

Afresco da capela do Colégio Marista de Maceió/Alagoas

PLANETA – Você não teve uma educação artística, mas é escultor, pintor, faz arquitetura... Como você explica isso?
Cláudio Pastro –
Foi a minha busca, busca de criar espaços bonitos, expressivos dentro da Igreja católica. No início – eu comecei quando tinha cerca de 20 anos de idade –, eu buscava uma arte muito indígena e africana, bem primitiva. Eu queria caminhar naquela linha, porque não podia entender que o cristianismo no Brasil não pegou essa espiritualidade dos nossos índios e negros. Mas, assim que eu comecei a trabalhar, a Igreja católica me podou. Eu tenho de trabalhar para sobreviver, e as pessoas queriam aquela coisa melodramática, bonitinha, chorosa. Então, não pude avançar nessa área. Quando eu faço exposições na Europa, até que entro por aí. Os europeus se sentem felizes e compram adoidado. Mas aqui eu não posso nem ousar.

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