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A Psicologia do Conflito
A Eterna Luta Entre o Bem e o Mal - continuação
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Catherine Leroy/Sipa-Press |
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| A
falta de um trabalho para reabilitar os presos garante
bodes expiatórios para os nossos erros. |
É
justamente essa cisão que nos faz torcer e vibrar
com as heróicas incursões de exércitos
de um só homem, que mostram como, através
da bravura e da força de vontade, um único indivíduo
é capaz de dominar e destruir o poderoso inimigo. Esse
herói é o retrato do homem que se separa da
divindade
existente nele.
Em nossa psique, isso se traduz no ego, que cindiu
com o self. Ele deveria ser apenas o condutor dos desígnios
supremos do self, mas se apropria e se autodelega o poder
de reinar sobre todo o sistema.
Essa inflação egóica cria uma verdadeira
megalomania, na qual se perdem os limites ditados pela condição
humana. Do ponto de vista psicológico, ela representa
uma involução da consciência, que perde
seu mais importante atributo: a discriminação.
| Paula
Alzugarai/Prensa Três |
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| Peregrinos
do Caminho de Santiago: busca mística para reencontrar-se
com a divindade. |
As
conseqüências disso são sempre desastrosas,
pois, se não nos damos conta da realidade, ela dá
conta de nós. E não faltam exemplos para mostrar
como a realidade está lidando conosco: as
mudanças climáticas, as doenças humanas
e animais, como a da vaca louca (gerada a partir da mudança
alimentar do gado), sem pensar no que advirá ainda
da reengenharia genética...
Realmente o mundo, daqui pra frente, não será
mais o mesmo, porém, não somente por conta do
ataque terrorista ao World Trade Center, mas porque nossas
esperanças de felicidade, de segurança, de paz
na Terra aos homens de boa vontade já vêm
ruindo faz algum tempo, principalmente através da perda
de valores, como a ética, a honestidade e a justiça.
Na verdade, há muito não existem mais caminhos
retos, estradas planas, certezas absolutas; existe sim, na
maioria das vezes, o andar em círculos, as incertezas
e perdas.
É
exatamente esse caos, porém, que pode abrir espaço
para buscarmos novas verdades. O arquétipo do caminho
já ilumina nossas estradas há algum tempo. Não
foi à toa que a peregrinação de Paulo
Coelho pelo Caminho de Santiago ganhou tanta divulgação:
de certa forma, sincronicamente o escritor captou a necessidade
auto-realizadora desse momento da humanidade. O caminho misticamente
descrito por ele é o caminho da individuação,
ou seja, da busca do centro, do self, da religação
do homem com a divindade. Essa é uma senda de perdas,
de provas, de confrontações com nossos monstros.
Aqui o herói não destrói o inimigo, mas
se reconcilia com ele; e não pode se prender às
armadilhas da vaidade, pois deve conhecer sua imperfeição.
Na linguagem alquímica, é a matéria-prima
(ou nigredo) em seu estado bruto que pode ser transformada
em ouro. Da mesma maneira, somente quando reconhecemos nossa
condição moral imperfeita, deixamos de ser possuídos
por nossa sombra e podemos recuperar a própria integridade.
Como
nos ensinou Jung, se a pessoa deseja ter uma resposta
para o problema do mal, precisa de autoconhecimento, ou seja,
do conhecimento de sua totalidade.
Precisa saber a fundo quanto bem pode fazer e quantos crimes
é capaz de cometer. Não deve encarar um como
real e outro como ilusório, pois ambos são elementos
da sua natureza (...).(1)
Não nos esqueçamos, alerta ele
ainda, de que em nossas almas há mundos tão
vastos que a evolução de uma nação
ou de todo universo poderia ocorrer no interior de nós
mesmos. Se pensarmos assim, somos forçados a
aceitar a nossa responsabilidade individual na transformação
positiva do planeta. Para lidarmos com a questão do
mal devemos, antes de tudo, lançar luz sobre a nossa
própria sombra.
Nota
(1) C. G. Jung em Problemas Psíquicos do Mundo
Atual, Monte Ávila Editores.
O que há para se ler
Retorno da Deusa, Edward C. Wititmont, Summus Editorial; Ao
Encontro da Sombra, vários autores, Cultrix Editorial;
O Herói Interior, Carol S. Pearson, Cultrix Editorial;
O Despertar do Herói Interior, Carol S. Pearson, Pensamento.
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