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A Psicologia do Conflito
A Eterna Luta Entre o Bem e o Mal
O conflito no Afeganistão coloca em evidência o óbvio: se
queremos um mundo melhor, precisamos antes reconhecer a nossa
própria sombra.
Vera
Lúcia Franco - Contatos
com a autora podem ser feitos através do telefone (11) 5549-4742.
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| Artilharia,
Roger de La Fresnaye, Museu Metropolitano de Nova
York. |
A
escalada do terrorismo traz à tona uma questão
tão velha quanto a própria humanidade: a eterna
luta entre o bem e o mal. Em 11 de setembro de 2001, o mal
irrompeu com violência implacável, deixando atrás
de si um rastro de sangue, dor e desespero. O mundo assistia,
atônito, ao pior ataque terrorista da história,
que mais parecia ficção do que realidade.
Juntamente com um dos seus maiores símbolos
econômicos o World Trade Center , o americano
sentiu ruir seu senso de identidade, formado a partir de seu
poder de defender a ordem, de sua capacidade de conquistar,
possuir e assimilar os objetos e adversários que lhes
oponham resistência. Pior ainda: dessa vez o inimigo
não tem nome, não tem rosto, não deixou
pegadas. Como achá-lo?
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Tribunal
da Inquisição: projeção
da sombra católica sobre
feiticeiros e bruxas. |
Diante
de tão duro golpe, os americanos só
poderiam mesmo promover uma cruzada santa em direção
aos que eles julgam serem os causadores do mal, para tentar
subjugá-los, trancafiá-los ou, quem sabe, até
exterminá-los.
Os Estados Unidos convocaram o mundo para a guerra
como se, através de armas, pudessem eliminar o mal
da face da Terra. Eles esquecem que o mal é tão
inerente à espécie humana quanto o bem e acompanha
a humanidade desde o seu alvorecer, não podendo, portanto,
ser destruído.
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Sipa-Press
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| Desastres
climáticos: desequilíbrios sentidos na natureza. |
Não
podemos ignorar o que a história já registrou:
as Cruzadas, a Inquisição, Hiroshima, Hitler,
o fascismo... Todas as guerras santas estavam
plenas de mal que nada mais é do que a percepção
do senso de inferioridade e animalidade humanos , uma
vez que as sombras de nações inteiras se projetavam
sobre os chamados inimigos ou bodes expiatórios:
as bruxas, os judeus, etc.
O
episódio da Guerra Fria entre os Estados Unidos
e a antiga União Soviética ilustra bem o que
esse interjogo de projeções da sombra pode provocar.
Um país via o sistema político e social do outro
como a causa de todos os males da humanidade e, por conta
disso, legalizaram o uso da violência para ali eliminar
os sistemas inimigos, onde quer que eles existissem.
Não é somente aí, porém, que
constatamos a existência do mal. Nós o vemos
diariamente estampado, por exemplo, na maioria de nossos políticos,
que empurram o povo a sonhos impossíveis; só
após o cumprimento de seus mandatos, percebemos a verdadeira
intenção de seus atos em geral, assaltar
os cofres públicos. Muitos líderes, travestidos
de salvadores da pátria, arrastam multidões
atrás de si e nada mais são do que lobos em
pele de cordeiros.
Em um artigo para o jornal Inroads, J. Fjerkenstand
mostra como a cultura faz com que os criminosos carreguem
suas partes indignas e escuras. Segundo ele, a sociedade não
tenta realmente reabilitá-los, simplesmente os transforma
em bodes expiatórios para o sacrifício. Precisamos
de bandidos para que alguém, que não nós,
seja pego, afirma ele.
Necessitamos de alguém que seja o depositário
de nossas imperfeições sobretudo porque, ao
acusarmos o inimigo, encontramos uma falsa paz interior. Afinal,
com isso, não somos mais nós a causa do mal,
mas o outro. O que se pode entender, a partir daí,
é que, por não conseguir aceitar seus atributos
negativos, a humanidade vive uma cisão, que sempre
nos faz caminhar para a guerra.
próxima>>
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