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Entrevista
Palhaçadas Ecológicas -
continuação
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Fotos: Arquivo Treinadores da Alegria |
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PLANETA
Então, acabam optanto por jogar tudo no lixo
mais próximo...
Eduardo Mancini Sim. Com o tipo de trabalho que
desenvolvemos, no entanto, se a pessoa continuar tendo atitudes
como essa, seus colegas vão cobrar dela, porque nós
ridicularizamos essa situação durante toda a
peça.
PLANETA
A implantação da ISO 14.000, a certificação
ecológica, é bastante trabalhosa, exige a observação
de muitos itens. Vocês têm sido convocados para
ajudar nesse processo?
Eduardo Mancini Esse vem sendo o segundo trabalho
mais feito por nós. Nesse caso, fazemos um apanhado
geral sobre meio ambiente: falamos de todas as questões
de lixo, de poluição de ar, água e solo,
de efeito estufa, gases tóxicos, economia de água
e luz elétrica, e tratamos, de forma bem leve, da política
de gestão ambiental, porque às vezes os auditores
que vão dar o certificado ecológico para a empresa
querem saber se o funcionário está inteirado
sobre isso.
PLANETA Os espetáculos do grupo demoram,
em média, 20 minutos. Esse tempo é suficiente
para alcançar o objetivo na conscientização?
Eduardo Mancini Nós temos espetáculos
que vão de 15 a 50 minutos. Eu acho que mesmo o de
50, no qual falamos praticamente sobre todos os assuntos relacionados
a meio ambiente, e em alguns casos vamos a fundo, não
é suficiente para isso. Na verdade, o teatro não
tem a função de modificar a pessoa naquele momento,
mas de motivá-la a se transformar. Comparando o teatro
com uma palestra, porém, eu acho que a mensagem do
teatro vai ficar dez vezes mais na cabeça do espectador.
Dali a um ano, o indivíduo vai ainda ligar determinados
fatos ao que os palhaços falaram sobre efeito estufa,
por exemplo. Normalmente, os palestrantes são especialistas
em assuntos específicos e não têm um tipo
de comunicação adequada para o grande público;
eles falam muito em termos técnicos, estão acostumados
com isso. Já o teatro tem a vantagem de estar sempre
procurando uma forma diferente de atingir o público.
De qualquer maneira, nós não fazemos uma conscientização,
mas alertamos as pessoas, despertamos a sua atenção
pra que tenham um pouco mais de interesse pelos assuntos ambientais...
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PLANETA
Vocês nunca pensaram em levar esses espetáculos
para as escolas?
Eduardo Mancini Na verdade, nós já
fizemos muitos trabalhos em escolas. Só que chegou
um momento em que a escola começou a nos cansar, porque,
além do desgaste do dia-a-dia, começou a haver
cada vez menor respeito dos alunos em relação
a nós. Por outro lado, surgiram também outros
grupos, que trabalham por um preço absurdamente baixo,
e não tínhamos mais como conseguir tirar dinheiro
daquilo; por isso, acabamos nos afastando das escolas.
PLANETA O que falta para vocês colocarem em
prática o Projeto Educação Ambiental
em Parques Públicos Estaduais, que parece já
ter sido inclusive autorizado pela Secretaria do Meio Ambiente?
Eduardo Mancini Na verdade, nós não
temos mais a autorização porque a pessoa que
estava entrando no projeto conosco adoeceu e seu substituto
não quis dar continuidade a ele. Mas tenho certeza
de que, se conseguir patrocinador para bancar a idéia
é o que falta , a secretaria vai autorizar.
PLANETA
Existem outros grupos no Brasil que fazem um trabalho
semelhante ao de vocês?
Eduardo Mancini Existem, mas não na área
ambiental. Aliás, nós resolvemos nos dedicar
ao meio ambiente por dois motivos: porque essa é uma
paixão particular do grupo e porque não há
muitos especialistas nessa área. Muita gente que faz
teatro voltado para questões ecológicas não
trabalha as questões ambientais como um todo, mas faz
espetáculos voltados para a fauna e a flora. Nós
trabalhamos com questões urbanas. Os maiores problemas
ambientais de São Paulo, com certeza, são o
lixo e a poluição. Então, é isso
que precisamos atingir, essas duas coisas ligadas. Nós
passamos aqui por problemas sérios de enchente, cujas
causas têm a ver com o clima, com a má administração
das prefeituras e, nos últimos anos, com a falta de
consciência da população, que tem o péssimo
hábito de jogar um papelzinho aqui, uma bituca de cigarro
ali, etc. Há pessoas que jogam sofá, cama, cadeira,
piano, qualquer coisa no córrego. E é isso que,
na realidade, procuramos trabalhar.
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PLANETA
Existe alguma ligação entre vocês
e os Doutores da Alegria?
Eduardo Mancini Não. Na verdade, logo que
os Doutores da Alegria entraram no Brasil, há dez anos,
eu tive uma grande possibilidade de trabalhar com eles. Eu
estava fazendo um curso de teatro com a doutora Taís
e, inclusive, fui acompanhá-la em uma apresentação
no hospital. É um trabalho lindo, pelo qual eu tenho
o maior respeito. Só que eu percebi que você
precisa estar muito bem para fazer aquele tipo de trabalho,
porque cada dia é um problema que se tem de enfrentar,
e é necessário continuar divertindo as pessoas.
Você chega lá para brincar em um quarto e percebe
que determinada criança morreu, por exemplo. Como naquele
momento eu não estava passando por uma fase emocional
muito boa, preferi desistir.Na
verdade, quando começamos a fazer o trabalho em empresas,
nosso grupo ainda não tinha nome. Usávamos o
nome do meu grupo de teatro, que é o Teatralha e Companhia.
Mas eu queria um outro nome para o grupo de teatro-empresa.
E um dia, conversando com uma amiga, eu contei-lhe as experiências
que estávamos tendo, e ela comentou: Nossa! Mas
vocês estão trabalhando bastante com isso...
Qualquer dia, se continuar desse jeito, vocês vão
ser os Doutores da Alegria da área de treinamento.
Fiquei com aquilo na cabeça e, de repente, pintou o
nome: Treinadores da Alegria. Na realidade, é até
uma homenagem a eles, mesmo porque são
todos meus amigos.
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