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Sexo Zen
A Doce Entrega Amorosa
Baseado na tradicional cerimônia do chá e na filosofia zen,
o Caminho da Entrega ensina a fazer do sexo um momento de
profunda dedicação, generosidade e respeito em relação ao
ser amado.
Por
Philip Toshio Sudo - O
texto a seguir é um capítulo do livro Sexo Zen – O Caminho
da Plenitude, de Philip Toshio Sudo, publicado no Brasil
pela Editora Sextante. Tradução: Heloisa Lanari.
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Murilo Martins
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O
sexo zen é simplesmente isso: amantes fazendo amor,
entregando-se um ao outro, querendo entregar-se ao outro.
Não retirando, não precisando, não sendo
egoísta, mas com generosidade e devoção
no momento do sexo. O desafio é manter esse espírito
em todos os momentos de um relacionamento.
O Caminho da Entrega é baseado nas técnicas
da cerimônia japonesa do chá, chado (o
Caminho do Chá). Cada encontro para o chá
é uma chance para que anfitrião e convidado
estabeleçam uma comunhão na singularidade do
momento. O anfitrião mostra ao convidado toda a sua
consideração e o convidado retribui com gratidão.
Dessa maneira singela, os dois criam uma harmonia entre si
e, portanto, com o mundo.
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Prensa Três
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| Cerimônia
japonesa do chá: anfitriões e convidados vivem um
singular momento de comunhão. |
Um
dos princípios fundamentais do chado se aplica
diretamente à entrega. Chama-se kokoro ire, ou inclusão
do espírito do coração. Simplesmente
ponha seu coração em tudo o que fizer, dizem
os mestres do chá. Não sirva o chá querendo
impressionar os outros ou esperando algo em troca. Sirva seus
convidados porque você quer servir, com um coração
humilde e sincero. No chado, o chá mais requintado
não é o servido pelo anfitrião em sua
sala de chá cheia de ouro e brocados. O ingrediente
mais importante, como em qualquer refeição,
é a dedicação amorosa de quem a prepara.
Uma história envolvendo o mais famoso mestre
japonês do chá, Sem Rikyu (1522-1591), ilustra
bem o tema. É sobre um plantador de chá que
certa vez convidou o grande mestre para tomar chá:
Tomado
de alegria por Rikyu ter aceito o convite, o plantador
de chá levou-o à sala de chá e lhe serviu
a bebida. No entanto, devido à sua emoção,
suas mãos tremeram e seu desempenho foi desastroso,
deixando cair o coador e espalhando seu conteúdo. Os
outros convidados, discípulos de Rikyu, disfarçaram
o riso diante do desempenho do homem ao servir o chá,
mas Rikyu disse, comovido: Esplêndido.
No
caminho de volta para casa, um dos discípulos perguntou
a Rikyu: Por que você ficou tão impressionado
com um desempenho tão vergonhoso? Rikyu respondeu:
Esse homem não me convidou querendo exibir suas
habilidades. Ele simplesmente queria me servir chá
de todo o seu coração. Ele preparou um chá
para mim com enorme dedicação, sem se preocupar
com imperfeições. Fiquei comovido com sua sinceridade.
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Klint, O Beijo/Österreichische, Viena
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| Relacionamentos
harmoniosos: inclusão do “espírito do coração”. |
Este
é o caminho para uma realização mais
elevada no zen: dar pelo simples prazer de dar. Às
vezes, pensamos que um relacionamento requer muito dinheiro,
uma bela casa, ou presentes caros. Mas o espírito de
kokoro ire a inclusão de todo o seu coração
nos faz lembrar que nada é mais importante do
que o amor que dedicamos às pessoas com quem estamos.
Toda pessoa é uma manifestação do espírito
divino. Assim, para nos dedicarmos totalmente a alguém,
devemos mostrar respeito não somente a essa pessoa,
mas também à grande força divina presente
em todas as coisas.
Às vezes, as pessoas fazem sexo por obrigação
ou manifestando insegurança. O sexo não deve
ser uma tarefa. Se você está fazendo amor enquanto
pensa na roupa suja ou no que terá de fazer no trabalho
amanhã, sua mente e seu corpo não estão
unidos. Com uma atitude indiferente não vale a pena
fazer amor. Não se arraste pelo caminho. Se é
necessário arrastar seus pés, você está
no caminho errado.
Além disso, não ceda a um desejo egocêntrico
de provar alguma coisa na cama. Grande parte dos conselhos
para aprimorarmos nossas vidas sexuais dizem respeito à
técnica. São coisas do tipo posições
sexuais para contorcionistas, como atingir o ponto G, cento
e uma maneiras de se beijar. Não importa se um amante
tem uma técnica fantástica. Se ele não
entregar seu coração, o sexo logo ficará
vazio, como uma peça encenada por atores. O espírito
do sexo deve estar presente, o espírito da entrega.
A técnica é acessório que pode ajudar,
mas não substitui.
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Moroshige/século 17
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| O
sexo zen pede a entrega total e sincera dos amantes. |
Da
mesma maneira, evite se entregar com uma determinação
excessiva. O bom sexo não resulta de tentativa exagerada.
Relaxe e não se apresse. Como Rikyu diz do chado, é
bom que o anfitrião e o convidado se empenhem e conseqüentemente
satisfaçam um ao outro. No entanto, não é
bom que eles visem ao objetivo da satisfação
desde o início.
Tudo o que é preciso para ser um bom amante
é um coração generoso. Se não
houver muita técnica, ensinem um ao outro. Vocês
irão aprendendo juntos e encontrarão o maior
encanto nesse aprendizado.
Também
não faça estardalhaço sobre sua entrega,
pois isso suscita sentimentos de obrigação ou
reciprocidade. Realize um bom trabalho em segredo,
dizem os mestres. Esse é o conceito japonês de
toku, cuja tradução é virtude,
mas na prática significa boa ação
sem retribuição. Toku é como o
amor que dedicamos a um recém-nascido. Enquanto o bebê
cresce, ele desconhece nossos sacrifícios. Ele só
sabe que é feliz, e nossa recompensa se encontra aí.
Dê seu amor às pessoas de uma maneira que
elas jamais saberão e você elevará
o espírito coletivo da humanidade.
Não é preciso se preocupar em ganhar algo
em troca, porque, quando dois amantes fazem sexo, dar
e receber se tornam a mesma coisa. Um amante está dentro
do outro. A diferença entre dar e receber é
insignificante. Nas palavras do filósofo romântico
Kahlil Gibran (1883-1931), o prazer da abelha é
recolher o néctar da flor, mas é também
o prazer da flor dar seu néctar à abelha. Pois,
para a abelha, a flor é a fonte da vida e, para a flor,
a abelha é uma mensageira do amor. Para ambas, abelha
e flor, dar e receber prazer são necessidades e fontes
de êxtase.
Quando você está verdadeiramente em comunhão
com tudo, pode dar qualquer coisa, porque ainda terá
tudo. Você pode abrir seu coração livremente
e dar o melhor de si, porque o que há dentro de você
é inesgotável. Os mestres zen dizem: Havendo
profundidade bastante, a fonte suprirá amplamente o
riacho. Não importa o que dermos, sempre nos
sentiremos recompensados, pois a fonte de nossa doação
é ilimitada.
É a fonte do amor.
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