TARÔ
BISCOITO DA SORTE
REALEJO
BOLA 8
PAR PERFEITO
I-CHING
RUNAS
VIDENTE
NUMEROLOGIA
HORÓSCOPO
 CAPA
 ÍNDICE
 ENTREVISTAS
 CHATS ANTERIORES

 CANAIS

 Guia Cósmico
 Área 51
 Encantamentos
 Transcendendo
 Reconectando
 Paranormal

 BIBLIOTECA PLANETA

 Edições Anteriores
 Especiais

 BUSCA

Procure outras matérias

 

 


Edição 349

ASSINATURAS
EXPEDIENTE
PUBLICIDADE
NEWSLETTER
FALE CONOSCO

Índice 349 | Da Redação | Cartas | Jornal | Astrologia | Terra verde
Imagem e Som | Turismo | Livros | Agenda | Clube do Leitor
 


Entrevista
Roberto Sabatella
A Arte de Morar Bem

Roberto Sabatella, professor de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra aos leitores de PLANETA a nova tendência arquitetônica, que integra o homem à natureza, e aponta soluções para se resolver os principais problemas de grandes centros como São Paulo.

Por Fátima Afonso

Liz Hood

PLANETA Quais as principais características de um ecoedifício?
Roberto Sabatella –
Antes gostaria de fazer um alerta. Nestes quase 15 anos de carreira (desde a faculdade como estudante, atualmente como arquiteto, urbanista e professor do curso de arquitetura e urbanismo da UFPR), tenho acompanhado uma espécie de necessidade das pessoas de repetir fórmulas e padrões estéticos e formais, uma cópia inconseqüente de modelos. Meu livro, Princípios do Ecoedifício (Editora Aquariana), não é um manual de receitas, afirmando como deve ser a arquitetura dos edifícios. O escopo da obra é gerar consciência ecológica e autoconsciência, e a partir daí ser incorporado como conteúdo conceitual no léxico de arquitetos, engenheiros e projetistas, de modo criativo. Portanto, é um compêndio conceitual ilustrado, e não um manual de padrões a serem repetidos.

As características do edifício ecológico, na verdade, começam no processo de conscientização das pessoas, pois somos o “material de construção” para o qual o edifício é destinado. Então, inicialmente, deve-se atuar de modo a internalizar os conteúdos ecológicos nos participantes do processo de planejamento, construção e habitação. Somos nós que definimos a proporção de área construída e área verde ou permeável; somos nós quem definimos as reformas, demolições e ampliações. Tudo isso tem conseqüências ambientais e construtivas.

Para caracterizar um ecoedifício, eu levo em conta primeiro a abordagem sobre paradigmas científicos e conceitos contemporâneos sobre ecologia, consciência, biologia, psicologia, etc. A partir dessa macrovisão considero várias questões. O usuário, por exemplo, deve ser compreendido como um gestor de recursos e energias do edifício. Ele pode reciclar resíduos orgânicos, inorgânicos e materiais de construção. Poucas pessoas e cidades têm essa consciência ecológica de que os recursos ambientais cumprem ciclos e que, para transformar matéria-prima, degradamos o meio. Reciclar é interferir nesses ciclos para gerar menor degradação.

Arnaldo Bento/Prensa Três
Em uma casa, o vegetal serve para refrescar, fazer sombra e canalizar ventos.

Quanto às energias, existe a possibilidade de se reciclar a água das chuvas e usar, inclusive, as águas de esgoto, diante de processos como armazenamento e até a compostagem do líquido, transformando-o em recursos para residências e condomínios. As energias solar e eólica ainda têm custos altos, mas em locais isolados seu uso já está bem difundido. Por outro lado, há recursos de uso paisagístico: a água serve para umidificar o ar em locais quentes e o vegetal para refrescar, fazer sombra e canalizar ventos. Nesse caso, pode se fazer uso de hortas, árvores frutíferas e plantas medicinais, por exemplo. Os elementos construtivos, como paredes e coberturas, são decisivos para compor espaços arquitetônicos, que conferem um microclima edificado especial e adaptado ao clima das regiões. Além de fornecerem intenso contato com a natureza, jardins e espaços com qualidade de vida são pontos de encontro das famílias e amigos.

PLANETA – A qualidade do terreno sobre o qual está a construção é um item importante para quem deseja viver dentro do paradigma ecológico. Como devemos fazer a escolha do terreno?
Sabatella – O terreno mais saudável é uma consciência em paz em todos os sentidos: construtivos, interpessoais, familiares, etc. Devemos construir nossa morada nesse solo fértil, mas o próprio paradigma ecológico nem sempre dá conta disso. Falo de ciência e consciência, algo que supera a questão do que cientificamente chama-se paradigma. Mas vamos ao terreno: sabendo o que realmente queremos, analisamos desde o contexto urbano de que circulação faremos na cidade, nossa vizinhança, se desejamos um local com ou sem comércio, escola, serviços... Tudo influenciará em nosso viver. Devemos, portanto, perguntar como queremos morar.

Observo as cidades muito em busca de concreto, e pouco em busca de qualidade de vida, pouco verde, pouca sociabilidade, pouco espaço para o ser humano. Somos resultado de uma gestação milenar, na qual interagimos com o Sol, com os vegetais, com o céu, com a terra... e lentamente nos afastamos disso e de nós mesmos. “Precisamos retornar à própria casa.”

PLANETA – Levando-se em consideração que a maioria das pessoas compra ou aluga um imóvel já pronto, como é possível, para o cidadão comum identificar qualquer problema no edifício?
Sabatella – O primeiro passo é verificar o que incomoda e o que agrada. Por que incomoda e por que agrada? Não precisamos seguir as tendências de revistas e copiar. Devemos afastar a escravidão e deixar surgir a criatividade.

Para qualificar os espaços, em geral pergunto: o quanto de nós, de nossas características pessoais e de vida, está realmente presente em nossos espaços? Onde verdadeiramente quero viver? É possível até escrever um memorial, e a partir daí lançar mão de elementos que estão à nossa disposição: os técnicos construtores e projetistas, obras de arte, cores, vegetação, iluminação, fechamento e abertura de espaços, etc.

próxima>>

 
     


| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |