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Depoimentos
A
visão das religiões - continuação
Judaísmo:
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Max Pinto |
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| Sobel:
o dever de salvar uma vida é o mandamento supremo do judaísmo. |
Henri
Sobel, Presidente do Rabinato da Congregação
Israelita Paulista (São Paulo, SP) O
judaísmo considera fundamental o respeito pelos mortos.
Nesse contexto, a lei judaica proíbe a mutilação
do cadáver e exige que o corpo seja sepultado intacto
e o mais breve possível. Essas exigências, entretanto,
como todas as leis da Torá (a bíblia hebraica),
podem ser postas de lado diante do mandamento supremo do judaísmo:
o dever de salvar uma vida. Não pode haver maior tributo
aos mortos do que utilizar seus restos mortais para salvar
ou prolongar outra vida humana.
Existem, nesse caso, dois requisitos básicos. Primeiro,
que o órgão retirado do morto seja transplantado
imediatamente para o receptor necessitado, justificando assim
o conceito de salvar uma vida. Por exemplo: pessoas na lista
de espera são pessoas necessitadas; uma vez que o transplante
visa salvar a vida dessas pessoas, ele é não
somente permitido, como encorajado. Segundo requisito: que
tenha sido dada permissão pelo doador antes de sua
morte ou, pelo menos, por sua família após o
falecimento.
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| Marcelo
Fromer: doação feita com consciência e bondade. |
Quanto
à doação de um órgão em
vida, a bíblia proíbe a automutilação.
De acordo com o judaísmo, ninguém tem, em princípio,
o direito de arriscar sua própria vida para salvar
outra. No entanto, se for comprovado por uma equipe médica
que não existe risco de vida para o doador e se o doador
oferecer o órgão de livre e espontânea
vontade, o transplante é permitido. Obviamente, qualquer
cirurgia acarreta algum risco. Porém, o ponto fundamental
é que tal risco seja, na opinião dos médicos,
substancialmente menor do que a possibilidade de salvar a
vida do receptor.
Judeu
só pode doar para judeu?
De jeito nenhum. No caso do Marcelo Fromer houve um mal
entendido. Um judeu deve doar para qualquer um, judeu ou não-judeu.
Do
ponto de vista espiritual, o transplante teria alguma implicação?
Não, nenhuma. Alguns judeus ortodoxos dizem que,
quando o Messias vier, haverá a ressurreição
física dos mortos. E, portanto, a doação
de órgãos não deve ser permitida. Mas,
mesmo nesse caso, os rabinos colocam esse argumento de lado
diante do mandamento supremo, ou seja, salvar uma vida.
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