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Depoimentos
A
visão das religiões - continuação
Budismo
Tibetano:
Roque
Severino, preside o templo Jardim do Dharma (Cotia-SP)
Fundamentalmente, se a pessoa não autorizou
a doação, se não é algo que ela
decidiu em plena consciência, então ninguém
poderia mexer no seu corpo. Esse é o primeiro passo.
O segundo ponto é, se ela decidiu, então a retirada
do órgão não pode ser feita imediatamente
após a sua morte, como a medicina faz.
Por quê?
Porque, de acordo com a tradição budista,
a consciência ainda permanece na pessoa que acabou de
morrer; ela pensa que está viva, ou seja, não
está oficialmente morta. Nós temos uma ciência
um pouco materialista demais, que faz com que a gente pense:
O cérebro parou de funcionar, então a
pessoa está oficialmente morta. Para o budismo,
o fato de o cérebro ter parado não indica ainda
que ela morreu. Os cientistas pensam que nós somos
simplesmente uma máquina, e para o budismo não
é bem assim. Somos seres conscientes, e essa consciência
permanece além da morte.
Quando a pessoa falece, sua consciência não abandona
o corpo imediatamente. E, após um dia e meio, ela retorna
ao lugar onde estava trabalhando e à sua casa. Como
seus parentes estão tristes, chorando, ela então
descobre que morreu. Mas, se por ventura você toca o
corpo da pessoa antes desse período, vai estar obrigando-a
a ter sentimentos e, na maioria dos casos, muito violentos.
Ela se sente molestada e, ao mesmo tempo, não tem como
lhe expressar isso. O espírito só se afasta
do corpo e isso depende da vida que a pessoa levou
após ele saber que morreu.
Se vocês não aprovam a retirada dos órgãos
antes de 36 horas após a morte, então, a maioria
dos transplantes não poderia ser feita, pois muitos
órgãos seriam inutilizados...
Sim, a não ser que a pessoa que morreu tenha tido uma
prática de generosidade tão grande, foi tão
boa que tenha dito: Não, eu quero que se faça
isso. Mas tem de ser uma decisão muito consciente.
E
em relação à pessoa que recebe o órgão?
Ela tem de ser muito agradecida à pessoa que morreu,
criando-se aí um laço cármico muito forte.
Possivelmente, o defunto vai renascer perto da família
dessa pessoa a quem ele doou o órgão.
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