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Distúrbios Alimentares
Liberte-se dos Problemas de Peso

Em geral, distúrbios alimentares como obesidade, anorexia e bulimia podem estar associados tanto a causas biológicas, quanto a desequilíbrios psicológicos, como dificuldades afetivas e baixa auto-estima.

Por Vera Lúcia Franco
(Contatos com a autora podem ser feitos pelo telefone 11- 5549-4742)

Entre o material que coletei para escrever este artigo, havia algumas estatísticas mostrando quão alarmante está sendo, nos dias atuais, a escalada dos distúrbios alimentares, especificamente a obesidade, a anorexia e a bulimia nervosas. Prestei atenção aos números, que não passariam de algarismos se meus sentidos não pudessem conferi-los, de forma tão sincrônica, no meu próprio cotidiano.

Certo dia, a caminho do supermercado, ao percorrer cerca de 400 metros, reparei em três garotos que andavam de bicicleta. Não sei ao certo se eram conhecidos ou parentes, pois estavam distantes uns dos outros. O primeiro e mais jovem não devia ter mais de 10 anos. O segundo, que, mais à frente, consertava a corrente da bicicleta, tinha cerca de 13 anos. O terceiro, mais adiante ainda, estava com seus 17 anos. Em comum, além do amor pelas bicicletas, eles tinham o fato de serem bastante jovens e de estarem bem gordinhos para a sua idade.

Sipa Press
Obesidade entre crianças (acima): números que crescem

Imediatamente aquelas estatísticas me voltaram à cabeça. Ato contínuo, lembrei que há algum tempo ouvira um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a possibilidade de a obesidade ser a doença deste milênio. Hoje já se afirma que, se continuarmos nessa marcha, em algumas dezenas de anos seremos todos obesos.

Observa-se uma incidência maior de obesidade entre as mulheres, mas a doença vem aumentando muito entre crianças e adolescentes. Isso não deixa de ser alarmante, pois uma criança obesa tem grandes chances de se tornar também um adulto obeso.

Só na última década, houve um aumento de 30% de obesos nos Estados Unidos. E, ao contrário do que se poderia supor, a obesidade não é privilégio somente das nações ricas: ela está ocorrendo também nos chamados países emergentes. No Brasil, 40% dos adultos e 20% das crianças apresentam o problema. Acredita-se que, nos países ricos, o fenômeno ocorra em razão da alta tecnologia, que, atendendo aos comodismos modernos, cria uma vida altamente sedentária. Já nas nações emergentes, seria sobretudo resultado do aumento de alimentos e, com isso, de um maior consumo de gorduras e proteínas. Só escapam desse relatório da OMS alguns países da África e da Ásia.

Antonio Augusto Fontes
Culto à magreza como única forma de beleza: incentivo cultural à anorexia.

É interessante refletir aqui sobre como algo que a própria natureza proporciona ao homem pode se voltar contra ele. O tecido adiposo (ou gorduroso) tem como função proteger nosso corpo do calor e do frio, bem como fornecer-nos energia em períodos de escassez de comida. Desde que a civilização tornou-se capaz de produzir e estocar alimentos, porém, nossas reservas energéticas não são devidamente queimadas: em curtos períodos de tempo a comida é reposta e com isso novos depósitos são criados, o que leva o indivíduo a engordar.

Durante as 24 horas do dia, necessitamos de energia para as funções básicas do organismo, o que representa 70% do nosso gasto total. Precisamos ainda de energia para a própria alimentação (que vai nos manter vivos), nos processos de ingestão de alimentos, mastigação, digestão, absorção e no transporte do que foi metabolizado para todo o corpo. É necessária ainda energia para nos movimentar, andar, trabalhar, fazer sexo, etc. Todo esse processo é denominado queima de calorias, o qual, se estiver deficiente, pode ser um dos fatores determinantes da obesidade.

Também a ingestão exagerada de alimentos gordurosos, bem como a maior ou menor capacidade do organismo de transformar calorias em gorduras e seu poder de queimar gorduras, tem sido apontada como responsável pela obesidade.

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