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TERRA VERDE

Transgênicos: um risco desnecessário

Por Mariana Paoli
Mariana Paoli é coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace Brasil, organização internacional sem fins lucrativos, que luta pela preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace pelo telefone 0800-112510 ou no site http://www.greenpeace.org.br

Greenpeace
Foto:  Greenpeace
Caça-transgênicos: luta para evitar que genes modificados se transformem em praga.

Um estudo norte-americano, divulgado em maio, comprovando que a soja transgênica Roundup Ready, da Monsanto, usa em média 11,4% a mais de agrotóxicos, derrubou o último argumento dos defensores da introdução de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) no meio ambiente. É preciso ter cautela no uso dessa nova tecnologia, ainda tão pouco conhecida e que pode trazer conseqüências negativas ao meio ambiente, à saúde da população e à competitividade da agricultura brasileira.

Embora o plantio de transgênicos em escala comercial seja proibido no Brasil, há uma série de plantações experimentais em condições irregulares que podem estar contaminando o meio ambiente. Em abril deste ano, a Justiça suspendeu todos os 926 campos experimentais liberados pela CTN-Bio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), que não possuem o Registro Especial Temporário (RET), conforme determina a Lei de Agrotóxicos.

A liminar ganha pelo Ministério Público Federal não foi cumprida até o momento pelo governo. Por isso, uma equipe Caça-Transgênico do Greenpeace isolou, no início de julho, uma área de milho transgênico da Monsanto, no interior de São Paulo, denunciando sua ilegalidade e o risco ambiental que este representa para o meio ambiente.

Além da falta do Registro Especial Temporário, todo experimento de transgênicos no meio ambiente apresenta riscos. O pólen do milho transgênico pode ser levado pelo vento ou pelos pássaros, contaminando outras lavouras de milho num raio de até dez quilômetros do experimento. Essa contaminação espalha uma poluição genética sem precedentes, trazendo não só riscos ambientais, como de segurança alimentar e socio-econômicos para lavouras tradicionais.

O Brasil é um centro de diversidade do milho e possui um ecossistema único. A realização do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (o EIA/Rima), antes da introdução comercial de um OGM na agricultura, conforme exige a Constituição brasileira, é fundamental para garantir a integridade do meio ambiente. Produtores podem ter suas lavouras de milho contaminadas e, depois, rejeitadas por serem transgênicas. Além disso, ingredientes geneticamente modificados podem ser utilizados na produção de alimentos sem que fabricante ou consumidor se dêem conta.

Entre as possíveis conseqüências da engenharia genética, os cientistas prevêem o empobrecimento da biodiversidade, a criação de superpragas, a eliminação de insetos benéficos ao equilíbrio ecológico do solo e o aumento da contaminação dos solos e lençóis d’água devido ao uso intensificado de agrotóxicos.

Caso algumas dessas conseqüências negativas ocorram, será impossível controlá-las. Diferente de outros poluentes químicos, os transgênicos, por serem formas vivas, são capazes de sofrer mutações, se multiplicar e se disseminar no meio ambiente. Ou seja, uma vez aí introduzidos, não podem ser removidos.


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