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Menopausa
Tempo
de colheita
Embora seja temida pela maioria das mulheres, a menopausa
pode anunciar uma fase de profundo desenvolvimento da consciência
feminina.
Por
Vera Lúcia Franco
Contatos com a autora podem ser feitos através
do telefone (11) 5549-4742.
| Carol
Quintanilha |
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Lembro
que, no meu tempo de criança, certas coisas eram
consideradas exclusivamente de adultos, principalmente as
que tinham a ver com sexo. Não era comum, como nos
dias de hoje, os jovens estarem bem informados sobre gravidez,
uso de camisinhas, partos, etc. Falar com a filha sobre menstruação
era algo muito desconfortável. Para me passar informações
sobre o tema, minha mãe usou um livro chamado A Menina
Moça, que esclarecia, numa linguagem bastante fácil,
alguns aspectos da sexualidade feminina.
A partir daí, um mundo totalmente novo se descortinou
para mim, pois as mudanças que já percebia em
meu corpo e me amedrontavam começavam a ter um sentido
totalmente diferente. Faziam parte de uma nova e maravilhosa
experiência na minha vida. Não é possível
descrever a grandiosidade desta sensação: um
dia eu poderia gerar uma criança.
| Sipa-Press |
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| Possibilidade
de gerar um novo ser, que chega para a mulher com a primeira
menstruação: sensação grandiosa. |
Assim,
não conseguia entender como algo tão extraordinário
podia ser considerado um incômodo. Claramente percebi
que isso devia se referir às várias sensações
e dificuldades que a mulher experimenta a cada menstruação.
A questão para nossas avós e mães deveria
ter sido muito pior, pois elas não podiam contar com
as maravilhas modernas: tampões e absorventes,
que nos dão a falsa sensação de que nada
nos está acontecendo. Apesar da eficácia dos
analgésicos, no período menstrual podem ocorrer
cólicas, dores de cabeça, além de irritação
e uma sensibilidade extremada. E, logicamente, nem pensar
em banhos de piscina, roupas justas e claras. Até mesmo
trabalhar chega a ser muito custoso; o melhor seria ficar
em casa, quietinha.
Com
a vinda da menstruação, porém, não
experimentei mudanças somente no aspecto físico
ou no meu humor. Minhas relações com meus familiares
também mudaram. Meu pai, que já era rígido,
tornou-se ainda pior, principalmente quando percebia algum
rapaz se aproximando de mim. E, quanto mais eu pedia sua confiança,
mais ele parecia querer me controlar, me afastar das pessoas
das meninas porque podiam ser um mau exemplo (principalmente
as mais livres), e dos meninos porque homem não
presta. Inutilmente, eu pedia ajuda à minha mãe,
pois ela morria de medo que algo pudesse me acontecer
e meu pai a responsabilizasse por isso.
É
interessante, após 34 anos, vivenciar agora o pólo
oposto. Se naquele momento, apesar dos conflitos com meus
pais, festejei a expansão, o florescer, hoje experiencio
a introspecção, o outono de minha vida. Descrevi
a menina em seu despertar, mas agora quem pede passagem é
a velha. Inevitavelmente, a menina e a velha fazem parte da
mesma mulher, como diz a terapeuta Irací Galiás
em seu artigo A Mãe Coruja e a Menopausa,
publicado na revista Junguiana. Na menarca, a chegada da menstruação
traz a moça e diz adeus à menina. Na menopausa,
a chegada da velha diz adeus à moça.
| Tom
Halley/Sipa-Press |
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| Etapa
de amadurecimento sexual: fase dedicada à própria
família e à vida profissional. |
Fisiologicamente
falando, é a presença dos estrógenos,
hormônios sexuais femininos, que estabelecem o desenvolvimento
da sexualidade feminina, bem como a diferença entre
o homem e a mulher. Na infância, até os 7 ou
8 anos de vida, eles existem em concentração
muito baixa. Por volta dos 10 anos, colaboram para as primeiras
modificações corporais da menina. E, por volta
dos 13, promovem a menarca, ou seja, o primeiro sangramento
periódico; a partir daí, depois de dois ou três
anos, desenvolve-se um ciclo regular. E a regularidade menstrual
denota o amadurecimento físico, ao que se segue também,
com o tempo, o amadurecimento mental.
Aos 45 anos, mais ou menos, é que começam
a acontecer algumas modificações do ciclo
menstrual. Ele torna-se irregular, sinalizando o início
do climatério, que finaliza com um último sangramento,
chamado de menopausa. Isso ocorre devido à finalização
da função dos ovários; a produção
hormonal diminui e chega ao mínimo. O corpo vai precisar
de cerca de 15 anos para assimilar essa mudança.
O
climatério marca o fim do amadurecimento sexual,
da capacidade de procriação. Os anos seguintes
ao climatério são chamados terceira idade e
é quando ocorrem as modificações físicas
que se devem à carência dos hormônios sexuais
femininos.
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