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Ciência e Religião
Espiritualidade
Sem Dogmas
Assim como o pensamento científico mostra os resultados práticos
nascidos de suas experiências, sem impor dogmas nem exigir
fé de ninguém, a religião do futuro deverá ter a mesma base
objetiva e experimental da ciência moderna.
Por
Carlos Cardoso Aveline
As
pessoas pensam antes de agir. A mente abre caminho para
o gesto prático. Mas o que inspira e ilumina a mente
pensante, a não ser a alma imortal? O que seria de
nós sem nossa essência espiritual, aquele centro
de luz e verdade em nosso interior?
É a intuição que abre caminho para
o pensamento. Mas quase sempre esquecemos disso. Nossa
consciência intuitiva age de modo misterioso e inconsciente,
e são raros os momentos em que percebemos o seu funcionamento.
Ela nos guia e protege silenciosamente, porque em geral o
cérebro físico não consegue captar os
sinais da sua atuação.
Inteligência
racional, sentimento religioso e intuição
espiritual são fatores decisivos para a evolução
humana. As três funções são inseparáveis
entre si, porém, ao mesmo tempo, cada uma delas é
diferente e autônoma em relação às
outras. A busca científica, por exemplo, amplia os
níveis conscientes da mente e deseja total liberdade
diante de quaisquer dogmas religiosos. Mas o cientista é
inspirado pela dimensão espiritual e intuitiva da vivência
religiosa, da contemplação do absoluto, da magia
do cosmo. A intuição e o sentimento religioso
nos possibilitam ter acesso ao que está além
do pensamento. Albert Einstein, um dos maiores cientistas
de todos os tempos, escreveu:
O espírito científico, fortemente armado
com seu método, não existe sem a religiosidade
cósmica. Ela se distingue da crença das multidões
ingênuas que consideram Deus um ser de quem esperam
bondade e do qual temem castigo um sentimento exaltado
semelhante aos laços do filho com o pai ; um
ser com quem também estabelecem relações
pessoais, por respeitosas que sejam.
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Reprodução/Prensa
Três
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| O
espírito científico, segundo Albert Einstein (à direita),
não existe sem a religiosidade cósmica, que consiste
no êxtase diante da harmonia das leis da natureza. |
Para
Einstein, essa religiosidade primária não
é a do cientista. Ele diz:
O
sábio, consciente da lei de causalidade de qualquer
acontecimento, decifra o futuro e o passado, que estão
submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo.
(...) Sua religiosidade consiste em espantar-se, em extasiar-se
diante da harmonia das leis da natureza, revelando uma inteligência
tão superior que todos os pensamentos humanos e todo
seu talento não podem desvendar, diante dela, a não ser seu
próprio nada irrisório. Esse sentimento desenvolve a regra
dominante da sua vida, de sua coragem, na medida em que supera
a escravidão dos desejos egoístas” (Como
Vejo o Mundo,
Albert Einstein, Ed. Nova Fronteira, RJ, 1981, 213 pp. Ver
p. 23).
Através
da ciência, a mente humana não só descobre o mundo natural,
mas aprende a identificar nele as mesmas leis divinas que
regem o mundo espiritual e o mundo psicológico. A pesquisa
científica é um dos caminhos que nos permitem ter acesso ao
conhecimento do mundo divino, assim como a arte, a religião,
o amor altruísta, a meditação.
Desde
o início da história humana, as religiões ensinaram a
unidade de todas as coisas. As ciências também sabiam dessa
verdade universal; afinal, até alguns séculos atrás, o conhecimento
científico era inseparável da religião. Foi a partir do início
do século 16 que a ciência declarou sua independência. Isso
ocorreu porque as religiões haviam decaído, passando a ser
dogmáticas e a fazer o oposto do que pregavam.
Naquele
momento, as descobertas tecnológicas e a exploração geográfica
e econômica de novos continentes expandiam poderosamente o
lado prático da mente humana, enquanto do ponto de vista religioso
ela continuava presa a limites estreitos. Ao mesmo tempo,
eufórica com sua visão mecânica da vida, a ciência parecia
esquecer da unidade interior de todas as coisas. Os cientistas
acreditavam que o universo inteiro podia ser visto, e manipulado,
como um mecanismo material composto de inúmeras coisas separadas.
Mas a descoberta dos elétrons, a física de Einstein e a mecânica
quântica do século 20 abriram novos rumos e mostraram outra
vez a unidade magnética e essencial de todos os seres e objetos
do universo, sejam eles grandes ou pequenos, macrocósmicos
ou microcósmicos.
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