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Gerenciamento Consciente
Mão
na massa
| Prensa
Três |
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| Manuseio
na pecuária: tarefa progressivamente substituída por
máquinas. |
Ora,
se manter é basicamente evitar a decadência,
então a manutenção muda o gradiente de
energia. A ciência fala de negentropia, uma energia
livre, que pode erguer-se acima da força
aleatória da desintegração entrópica.
Desse ponto de vista, a manutenção, enquanto
equivalente da consciência, se torna um fator tão
criativo quanto a produção, não mais
apenas seu lado sombrio, parte do custo da produção.
Além disso, quando olhamos de novo para a origem das
palavras, lembramos que economia deriva da palavra
grega usada para designar os serviços domésticos
oikos (casa) e nomos (ordem costumeira).
Seguindo a implicação da palavra, a manutenção
se torna o interesse básico do pensamento econômico,
enquanto a baixa manutenção significa simplesmente
a negligência que leva à decadência, à
desintegração e à morte.
Indo mais longe ainda: além das questões
econômicas, ambientais, cosmológicas e físicas,
nosso tópico pode ser considerado do ponto de vista
estético. E a estética da manutenção
aparece quando rastreamos também esta palavra à
sua raiz latina manutentione é, literalmente,
a ação de segurar com a mão.
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Prensa
Três
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| Uso
das mãos para sentir a textura dos objetos: prazer
perdido com o avanço da instrumentação. |
Existem
dois tipos de mãos, assim como existem
dois hemisférios no cérebro. Uma mão
segura as rédeas e gira o volante. Esse é o
pulso do controle e o dedo que aponta a direção.
Tais características pertencem à mão
que maneja, gerencia. A outra mão tem de se manter
em contato, afagar e apalpar o trabalho. Afagar e apalpar
são ações que se referem à palma
da mão. A administração participante,
que põe a mão na massa, exige tanto
o pulso quanto a palma, e a atenção para a manutenção
será parte integrante de uma administração
bimanual.
Na
era pré-industrial e nas sociedades não
automatizadas, as mãos detinham um enorme valor nos
assuntos humanos, não apenas como implementos para
fazer rodar equipamentos que poupavam mão-de-obra
(um eufemismo para pressa maquinal), mas principalmente para
o contato com as coisas elementares. Manejar um problema significa,
literalmente, tocar em água, madeira, brasas, cinzas,
terra, plantas, animais, alimentos, lixo e sujeira. Mãos
com as palmas levantadas para os deuses, ou entrelaçadas
na oração, enfatizam o lugar delas na ordem
das coisas. A vida de uma pessoa estava nas suas mãos,
nas linhas em que seu caráter podia ser lido pelo quiromante.
(A própria palavra caráter deriva
da palavra grega para linhas gravadas.) Nas mãos havia
uma mágica procriativa, de modo que o simples toque
da pessoa certa, e da maneira certa, abençoava, curava,
selava uma aliança até a morte ou levava alguém
de uma situação inferior para uma mais alta.
O poder era transmitido pelas mãos.
O
prazer sensual retornava para aquele cujas mãos
estavam nas coisas as dobras do tecido, o equilíbrio
de uma pedra, a textura do solo, a maciez da pele de um corpo.
Um médico conhecia o estado das coisas pelo que elas
revelavam às suas mãos. Com o avanço
da instrumentação, deixamos de dar nossas mãos
às coisas com as quais vivemos e trabalhamos o dia
todo, exceto as extremidades, digitalmente, girando chaves,
empurrando alavancas, catando pedaços de papel e sacos
plásticos. A produção e o serviço
mecanizado substituíram o manuseio na pecuária,
na agricultura, no convés do navio; o manuseio de todos
os tipos. Engenharia genética, eletrônica do
silício, biotecnologia e criogenia, até mesmo
diagnósticos e mercados de commodities ocorrem através
de telas luminosas ou robôs com mãos protéticas.
Apenas nossos hobbies cuidar do jardim, cozinhar,
construir miniaturas, cuidar de animais de estimação,
remendar, tecer, bordar e namorar um pouquinho por semana
permitem às nossas mãos recuperar seu
pleno emprego. Mas esses são momentos de lazer; não
fazem parte do mundo dos negócios. Haverá um
único item do novo equipamento de comunicações
que você gostaria de conservar ao longo dos anos porque
gosta dele, mesmo sabendo que seu valor de troca irá
caindo à medida que equipamentos de última geração
forem entrando no mercado?
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