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Dalai
Lama
Ensinando como lidar com a raiva
Situações
frustrantes e desagradáveis, tão comuns em nosso cotidiano,
despertam raiva e aborrecimentos. O dalai lama mostra aqui,
em um debate com outras cinco personalidades, como transformar
emoções negativas em positivas.
Por
Daniel Goleman
O texto aqui apresentado é um excerto do
capítulo 3 de Mundos em Harmonia – Diálogos Sobre a Prática
da Compaixão, uma série de debates com o dalai lama, tendo
Daniel Goleman como mediador. Lançado recentemente pela Editora
Claridade, o livro foi traduzido por Rosangela Chorwat e Victor
Hugo Vidal Antunes.
| Pedro
Agilson/Prensa Três |
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Pergunta
do público: Algumas vezes eu preciso trabalhar
com pessoas que realmente me aborrecem. Como posso aceitá-las
e aproveitar a oportunidade para crescimento pessoal?
Dalai
lama: Você deve tratar cada caso de forma individual.
Observe a pessoa que o aborrece, e, se perceber que pode lidar
com ela, aproveite a oportunidade para enfrentar a sua própria
raiva e cultivar a compaixão. Mas, se o aborrecimento
é tão poderoso, pode ser melhor procurar pela
saída! Aqui está o princípio: é
melhor não evitar eventos ou pessoas que o aborreçam,
que despertem a irritação, se sua raiva não
for muito forte. Mas, se o encontro não for possível,
trabalhe sobre você mesmo. No contexto budista, em relação
a alterações mentais, especialmente hostilidade
e raiva, é prática-padrão refletir repentinamente
em suas desvantagens e na natureza destrutiva, e, fazendo
assim, a aflição mental diminuirá gradativamente.
Eu entendo que na psicoterapia ocidental é dito que
reprimir essas aflições mentais tem efeitos
muito ruins sobre o corpo e a mente. Tenho ouvido algumas
pessoas dizerem: Você deve expressar a hostilidade
quando ela aparecer. Não há algumas práticas
na psicoterapia ocidental que, além de não evitar
a repressão, acabam refletindo na desvantagem da raiva?
Para poder dissipá-la, devemos refletir sobre as desvantagens
da raiva, e não apenas quando ela surge. Em geral,
você acha que é melhor sentir raiva contínua
por outra pessoa, ou é melhor não sentir? Se
realmente acha que é melhor não sentir raiva,
então não seria vantajoso encontrar métodos
que previnam, em primeiro lugar, seu surgimento? Se você
acha que é melhor reduzir a raiva, o que ajuda na sua
redução: expressá-la quando aparece ou
não a expressar?
Daniel Goleman: Sua Santidade, não há
uma resposta. Existem mais de 200 métodos diferentes
de psicoterapia, e cada um tem sua própria resposta
à sua pergunta, abrangendo desde a expressão
completa até a não-expressão.
Existe um corpo de evidências que vem da pesquisa, não
da prática clínica, que mostra que as pessoas
que expressam sua raiva abertamente simplesmente aprendem
a expressá-la abertamente. Quer dizer, quanto mais
você faz isso, mais facilmente isso vem. Isso é
um fato, algo determinado. Outro corpo de pesquisa mostra
que quanto mais prontamente você expressa a raiva, mais
propenso será a todo tipo de doença. Esses são
dois argumentos para não expressar a raiva. Porém,
dentro da psicoterapia, existem muitos pontos de vista.
Jean Shinoda Bolen: Minha experiência é
específica de acordo com as pessoas que tenho trabalhado.
Existe um princípio inicial que é saber o que
você sente. Com muita freqüência, em certos
tipos de famílias, crianças aprendem a reprimir
seus sentimentos e crescem entorpecidas, sem saber o que sentem.
É importante descobrir os sentimentos e realmente ser capaz
de explorá-los e expressá-los.
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