| |
Espiritualidade
nos Novos Tempos
Diálogo ecumênico
|
Sipa-Press
|
 |
| Budismo:
propagação que reflete uma nova fase da religiosidade. |
O
papa tem buscado estimular o diálogo ecumênico
e inter-religioso. Em maio passado ele visitou a Grécia
e pediu desculpas aos cristãos ortodoxos pelos erros
cometidos pelo Vaticano durante os últimos mil anos.
Em março de 2000, ele havia visitado o Oriente Médio
e feito uma autocrítica pelos erros do Vaticano ao
perseguir os judeus por séculos e ao apoiar Hitler
e o anti-semitismo durante a Segunda Guerra Mundial. Tem buscado
também o diálogo com os anglicanos. Esses são
tímidos passos preparatórios. Mas há
poderosos adversários da transformação
dentro do Vaticano. Em setembro de 2000, o cardeal Joseph
Ratzinger, da Congregação da Doutrina da Fé
(versão atual da antiga Inquisição),
publicou um documento em que o Vaticano afirma que as outras
igrejas cristãs, como todas as outras religiões,
não têm acesso legítimo ao mundo divino.
De acordo com essa tese, haveria uma espécie de monopólio
divino, e ele pertenceria à burocracia dos cardeais
de Roma. A declaração, desatualizada, típica
da Idade Média, mereceu uma reação muito
negativa por parte das igrejas cristãs. Nos anos 80,
Joseph Ratzinger foi o responsável pelos processos
de perseguição ao teólogo brasileiro
Leonardo Boff.
No final de maio passado, um consistório convocado
por João Paulo II reuniu em Roma 155 cardeais de todo
o mundo. Foi uma espécie de pré-conclave, onde
se avaliaram as possibilidades de escolha do futuro papa e
as prioridades católicas. Ficou claro que a força
dos setores progressistas da Igreja não pode ser ignorada
e que avanços no sentido da democratização
serão provavelmente inevitáveis dentro de pouco
tempo.
|
Grzegorz/Sipa-Press
|
 |
| Ratzinger:
adversário das transformações. |
A
América Latina, a África e a Ásia
são as novas trincheiras do catolicismo no mundo. Na
Europa, o cristianismo passou a ser uma religião amplamente
nominal. As igrejas ficam vazias. Em alguns lugares, a igreja
cristã só serve para fazer o batismo e o enterro
das pessoas. A situação é inteiramente
diferente em outras partes do mundo.
Na
Índia, o cristianismo se expande especialmente
nas classes mais pobres, formadas pelas castas inferiores.
Sua mensagem de que todos os homens são iguais perante
Deus leva ventos democráticos e renovadores, que ajudam
a derrubar os milenares preconceitos indianos de casta. Os
párias e pobres percebem que também têm
a possibilidade de conversar com Deus e possuem os mesmos
direitos que os outros seres humanos. Esse fato mostra um
dos contrastes da Índia: ao lado da sua grande tradição
de sabedoria, o hinduísmo ortodoxo tem alimentado,
também, antigos preconceitos religiosos e injustiças
sociais que ainda mantêm o país na miséria.
Na
África, novas igrejas cristãs se multiplicam
com uma velocidade surpreendente e, mesmo funcionando de maneira
precária, substituem aos poucos as velhas estruturas
tribais, levando possibilidades culturais mais amplas àquele
continente acossado pela miséria, pela violência
e pelo atraso. A contradição entre a decadência
do catolicismo no Primeiro Mundo e a sua expansão no
mundo pobre já faz com que a burocracia teológica
do Vaticano volte, lentamente, seus olhos para os países
pobres e expanda o seu colégio de cardeais para incluir
nele mais alguns representantes dos diversos continentes.
Ao mesmo tempo, torna-se impossível ignorar as questões
sociais, a luta pela ética na política e pela
democratização de todas as estruturas sociais,
inclusive das próprias igrejas.
Leia Mais:
Cristianismo
repensado
Diálogo ecumênico
Teologia
da libertação
Novo
pensamento religioso
|