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Edição 346

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TERRA VERDE

O Greenpeace e a Crise de Energia

Por Tica Minami
Tica Minami é assessora de comunicação do Greenpeace Brasil, organização internacional sem fins lucrativos, que luta pela preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace pelo telefone 0800-112510 ou no site http://www.greenpeace.org.br

Greenpeace
Foto:  Greenpeace
“Energia Limpa Agora”: bandeira do Greenpeace para a crise energética

O governo brasileiro atribui a crise energética a duas causas: atraso em novos investimentos para geração de eletricidade e um consumo excessivo da água dos reservatórios, em quantidade acima daquela que poderia ser reposta por chuvas. Também teriam faltado investimentos em transmissão de energia: hoje, o sistema elétrico não é capaz de transferir a eletricidade produzida nas re-giões Norte e Sul do País, onde há sobra, para o Sudeste e Nordeste, que tiveram chuvas abaixo do esperado no último verão. Além das termoelétricas a gás natural (na maior parte importado da Bolívia), o governo apresenta, como saída, a construção de usinas movidas a carvão mineral e de uma terceira usina nuclear – Angra 3.

Em primeiro lugar, essas alternativas não combatem as causas reais da crise energética, que são ambientais. Atrás da crise de eletricidade se esconde outra mais profunda, que é a falta d’água. O esgotamento dos recursos hídricos se deve aos desmatamentos, à destruição das nascentes dos rios e das matas ciliares, à impermeabilização do solo, à retirada de cobertura vegetal e orgânica, que impede que as águas das chuvas penetrem no solo e abasteçam os rios e seus afluentes ao longo do ano, provocando também o assoreamento dos rios. Contribui ainda para o esgotamento dos recursos hídricos o crescente uso da água na agricultura intensiva, na indústria e mesmo em termoelétricas.

As termoelétricas também não são uma solução de longo prazo, porque usam combustíveis fósseis, como o gás natural, o carvão e o petróleo – principais responsáveis pelas mudanças climáticas que vêm ocorrendo no planeta. Por esse motivo, o Protocolo de Kioto, da Convenção de Mudanças Climáticas, já estabeleceu metas para reduzir o seu uso. Mesmo que as termoelétricas adotadas pelo governo entrem em operação nos prazos estipulados, elas não representam uma saída a longo prazo. E a crise energética atual nos mostra que esse é um problema que tem de ser previsto e resolvido a longo prazo.

Do ponto de vista ambiental, dois tipos de projetos são inaceitáveis: usinas nu-cleares e termoelétricas a carvão. Seus custos e danos estão mais do que demonstrados e não há razões para adotá-las. A melhor alternativa para o meio ambiente seria centrar esforços em dois pontos:

• Redução do desperdício de eletricidade, através da promoção de equipamentos mais eficientes em todos os setores. No caso de usos térmicos, como o chuveiro elétrico e o ar-condicionado de grande porte, promover a sua substituição por tecnologias que usem a energia solar (ciclo de absorção no condicionamento e coletores de água quente no chuveiro), complementada por gás natural.

• Implementar todos os projetos de fontes renováveis de energia cuja viabilidade já esteja demonstrada: fazendas eólicas nos sítios identificados pelo Atlas Eólico Brasileiro, co-geração de eletricidade, tanto nas usinas de cana-de-açúcar como nas indústrias e grandes estabelecimentos de comércio e serviços (hotéis, shopping centers), geração de eletricidade com o uso de biomassa plantada ou de resíduos da agricultura, e pequenas centrais hidroelétricas (PCHs).

Se nosso governo passou os últimos anos sem se preocupar com o futuro energético do País, está na hora de fazer um plano que possa atravessar o próximo decênio e seja ambientalmente sustentável: economia de energia e energias renováveis. O futuro é solar.


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