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Greenpeace e a Crise de Energia
Por
Tica Minami
Tica Minami é assessora de comunicação do Greenpeace
Brasil, organização internacional sem fins lucrativos, que luta
pela preservação do meio ambiente. Saiba mais sobre o Greenpeace
pelo telefone 0800-112510 ou no site http://www.greenpeace.org.br
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Greenpeace
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| “Energia
Limpa Agora”: bandeira do Greenpeace para a crise energética
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O governo
brasileiro atribui a crise energética a duas causas: atraso
em novos investimentos para geração de eletricidade
e um consumo excessivo da água dos reservatórios,
em quantidade acima daquela que poderia ser reposta por chuvas.
Também teriam faltado investimentos em transmissão
de energia: hoje, o sistema elétrico não é
capaz de transferir a eletricidade produzida nas re-giões
Norte e Sul do País, onde há sobra, para o Sudeste
e Nordeste, que tiveram chuvas abaixo do esperado no último
verão. Além das termoelétricas a gás
natural (na maior parte importado da Bolívia), o governo
apresenta, como saída, a construção de usinas
movidas a carvão mineral e de uma terceira usina nuclear
Angra 3.
Em
primeiro lugar, essas alternativas não combatem as causas
reais da crise energética, que são ambientais. Atrás
da crise de eletricidade se esconde outra mais profunda, que é
a falta dágua. O esgotamento dos recursos hídricos
se deve aos desmatamentos, à destruição das
nascentes dos rios e das matas ciliares, à impermeabilização
do solo, à retirada de cobertura vegetal e orgânica,
que impede que as águas das chuvas penetrem no solo e abasteçam
os rios e seus afluentes ao longo do ano, provocando também
o assoreamento dos rios. Contribui ainda para o esgotamento dos
recursos hídricos o crescente uso da água na agricultura
intensiva, na indústria e mesmo em termoelétricas.
As
termoelétricas também não são uma solução
de longo prazo, porque usam combustíveis fósseis,
como o gás natural, o carvão e o petróleo
principais responsáveis pelas mudanças climáticas
que vêm ocorrendo no planeta. Por esse motivo, o Protocolo
de Kioto, da Convenção de Mudanças Climáticas,
já estabeleceu metas para reduzir o seu uso. Mesmo que as
termoelétricas adotadas pelo governo entrem em operação
nos prazos estipulados, elas não representam uma saída
a longo prazo. E a crise energética atual nos mostra que
esse é um problema que tem de ser previsto e resolvido a
longo prazo.
Do
ponto de vista ambiental, dois tipos de projetos são inaceitáveis:
usinas nu-cleares e termoelétricas a carvão. Seus
custos e danos estão mais do que demonstrados e não
há razões para adotá-las. A melhor alternativa
para o meio ambiente seria centrar esforços em dois pontos:
Redução do desperdício de eletricidade, através
da promoção de equipamentos mais eficientes em todos
os setores. No caso de usos térmicos, como o chuveiro elétrico
e o ar-condicionado de grande porte, promover a sua substituição
por tecnologias que usem a energia solar (ciclo de absorção
no condicionamento e coletores de água quente no chuveiro),
complementada por gás natural.
Implementar todos os projetos de fontes renováveis de energia
cuja viabilidade já esteja demonstrada: fazendas eólicas
nos sítios identificados pelo Atlas Eólico Brasileiro,
co-geração de eletricidade, tanto nas usinas de cana-de-açúcar
como nas indústrias e grandes estabelecimentos de comércio
e serviços (hotéis, shopping centers), geração
de eletricidade com o uso de biomassa plantada ou de resíduos
da agricultura, e pequenas centrais hidroelétricas (PCHs).
Se
nosso governo passou os últimos anos sem se preocupar com
o futuro energético do País, está na hora de
fazer um plano que possa atravessar o próximo decênio
e seja ambientalmente sustentável: economia de energia e
energias renováveis. O futuro é solar.
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