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Reconectando: Grande Teia

Edição 346 -Julho 2001
 

Miguel Milano/Fundação O Boticário
Preservando a Natureza

Com administração independente da empresa de perfumes e cosméticos, há quase 11 anos a Fundação O Boticário vem trabalhando para conservar a natureza brasileira. Nesta entrevista, o diretor-técnico Miguel Milano faz um balanço das ações da entidade.

Por Fátima Afonso

Fotos: Fundação O Boticário
Regis Filho

PLANETA – A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza nasceu em 1990. Como uma empresa ligada ao ramo de perfumaria e de cosméticos acabou se envolvendo com a área ecológica?

Milano – De um ponto de vista mercadológico, a empresa O Boticário sempre teve uma relação forte com a natureza. Ela nasceu como uma pequena farmácia de manipulação de medicamentos dermatológicos e teve sua expansão na cosmética e perfumaria, que resultou na empresa que todos conhecem hoje, fortemente inspirada na natureza e no propósito de buscar produtos os mais naturais possíveis. Até há alguns anos, todas as embalagens ainda estampavam a marca “O Boticário” seguida da expressão “produtos naturais”.

Essa evidente relação entre marca e natureza sempre fez com que a empresa recebesse significativa demanda de solicitações de apoio para projetos e eventos relacionados ao tema. Todavia com os preparativos nacionais para a Conferência Global sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a Rio-92, como ficou mais conhecida, a questão ambiental passou a ocupar mais presença na mídia e a demanda externa por apoio da empresa a projetos nessa área aumentou mais ainda. Era chegada a hora de tomar uma decisão mais efetiva. Foi o que o empresário Miguel Krigsner, presidente do grupo, decidiu fazer.

Nasceu então a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, organização sem fins lucrativos, administrativamente independente da empresa, embora mantida por esta, para realizar as ações de investimento social privado de O Boticário. Como para ser eficiente é necessário ser também de certa forma especialista, era necessário ter um foco claro de atividades e esse foco foi determinado por essa história de relacionamento honesto da empresa com a natureza; um relacionamento que é mais que tudo inspirativo. Assim, diferentemente do que muitos pensavam, passados dez anos da Rio-92 e com um apelo muito menor de presença na mídia, a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, consolidada, segue forte, expandindo suas ações com qualidade e reconhecimento público.

PLANETA – O principal objetivo da fundação é promover a preservação da biodiversidade brasileira. De que forma isso se dá?

Milano – A missão estatutária da fundação é “promover e realizar ações de conservação da natureza para garantir a vida na Terra”. Isso é, essen-cialmente, conservação de biodiversidade independentemente do valor que isso tenha para o homem. Entendemos a vida no seu sentido mais amplo possível e, como tal, tendo valor intrínseco. Esse é um posicionamento que privilegia a ética que julgamos ser necessária nas relações do homem com a natureza e que não vem existindo.

Para trabalhar a conservação da natureza e da biodiversidade em particular, a Fundação O Boticário conta com três linhas de ação básicas, que são os programas de Incentivo à Conservação da Natureza, Áreas Naturais Protegidas e Educação e Mobilização.

O primeiro deles, o Programa de Incentivo à Conservação da Natureza, constitui a própria origem da fundação e está voltado ao apoio financeiro a projetos de conservação em todo o País. Organizações não-governamentais conservacionistas, instituições de pesquisa e mesmo organizações governamentais apresentam suas propostas à Fundação, que as analisa, seleciona as melhores e as apóia. Ao longo dos seus quase 11 anos de atuação a fundação já recebeu mais de 4 mil propostas solicitando apoio, tendo aprovado e efetivamente financiado mais de 700 delas, numa soma total de recursos que já supera US$ 4,1 milhões, ou seja, cerca de R$ 10 milhões. Cerca de 200 diferentes instituições de todo o Brasil já foram beneficiadas com esses recursos.

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