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Miguel
Milano/Fundação O Boticário
Preservando a Natureza
Com
administração independente da empresa de perfumes e cosméticos,
há quase 11 anos a Fundação O Boticário vem trabalhando para
conservar a natureza brasileira. Nesta entrevista, o diretor-técnico
Miguel Milano faz um balanço das ações da entidade.
Por
Fátima Afonso
| Fotos:
Fundação O Boticário |
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PLANETA
A Fundação O Boticário de Proteção
à Natureza nasceu em 1990. Como uma empresa ligada
ao ramo de perfumaria e de cosméticos acabou se envolvendo
com a área ecológica?
Milano De um ponto de vista mercadológico,
a empresa O Boticário sempre teve uma relação
forte com a natureza. Ela nasceu como uma pequena farmácia
de manipulação de medicamentos dermatológicos
e teve sua expansão na cosmética e perfumaria,
que resultou na empresa que todos conhecem hoje, fortemente
inspirada na natureza e no propósito de buscar produtos
os mais naturais possíveis. Até há alguns
anos, todas as embalagens ainda estampavam a marca O
Boticário seguida da expressão produtos
naturais.
Essa
evidente relação entre marca e natureza sempre
fez com que a empresa recebesse significativa demanda de solicitações
de apoio para projetos e eventos relacionados ao tema. Todavia
com os preparativos nacionais para a Conferência Global
sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a Rio-92, como ficou
mais conhecida, a questão ambiental passou a ocupar
mais presença na mídia e a demanda externa por
apoio da empresa a projetos nessa área aumentou mais
ainda. Era chegada a hora de tomar uma decisão mais
efetiva. Foi o que o empresário Miguel Krigsner, presidente
do grupo, decidiu fazer.
Nasceu
então a Fundação O Boticário de
Proteção à Natureza, organização
sem fins lucrativos, administrativamente independente da empresa,
embora mantida por esta, para realizar as ações
de investimento social privado de O Boticário. Como
para ser eficiente é necessário ser também
de certa forma especialista, era necessário ter um
foco claro de atividades e esse foco foi determinado por essa
história de relacionamento honesto da empresa com a
natureza; um relacionamento que é mais que tudo inspirativo.
Assim, diferentemente do que muitos pensavam, passados dez
anos da Rio-92 e com um apelo muito menor de presença
na mídia, a Fundação O Boticário
de Proteção à Natureza, consolidada,
segue forte, expandindo suas ações com qualidade
e reconhecimento público.
PLANETA
O principal objetivo da fundação é
promover a preservação da biodiversidade brasileira.
De que forma isso se dá?
Milano A missão estatutária da
fundação é promover e realizar
ações de conservação da natureza
para garantir a vida na Terra. Isso é, essen-cialmente,
conservação de biodiversidade independentemente
do valor que isso tenha para o homem. Entendemos a vida no
seu sentido mais amplo possível e, como tal, tendo
valor intrínseco. Esse é um posicionamento que
privilegia a ética que julgamos ser necessária
nas relações do homem com a natureza e que não
vem existindo.
Para
trabalhar a conservação da natureza e da biodiversidade
em particular, a Fundação O Boticário
conta com três linhas de ação básicas,
que são os programas de Incentivo à Conservação
da Natureza, Áreas Naturais Protegidas e Educação
e Mobilização.
O primeiro deles, o Programa de Incentivo à Conservação
da Natureza, constitui a própria origem da fundação
e está voltado ao apoio financeiro a projetos de conservação
em todo o País. Organizações não-governamentais
conservacionistas, instituições de pesquisa
e mesmo organizações governamentais apresentam
suas propostas à Fundação, que as analisa,
seleciona as melhores e as apóia. Ao longo dos seus
quase 11 anos de atuação a fundação
já recebeu mais de 4 mil propostas solicitando apoio,
tendo aprovado e efetivamente financiado mais de 700 delas,
numa soma total de recursos que já supera US$ 4,1 milhões,
ou seja, cerca de R$ 10 milhões. Cerca de 200 diferentes
instituições de todo o Brasil já foram
beneficiadas com esses recursos.
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