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O
Futuro das Comunicações
Mais Qualidade, Menos Quantidade
Canais
exclusivos de noticiário, Internet, jornais, revistas – as
empresas de comunicação oferecem mais informações do que nunca.
O homem moderno, porém, precisa aprender a separar o supérfluo
do realmente essencial para a sua vida.
Por
Carlos Cardoso Aveline
O texto aqui apresentado é um excerto do
capítulo 3 do livro A Informação Solidária, de Carlos
Cardoso Aveline, publicado recentemente pela Edifurb.
| Salvador
Dalí, Auto-Retrato Cubista/Museu Nacional Rainha Sofia,
Madri |
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No
final dos anos 70, um dos homens mais poderosos do País
expert na área
de inteligência afirmou que lia jornais com o
objetivo principal de saber o que os outros estão
mentindo. A afirmação irônica continha
uma crítica evidente aos meios de comunicação
social. Com efeito, ler jornais e assistir a noticiosos de
televisão nem sempre é um caminho seguro para
a verdade.
Mas a informação inútil ou pseudo-informação
não é exclusividade do jornalismo moderno. Em
qualquer situação, é preciso talento
para perceber onde está a boa informação.
O bom senso e o espírito crítico em relação
às descrições da realidade que chegam
até nós são uma defesa indispensável
para que nossa vida possa ser feliz e exitosa.
Uma das definições mais claras do conceito
de informação consta de um estudo sobre estratégia
militar (Estudos
de Estratégia, coordenação do general
Obino Lacerda Álvares, Biblioteca do Exército-Editora,
1973, 411 pp. Ver pp. 344-347.):
Informação é o conhecimento de
que se necessita para tomar as decisões corretas.
Ou seja, informação é o conhecimento
útil para melhorar a qualidade da vida. O resto corre
o risco de cair na categoria das inutilidades. Conhecer os
detalhes dolorosos de um crime de subúrbio, por exemplo,
não é informação, mas pseudo-informação.
Aplicando o critério da utilidade prática, chegamos
à conclusão de que os modernos jornais das capitais
brasileiras contêm relativamente poucas páginas
de informações, porque dão escassos elementos
para que o leitor possa tomar decisões melhores e mais
sábias em sua vida. Os jornais circulam com uma quantidade
apreciável de lixo cultural, imagens de violência,
pseudo-informação e outros fatores que contribuem
para tornar difícil a percepção da vida
como um processo. Já que a informação
é hoje um produto comercial, cabe ao consumidor estabelecer
o controle de qualidade na produção de notí-cias
e descrições da realidade humana. O crescimento
das colunas do leitor nos grandes jornais e o surgimento de
ombudsmen ou ouvidores, cuja função é
defender os interesses do leitor, assim como o fortalecimento
da imprensa alternativa e voltada para a nova era, demonstram
que o progresso nesse sentido já está ganhando
velocidade.
Nem tudo que é urgente é importante
A mente humana é um ecossistema amplo, complexo, cheio
de vida. Do mesmo modo que as paisagens naturais do mundo
físico, a mente necessita de paz e equilíbrio
em seus fluxos energéticos. O excesso de informação
esmaga a consciência interior e funciona como um hipnotismo
que tolhe a autonomia pessoal. Surge, então, a ansiedade
de informação. A pessoa sente que precisa saber
de tudo e acompanhar todos os acontecimentos externos, porque
está momentaneamente desligada do seu centro interior
de paz. Em compensação, o sábio percebe
que as informações decisivas para a sua qualidade
de vida quase nunca são novidades de última
hora. O que é importante
nem sempre parece ser urgente. O que parece urgente, muitas
vezes, não tem importância alguma. O cidadão
sábio reúne informação na medida
certa para tomar decisões corretas. Não se coloca
como um espectador, mas como diretor e ator da sua própria
vida. Por isso, ele reúne as informações
úteis para a ação, evitando perder tempo
ou energia com dados desnecessários ou meros passatempos.
A
sociedade de massas, ao contrário, induz o cidadão
a renunciar à direção da sua própria
consciência. Trata-se de um roubo sutil da nossa capacidade
de pensar, que é inseparável dos nossos processos
emocionais. Na verdade, toda vida é um processo eletromagnético
segundo reconhece a medicina moderna e o processo
do desejo é decisivo para o seu desenrolar. A escritora
russa Helena Blavatsky escreveu no século 19 que o
desejo passivo é a base para o desenvolvimento da vontade
ativa. Para ela, as emanações que procedem
do corpo a cada esforço seja mental ou físico
produzem automagnetização e êxtase.
(Isis
Unveiled, Helena P. Blavatsky, Theosophical Press, Pasadena,
Califórnia, EUA, 1988, vol. I, p. 434.)
Ora, a televisão, através dos seus programas,
filmes e propaganda, desperta e manipula desejos que estão
desconectados da vivência real do cidadão. Com
isso, ela controla em parte o comportamento dos telespectadores
que ficam expostos durante muito tempo à sua influência,
fazendo com que eles percam contato com sua vontade autêntica
e desenvolvam um magnetismo negativo.
O ser humano cresce interiormente quando sua vontade
é própria e seu desejo é nobre. Sempre
que estabelecemos uma meta altruísta e bela e trabalhamos
intensamente para alcançá-la, estamos reunindo
magnetismo puro em torno de nós e ao mesmo tempo fortalecendo
nossa vontade. Essa é uma necessidade básica
de todo ser humano e deve ser respeitada pelos meios de comunicação
social.
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